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sábado, abril 25, 2015

Um tal IDH

"The HDI does not reflect on inequalities, poverty, human security, empowerment, etc. The HDRO offers the other composite indices as broader proxy on some of the key issues of human development, inequality, gender disparity and human poverty." (Unesco)

O IDH é uma das siglas mais populares do Maranhão. Acho que só perde em popularidade para SUS, DNA e SAMU. De repente tudo se explica pelo IDH. Não é bem isso que pensa a própria Unesco. Existem outros sistemas de avaliação e com múltiplas combinações de indicadores que apontam para outros elementos relacionados ao Desenvolvimento Humano. É uma ferramenta importantíssima e tem produzido efeito nas políticas públicas no mundo inteiro. Mas, há de se ter cuidados. 

Recentemente ouvi: "Essa dengue é só falta de IDH", "A cidade dele é pequena, nem tem IDH". Rapidamente vai sendo naturalizado, popularizado, mas também muito distorcido e distante do sentido original. 


A longevidade, a educação e a renda são categorias com um significativo nível de exigência. para qualquer ação governamental que vise desenvolvimento humano. Aliás desenvolvimento humano é algo bem mais complexo que essa abordagem.  

Para se aferir longevidade é necessário o percurso de no mínimo 20 anos. Já que a metodologia adotada considera um mínimo de 20 anos e um máximo de 85 anos. E isso está relacionado à segurança e à assistência de saúde. 

A segurança um dos maiores problemas brasileiros e não há uma só ação governamental consistente nos três níveis de poder. Não há nenhum resultado que posso destacar o Brasil nos casos de redução de violência e criminalidade. A forma de repressão tomou forma de combate de guerra e o fracasso é notório, cada vez a polícia mata mais e cada vez mais aumenta o número de policiais mortos. Isso está transformando o criminoso comum em um combate, os grupos criminosos estão se especializando em tática de combate. Mais presos, mais mortos e ao mesmo tempo mais violência e mais criminalidade. 

A saúde. Temos um sistema que é uma maravilha enquanto formulação, mas não tem tido êxito na prática. Esse modelo de universalização e integração tem esbarrado em diversos obstáculos, entre elas a corrupção, o desnível de gestão e de suporte administrativos das sub-unidades nacionais etc. A municipalização da saúde é uma boa ideia, o problema é tornar isso uma prática com eficácia. 

Na educação a expectativa de escolaridade e o tempo médio de estudo tem melhorado lentamente no Brasil. Mas, o problema não é só falta de investimento. O montante de analfabetismo existe não é só por falta de recursos e programas, existe condicionantes culturais que precisam ser levados em consideração. O Maranhão ainda pena com analfabetismo. Obtive depoimentos de instrutores que relataram casos de turmas de alfabetização de adultos que começaram 50 alunos e terminaram com 01. Considerando que a expectativa mínima de estudo seja 15 anos e a ideal de 18 anos, não há como mudar sem programas que tenham continuidade ao longo de sucessivos governos. O resultados com melhorias exige continuidade de esforço, não há mágica. O primeiro passo parece ser investir em infraestrutura, treinamento e na desconstrução de entreves enraizados culturalmente. 


A aberração maranhense é o grau de desigualdade, sustentada por uma altíssima concentração renda e setores de alta empregabilidade, mas com baixíssimo rendimento. A isso tudo está agregado uma mão de obra mal treinada, baixa qualificação e elementos de um ethos que não se coaduna com as lógicas de produção moderna. Recentemente foram expostas diversas pessoas passando fome etc. Nada vai mudar sem mudar a forma de tratar esse processo de reprodução da pobreza extrema. No Maranhão pobreza extrema é encontrada onde existem terras cultiváveis, sem longos períodos de estiagem e rios perenes. E, o que não se pode deixar de ressaltar, cobertor pelo programa nacional de transferência direta de renda. Sem mudar a ideia de produção e produtor tudo vai ser mais um esforço inútil. Houve projetos errados? Sim. Ocorreram muitas irregularidades em diversos projetos? Sim. Mas, existe um monte de associações comunitárias e de produtores cheias de casos obscuros envolvendo dinheiro público etc. A realidade tem que ser vista de forma crua. Só recurso financeiro e insumos em geral não bastam. Existe condicionantes culturais que precisam ser levados em consideração. De imediato é possível melhorar a renda, elevar o rendimento nos arranjos produtivos existes de baixa rentabilidade etc. 

