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quarta-feira, abril 08, 2015

Quem protestou hoje devia se perguntar: o que representamos hoje nesse país?

Foto: G1

Hoje foi uma dia de "protesto". Bem, nem mesmo parte dos manifestantes sabem contra quem ou o quê estão protestando. Há um nítido desencontro de discurso e prática, uma disjunção do que dizem ser e que realmente são e como são vistos. Todo essa pequena e inexpressiva movimentação da CUT. MST, PT etc. Tem ar de drama fatídico. 

Essas entidades e "movimentos" deveriam se perguntar: o que representamos hoje no atual contexto do Brasil? Para quem falamos? Hoje o Stédile chegou a chamar de burro o Levy. E, diante dos fatos, fica uma pergunta o que o MST quer? Apoiar Dilma? Tudo indica que não. Quem e por qual razão tem promovido em manifestações de baixa mobilização e que reforça a imagem de fraqueza e de falta de apoio popular do governo Dilma? 

Toda essa tentativa de quer demonstrar força, fazer enfrentamento com a polícia demonstra pouca sensibilidade política e nenhuma responsabilidade democrática. Esse pessoal devia estar preocupado com o óbvio: o silêncio da massa, a não adesão deles a esses atos. O barulho que eclodir dessa massa silenciosa vai ser, sem dúvida, muito forte!  

domingo, agosto 31, 2014

PT abandona a política e tenta desqualificar a democracia

Começou no Facebook e no Twitter uma campanha sórdida e baixa para desqualificar a Marina. Aquela balela de fundamentalismo, homofobia etc. etc. Coisa que o PT não dizia de Marina quando ela estava no PT e sendo ministra do governo do PT. Por que isso? 
Simples! O PT não tem nenhuma proposta consistente para enfrentar as questões que emergiram nesse novo contexto. O país está entrando em recessão, a inflação avançando e o governo do PT não sabe o que fazer. Além disso, o PT não possuem mais respaldo para falar de reforma política, de combate a corrupção e de ética. O projeto é exclusivamente a manutenção do poder. Focado na perpetuação  à frente do poder, todos os princípios de democracia foram relativizados ao extremo. Perpetuação no poder só pode acabando com a democracia. 
Com isso, o PT faz uma investida violenta com ataques pessoais, total desrespeito ao espaço privado e à intimidade pessoal, devassado tudo para desqualificar e perseguir que emerja no cenário como o contraditório. A pluralidade não é mais plausível nesse horizonte que o partido só quer o controle do poder. A ira e a perseguição sistemática é o sinal claro do abandono da política. 
Que debate pode ser político onde a possibilidade mesma da Política de estabelecer diálogo nas diferenças, equacionar  medidas e projetos com foco em interesse público são abandonados?   
Querem diminuir a Marina a partir de qual parâmetro? Para quem Lula está pedindo  nos diversos estados brasileiros? Qual a autoridade real de Lula hoje? 
Ora, Marina é oriunda da classe trabalhadora, tem uma trajetória de vida marcada pela superação e por lutas em defesa dos direitos sociais. Tem uma condição orgânica. Não é estranho PT querer tanto ridicularizar e diminuir uma mulher, uma trabalhadora que quer dirigir o país? Essa exclusividade só pode ser de Lula? Ou é o pecado de Marina ter ido além da alfabetização e ter apostado mais estudo? Será que isso a põe na imaginada classe média odiada pela senhora Marilena Chaui? Digam-me Lobão Filho, que Lula prever como um bom governador, representa o quê?
Triste ver como o próprio PT está se diminuindo, mostrando uma profunda incapacidade de fazer Política. Não quer mais largar o poder? 
Só se destruírem a Democracia para conseguir tal perpetuação. 
Derrotar o PT agora é uma estratégica democrática! Dentre outras coisas... vai servir para descongelar os movimentos sociais, as entidades classistas e ampliar o lastro de oposição. A chegada do PT no poder deixou um vazio principalmente pela incapacidade do PSDB, DEM e outros partidos de serem oposição, além de serem totalmente desvinculados dos movimentos socais populares. Nessa estada do PT no poder a tal ultra-esquerda não conseguiu, através de seus variados partidos nanicos, assumir a condução de grandes reivindicações  e nem consolidar maior inserção nos movimentos sociais. Vide o estranhamento sofrido pela ultra-esquerda nas manifestações de junho de 2013. 
A questão é se vamos votar nessa continuidade de nítido declínio Político e abandono da democracia. Parece que começa a ficar tarde.

sexta-feira, janeiro 04, 2013

PT saudações. Fui!