Há o que fazer? Sim. Muito pode ser feito, mas com a consciência que é começo e começo é uma urgência nesse contexto. A sinceridade de assumir o fato de que certas questões exigem tempo para serem minoradas ou solucionadas.   

segunda-feira, outubro 22, 2012

Sonho e questão de classe



Sonho e questão de classe..
Tenho um sonho.. de infância... descer o rio Itapecuru... desde a nascente.. até a baía de São José. Recentemente.. fiquei cheio de esperança. Bateu aquele otimismo: vou realizar esse sonho. Por que esse otimismo? Estava assinto o Jornal Hoje, da Globo... por ele fiquei sabendo que a indústria náutica estava de olho na classe C. Entre tantas coisas maravilhosas que mostraram... apareceu uma lancha de banco de couro, com equipamento de navegação, motor etc.... e tudo por R$ 23.000,00. Além da vantagem do pagamento parcelado. Nossa... pensem em uma alegria. Pensei: deve ter algo mais baratinho para a classe D ou E... Esperançoso já estava me incluindo nessas classes. Crente que ia achar um barquinho "mais baratinho". Fui ao mundo das compras.. Revirei os sites. Depois pisei no chão e resolvi circular o comércio local. Nada compatível ao tamanho do meu "poder aquisitivo". Not para o bolso de Francisco. Depois de várias frustrações... já me sentindo classe F (de francisco)... vejo esses barquinhos em uma loja. Fiquei muito alegre... poxa... enfim a mercadoria da minha classe. Olhei.. imaginei como usar.. que equipamentos poderia ser levados em tal aventura, nome da expedição etc. Bateu a curiosidade de ver o preço... Puzt!!! Para que fui fazer isso? Pergunto-me até hoje. Estava tão alegre. Lá se vai eu despencando em sonho e classe social. O preço me fez ver que nem esse barquinho está ao alcance do meu consumo. O que começou com a ilusão de ser classe D... foi baixando para F... e, em um instante, transformou-se no clarão do Z. 
É...! Sonhos existem, fetichismos existem e pobrezas também existem... e podem aparecer de forma combinada, "como síntese de múltiplas determinações" kkkkkkkk, em uma bela uma loja de shopping.

quinta-feira, junho 21, 2012

A miopia dos maranhenses e os óculos da Globo


A miséria no Maranhão é tão ampla e tão antiga que os maranhenses perderam a capacidade de ver com seus próprios olhos as reais implicações dessa situação. Não conseguem ver nem se indignar com tamanha desigualdade social. Incapazes de reagir à violência e ao constrangimento que isso significa para a vida cidadã. Para os maranhenses isso tudo é normal. Impera uma forma naturalizada de conceber a miséria. Não são poucos os que pensam, percebem e definem essa desigualdade como patrimônio cultural - eles gostam de viver assim, dizem eles.  

A Globo tem tido o mérito, com sua capacidade de convencimento e de estabelecer a versão "verdadeira, de ser uma espécie de óculos para os maranhenses. A Globo disse então passa a ser real. As pessoas comentam e mostram-se admiradas. Tudo já estava posto bem perto dos olhos. Tudo que a Globo disse, resumidamente, já foi dito e forma aprofundada por inúmeros pesquisadores locais. Diversas vezes postei sobre essa questão. Tantos outros pesquisadores já fizeram o mesmo. Sobre esse tema já concedi três entrevistas à Rede Brasil, sendo que última foi em rede nacional. Qual a repercussão local? Nenhuma.  

Marajá do Sena como a capital da miséria não é novidade para um estado campeão em miséria. Mas isso não é só uma questão quantitativa e econômica. Quem ver só assim continua tendo uma visão superficial do problema. O Maranhão tem um ethos profundo de extrema desigualdade social: as pessoas que têm não se contentam em ter, precisam o tempo todo dizer que o outro não tem nada. 

Tem uma responsabilidade política-governamental vinculada à persistência dessa miséria, mas há, do outro lado, um modo tradicional (de tipo reacionário) de culto ao distanciamento social, e que não deve ser atribuído como culpa também quem está no poder político. O que dizer de um pai que, em uma reunião escolar de pais, propõe que a escola aumente a mensalidade para evitar a entrada de "gentinha" ? O que dizer dos que reclamam de colegas que são "bolsistas"? A culpa é só dos governantes? Não. Eles são pessoas dessa mesma sociedade que alimenta o distanciamento social extremo como forma de projeção social. Basta observa o alto investimento em status aparente. Ter carro com mais de 03 anos em São Luís é uma heresia. 

O investigador do IPEA falou na Globo agora todos os vão reproduzir o dito. Eis um outro detalhe. Nesse Maranhão profundo,  persiste uma vaidade suicida no meio acadêmico, onde cada intelectual se posta como um supremo gênio e são incapazes de reconhecer os méritos do colega, em geral, boicotam para que o outro não possa parecer que tenha mais brilho do que ele. Uma vaidade obscura, onde todos acabam sendo "mundialmente conhecidos" apenas na sua sala ou nesse inusitados departamentos. Essa operação de ninguém poder ter seu trabalho reconhecido, para que o nivelamento fique sempre no rodapé, tudo que vem de fora é maior, é melhor e grandioso. É preciso algo de fora aparecer para que se possa ver e validar. 

A questão dessa miséria, já escrevi, tem a ver também com a falta de financiamento específicos para cada arranjo produtivo. Não basta só ensinar a cozinhar, não será suficiente, pois quem está na miséria mesmo não monta negócio sem incentivo. Cadê o dinheiro para comprar o fogão, o gás, as panelas, a matéria prima? É preciso desenvolver também capacidade empreendedora. No mais, falta em nós mais humildade e solidariedade no que tange o reconhecimento do outro de ter direito a vida digna. Humilhar pobre não é luxo, é extrema perversidade. 


domingo, junho 10, 2012

400 anos e o Império do atraso: São Luís



Caminhão-pipa sendo abastecido em poço na estrada da Maiobinha. Detalhe: Ao lado passa um rio que está todo poluído de esgoto.  
A questão é: Quem está  fiscalizando a qualidade da água distribuída pelos caminhões pipas? 
Qual o critério utilizado pela Caema para entregar essa água? 
Na foto maior o carro estava no Cohatrac IV.  
O certo é que o grande negócio do século XXI em São Luís é carro-pipa... apenas trocamos os jumentos pelos caminhões.. as pipas e os burros permanecem!

segunda-feira, novembro 21, 2011

domingo, novembro 20, 2011

A MISÉRIA QUE CHOCA NÃO É NOVIDADE



Os maranhenses assistiram, nessa última semana, sua rotina brilhando na tela da televisão. A miséria apareceu como novidade e todos ficaram chocados com a exposição dada no telejornal.

Por que chocou? Tudo indica que foi por ter aparecido na televisão. O maranhense atualmente parece que só ver, fala  e ouve com órgãos e sentidos alheios. Não há novidade sobre essa situação. Na verdade, essa miséria é bem pior, mas é disfarçada, em grande medida, pela máscara do repasse direto de dinheiro, promovido pela Bolsa Família. Somado a outros repasse resulta que a cada R$ 10,0 em circulação no Maranhão R$ 6,0 é não foram gerados aqui, mas é fruto de transferência. Como explicar a existência de tantos milionários? Mágica! 