“Só não muda de ideia quem não tem ideia”. “Triste não é mudar de ideia, mas não ter ideia.”
Minha filiação no Partido dos Trabalhadores (PT) data de 1991, mas antes disso já votava e militava nesse partido. Permaneci até hoje por livre e espontânea vontade. Por isso, não vou criar nenhuma lista de desilusões ou culpar alguém para justificar minha saída. Não preciso amaldiçoar e nem responsabilizar ninguém para ser álibi da minha desfiliação. Saio livremente... O PT mudou e eu mudei.
Na primeira metade da primeira década dos anos 2000 fiz críticas ao PT e suas novas formas/fórmulas de aliança, sua organização de tipo de cúpula e sua tendente verticalização do poder interno. Também sinalizei sobre a relação Lula e PT, particularmente o que se convencionou chamar Lulismo.
Sair não é difícil... Difícil é o para onde ir (?).
Saio de forma verdadeira, não quero ser mais um DESFILIADO FANTASMA, tipo aqueles que “saíram” do partido, mas que ficam o tempo todo seguindo os eventos do PT, fazendo aparições em corredores, em mesas de acordos e/ou tentando se encostar em negociações para barganhar e tirar dividendos em cima dos serviços prestados. Saída é saída.  Também não quero ficar fazendo coro junto à crítica que ver todos os descaminhos nas lideranças locais e inocenta por completa a direção nacional, desvinculando os pactos locais dos nacionais.
Na próxima semana entrego meu pedido de desfiliação no Diretório Municipal, no Diretório Estadual e mando por correios uma cópia para a Direção Nacional.
Fiz o que pude. Não fui um militante típico. Eu sigo meu rumo e o PT, partido, segue o seu!
Grande abraço a todos e a todas que ficam e, especialmente, os que um dia ousaram sonhar!  
PT saudações!
Francisco José Araujo. 

sábado, março 10, 2012

TIPOS IDEAIS: OS MÚLTIPLOS DO PT E OS PETISTAS DOS MÚLTIPLOS




É recorrente, entre humanos, buscar recursos de simplificação que possam ajudar no processamento de equações do tempo, do espaço, do lugar, das situações, dos fenômenos etc. O dualismo é um desses recursos e, talvez, o mais operativo.

O exercício comparativo e percepção de similaridades são as chaves propulsoras do sucesso da simplificação dualista. No entanto, não nenhuma simplificação simples, por mais simplificador que possa ser seu resultado.

A composição, organização e inserção do Partido dos Trabalhadores (PT) no contexto político maranhense são recorrentemente pensadas e alisadas sob o recurso da simplificação. Ora, a utilidade desse recurso repousa sobre um leque enorme de fins e interesses. Exemplo: simplificar para camuflar, dissimular, iludir, racionalizar tendências etc.

1-           A aliança PT/Sarney é, antes de tudo, uma criação do comando nacional do partido. Tudo em conformidade com a lógica partidária predominante em torno da disputa do poder político, pela via eleitoral. Onde a justificação é toda montada na condição de governabilidade e de um “projeto nacional”.
2-           O PT no Maranhão não se reduz aos senhores Dutra e Washington, mas são os dois que monopolizam a guerra intestinal do partido, sendo também os maiores coletores dos frutos dessa lide.
3-           A classificação entre sarno-petismo e resistência mais esconde do que revela. Trata-se de simplificação para alimentar ocultações.

4-           NO SARNO-PETISMO TEM UMA ENORME VARIAÇÃO. CITO ALGUMAS:
a-     Operacionais - vão para onde o partido mandar, ordenam suas vidas a partir do partido e atuam como funcionários;
b-     Boss-políticos - (empresários, religiosos, marqueteiros etc.) pessoas de negócios, vivem da política, a convicção muda conforme as oportunidades do mercado político, entram e saem do partido movidos pelo montante de vantagens;
c-     Desterrados-de-jackson - aqueles que não barganharam nada no governo da libertação e estavam buscando uma oportunidade de vingança;
d-     Piratas - estão sempre atrás de tesouros e têm um olho escondido por trás do pano preto. Ficam jogando nos bastidores com suas peças preferenciais: chantagem e traição. Vivem do partido e seu foco é ascender socialmente de uma forma fácil. Flertam e fazem gestos tentadores para a Resistência sempre que querem arrancar mais alguma coisa do núcleo central do sarno-petismo.
e-     “Inexplicáveis” – são aqueles enquadrados na teorização lobatiana: “Aquilo que não se explica ou é C..., D... ou P....”.  
f- Ex-órfãos de Jackson - participaram do governo da "libertação" e ficaram VICIADOS nas benesses do poder e da boa vida palaciana. Descobriram o brilho da "carreira" de cargo comissionado e querem a todo custo se manter nisso. A doce vida.