No primeiro semestre o IBGE já divulgado outros resultados sobre a condição socioeconômica das famílias, onde visivelmente aparecia um fosso alarmante entre a maioria das famílias maranhense e uma pequena casta de privilegiados. A grande maioria das famílias maranhenses, em média, aparecia com renda per capita de R$ 70,00. Houve até um seminário do Dieese para debater essa situação. Local: Sebrae.

Não tinha como ser diferente e tudo o governo estadual fez foi articular o aumento das inscrições no programa Bolsa Família: tentativa de minorar a situação. Também foi promovido um evento para discutir o programa e o acompanhamento, exigência e contrapartidas vinculadas à Bolsa Família. Técnicos do Ministério do Desenvolvimento estavam presentes. Local: Rio Poty Hotel. No Maranhão perto de 900 mil famílias estão cadastradas no programa Bolsa Família. Isso é mais que suficiente para dizer o tamanho da pobreza.

Ninguém fica chocado com as prioridades adotadas pelo Governo Roseana Sarney: Espigão costeiro (só em propaganda e divulgação já deve ter consumido o equivalente a 20% do valor anunciado da obra); Rodovia “Via Expressa” (primeira rodovia para interligar bairro e shoppings); O super-helicóptero (a utilidade e propósito todos já sabem).

Enquanto isso, no mundo dos mortais, a Caema, fonte de abastecimento dos tanques de ganância de todas as oligarquias, está agonizando, o sistema todo precisa de melhorias. Até hidrômetro falta nos escritórios municipais. Será que a Caema não tem jeito? A quem vai servir sua privatização?

Os 72 hospitais que seriam construídos em seis meses. Até agora umas poucas UPAs, recursos federais. Real mesmo são as tendas no Aterro do Bacanga!

No entanto, é preciso deixar registrada as verdades e sinceridades da governadora. A primeira verdade: uma moça aparece em um comercial para divulgar os feitos na saúde e começa sua fala afirmando: “Nunca antes se investiu tanto na saúde”. Verdade. Os 46 anos de mando eles nunca investiram na saúde do povo. Ela está sendo sincera: reconhece que não fez em todos os seus outros governos.

A outra grande verdade foi a recente afirmação da governadora: “Ninguém passa fome”. Realmente. Ela só esqueceu-se de dizer que esse ninguém compreende os seus pares, parentes e membros de sua Casta. A sinceridade é forte. Pois mostra que a governadora realmente não vive nessa realidade e a sua realidade está em Nova York, Paris, Lebron etc. 

Como ela pode ver e saber se tem gente do Maranhão passando fome? No mundo dela ninguém passa fome, os maranhenses caíram foi no azar de viverem em outro mundo, só isso. 

O que ela sabe sobre os maranhenses é qual a ilusão que eles precisam receber para continuarem no mesmo patamar de conformismo que estão. (refinaria, gás, 72 hospitais)

Porém, a manutenção desse mando personificado e patrimonialista tem se perpetuado pela solidariedade que recebe, ao menos, da metade da população do Maranhão. Somando-se a isso inércia, que colabora com a permanência no mesmo estado de coisas.

Só para ilustrar vou reproduzir uma pesquisa feita lá pelas bandas de Caxias pela Escutec e divulgada pelo site (Noca) http://www.noca.com.br/materia.asp?notcod=20052:
na questão sobre a satisfação do eleitor com o atual governo de Roseana, a pesquisa obteve o seguinte resultado: Ótimo = 6,8%; Bom = 38%. total de aprovação 44,8%. Ruim = 24,1%; 24,2%. Total da desaprovação 48,3%.

Detalhe: 1- a pesquisa não colocou a opção "Regular" (aprovação mínima); 2- a pesquisa foi encomendada por opositores da governadora; 3- se a margem de erro for menor que três, pode-se considerar um empate entre aprovação e desaprovação. 

Roseana sabe para qual povo está falando e o que fala para eles! É por isso que a Excelentíssima Governadora fica tranquila e não sente o menor constrangimento em dizer que "Ninguém passa fome!"

Ps.: A placa de sinalização de regulamentação de trânsito (R-3), em frente ao Palácio dos Leões, diz muito sobre a nossa realidade.

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