5 – A RESISTÊNCIA  TAMBÉM TEM INÚMERAS VARIAÇÕES. DESTACO:
a-     Dutra - o Guerreiro de Saco das Almas, trata-se de uma personagem constituída e mantida no embate frontal com o sarneísmo, tem a hegemonia e preferência do nicho eleitoral constituído pelos anti-Sarney. Ele tem vida eleitoral-política própria, seu fãs o adoram independente de partido. Ele é por ele e se auto-traduz;
b-     Devocionários - existe um PT que só eles veem, fruto de uma crença, de uma paixão total. Mas é uma entidade ideal que é projetada na realidade na forma de uma miopia intensa. Só eles conseguem experimentar essa realidade fora da realidade. Em alguns, isso se manifesta como uma mistura de transe e delírio. São incapazes de encarrar o PT que existe na realidade política do país e no governo. Até hoje não admitem que foi Lula que procurou Sarney, que a aliança Sarney-PT, antes de chegar no Maranhão já era uma realidade polpuda no plano nacional – o Maranhão não é nacional. Não admitem que essa aliança nacional impôs uma humilhação ao petismo maranhense, além de priorizar e favorecer a continuidade do mandonismo sarneysista. Levam porrada direto, mas são incapaz de tecer críticas ao partido. A culpa toda é de Sarney ou Washington. Tudo se justifica pelo projeto nacional ou tendência;
c-     Dutristas – várias frações e grupos com certa autonomia, mas que gravitam em torno de Dutra, sempre acompanham os lances e ações dele para se posicionarem. Alguns são dependentes políticos do guerreiro;
d-     Caos-petismo – são castelistas envergonhados, que fazem uma política de inserção no ninho tucano de forma camuflada. Estão na resistência fazendo teatro, gente que só quer uma certificação de ter lutado contra Washington/Sarney. Isso para depois justificar, em nome do anti-sarneísmo,  sua adesão ao tucanato castelista. Querem encobrir com o anti-sarneísmo a condição neoliberal e de extrema-direita de Castelo. Tudo justificado pela luta contra Sarney; 
e-     Revoltados masoquistas – não aceitam aliança com os Sarney, fazem críticas abertas ao partido, não encontram mais coerência entre o discurso e a prática partidária. São indivíduos que não sentem mais identificação com o partido, mas permanecem no partido como uma forma de autopunição, autoflagelação;
f- Órfãos de Jackson - aqueles que tinham um espaço comissionado no governo da "libertação". Uns estão tentando achar uma posição sem a luz das benesses do poder. Outros agem em busca da recuperação. Ficaram traumatizados com a cassação e ainda não se encontraram no espaço tempo da política, gente magoada;
g-      Resistentes – são os que propriamente compõem a resistência.  Assumem críticas ao partido, lutam por ampliação de espaço dentro do partido e apostam em uma retorna de foco do projeto partidário pela via democrática, progressista e popular. Não fazem concessões à direita política. São pessoas com serviços prestados ao partido. Não vivem da política nem do partido. Vivem para a política e para o partido. Acreditam na Política como espaço humanizado e humanizador. São opositores firmes ao sarneísmo, sem farsas nem proveitos pessoais.  Mas é uma minoria política e numérica. 

É óbvio que estamos diante de uma tipificação incompleta, muito aquém da variedade existe na realidade. Coloco em destaque, para melhor entendimento, que cada tipo desses pode estar combinado a tantos outros tipos. No corpo de um operacional sempre cabe um pirata e vice-versa.

No entanto, a visão dualista corrente é muito estreita e contorcionista, particularmente ao tratar da aliança PT-Sarney, tanto no que tange a autoria como sua abrangência e consequência.
Por outro lado, é sempre bom frisar que anti-sarneísmo não é atestado de idoneidade moral, nem de competência. O anti-sarneísmo tem sido utilizado como guarda-chuva sob o qual diversos tipos venais estão escondidos. Somo a isso a malandragem enganadora de justificar apoio a Castelo em nome do anti-sarneísmo. Não há nenhuma coerência nisso, e petista que é oposição aos Sarney não pode apoiar Castelo, pois não estaria fazendo um voto melhor, mas um voto muito pior, pois esse senhor é um subproduto, um resíduo político tóxico do mandonismo sarneysista.

Superar o mandonismo saneísta é derrotar e remover da arena político-partidária seu núcleo e todas as suas crias malévolas. Não superação sem traumas. Todo parto é um fato-dor.. por mais belo que possa ser o nascimento! 

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