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segunda-feira, janeiro 14, 2013

A inflação. Lembrando um texto de 2011


"Preços seguem em alta e economistas preveem inflação acima de 6% em 2013"*


* O título acima está disponível em : http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,precos-seguem-em-alta-e-economistas-preveem-inflacao-acima-de-6-em-2013-,983977,0.htm

Lendo essa matéria do Estadão me veio à lembrança o texto "FALANDO DOS FANTASMAS E O “MEIO IRRACIONAL” (O QUE É ISSO)",  que escrevi e publiquei em 05/08/2011, neste blog. Ver: http://araujofrancisco.blogspot.com.br/2011/08/falando-dos-fantasmas-e-o-meio.html  

Segue o texto:

FALANDO DOS FANTASMAS E O “MEIO IRRACIONAL” (O QUE É ISSO)

O que é a Economia? Existem inúmeras  definições para tal conceito. Isso é verdade tanto para a Economia enquanto fenômeno social e histórico amplo como para a Economia enquanto disciplina acadêmica. Para ambas as coisas há uma variação enorme de sentidos. 
Sobre a economia. Ela pode ser  definida como um fenômeno amplo, presente em diversas sociedades  e diretamente relacionada às relações que envolvem as transações de bens, serviços, produções, dinheiro etc. ou como uma disciplina acadêmica, mais precisamente a ciência econômica.

No Brasil, enquanto perdurou a inflação alta e descontrolada, entre os anos 80 e 90, os economistas eram comumente vistos nos telejornais dando explicações ou apresentando soluções controlar a inflação. A inflação virou uma palavra chave para tudo. O cometa Halley não foi avistado, logo se culpou a inflação, o país não se desenvolvia era a inflação, a pobreza era por conta da inflação, a taxa de natalidade também estava sob influência da inflação.

O que estava atrás de tanta inflação? Uma cultura inflacionária. A malandragem e a esperteza. Todos queriam tirar proveito a partir da inflação, com ela se justificava qualquer extorsão e canalhice. Tudo foi indexado, era a indexação da indexação, que no final realimentava a própria inflação. A malandragem era nitidamente suicida.

Hoje, o que é observado, alguns grupos empresariais, percebendo a ampliação da capacidade de consumo de diversos segmentos sociais e a elevação do padrão de consumo de diversos outros segmentos sociais, resolveram lucrar fácil, aumentar malandramente a margem de lucro. Primeiro veio o ataque do cartel do combustível, mas graças a intensa contestação do povo pelas redes sociais (internet); o Governo percebeu e o preço da gasolina declinou.

No mesmo passo, de forma fracionada e pulverizada, as redes de supermercados atacaram estão vorazmente atacando a economia, os preços dos produtos que subiram no período da entressafra, praticamente não foram reduzidos após esse período e outros, que não sofrem com entressafra foram tiveram seus preços elevados.

Na parte micro, mas imensa na soma geral, na trama das relações moleculares de consumo cotidiana, formalizadas ou de formalização autônoma/alternativa (temos dificuldade de aceitar o tal informal) o ouviu dizer, a sensação de impotência religou a cultura inflacionária perigosamente, e múltiplos reajustes foram feitos: lavagem de roupa, faxina, o churrasquinho vendido na calçada, a calibragem de pneus, o remendo de pneu, o cachorro quente da esquina, o cremosinho, o picolé de palito, o suquinho, o sorvete de coco de casquinho, a pipoca, o cuscuz ideal, o salgadinho de milho, o  PF (prato feito) da merendeira perto da rotatória, o lanche da bike-lanche, o milho verde cozido vendido na beira da BR, a garrafada do MC (Mercado Central), o copo de mingau de milho de Dona X etc. O que é muito preocupante.

Resta saber até que ponto a cultura de não consumir com preços absurdos, restringir consumo e optar por similares mais barato foi consolidada durante esses anos de vigência do Plano Real. Além disso, até onde a cultura inflacionária passou a ser rejeitada em uma forma de consenso.

Preços existem, cálculos e escolham racionais existem, mas há um amplo campo movido por motivações afetivas, de valores não estritamente econômicos que operam em todo e qualquer economia. Essas motivações escapam aos cálculos racionais efetivados nas universidades de economia. Essa parte compõe a faixa do talvez, do inesperado e , quem sabe, agregue também esse “meio irracional” pronunciado por um professor de economia no Globo News, hoje pela manhã.  Que bom ver o cálculo irracional pensar a partir do “meio racional”.

Esse “meio racional” entra como dado sinalizador do comportamento de variáveis e fenômenos componentes do sistema econômico? Como isso favorece a “compreensão da situação presente e o delineamento das tendências”?

Um fantasma paira sobre a ciência econômica.   


sexta-feira, janeiro 04, 2013

PT saudações. Fui!



“Só não muda de ideia quem não tem ideia”. “Triste não é mudar de ideia, mas não ter ideia.”
Minha filiação no Partido dos Trabalhadores (PT) data de 1991, mas antes disso já votava e militava nesse partido. Permaneci até hoje por livre e espontânea vontade. Por isso, não vou criar nenhuma lista de desilusões ou culpar alguém para justificar minha saída. Não preciso amaldiçoar e nem responsabilizar ninguém para ser álibi da minha desfiliação. Saio livremente... O PT mudou e eu mudei.
Na primeira metade da primeira década dos anos 2000 fiz críticas ao PT e suas novas formas/fórmulas de aliança, sua organização de tipo de cúpula e sua tendente verticalização do poder interno. Também sinalizei sobre a relação Lula e PT, particularmente o que se convencionou chamar Lulismo.
Sair não é difícil... Difícil é o para onde ir (?).
Saio de forma verdadeira, não quero ser mais um DESFILIADO FANTASMA, tipo aqueles que “saíram” do partido, mas que ficam o tempo todo seguindo os eventos do PT, fazendo aparições em corredores, em mesas de acordos e/ou tentando se encostar em negociações para barganhar e tirar dividendos em cima dos serviços prestados. Saída é saída.  Também não quero ficar fazendo coro junto à crítica que ver todos os descaminhos nas lideranças locais e inocenta por completa a direção nacional, desvinculando os pactos locais dos nacionais.
Na próxima semana entrego meu pedido de desfiliação no Diretório Municipal, no Diretório Estadual e mando por correios uma cópia para a Direção Nacional.
Fiz o que pude. Não fui um militante típico. Eu sigo meu rumo e o PT, partido, segue o seu!
Grande abraço a todos e a todas que ficam e, especialmente, os que um dia ousaram sonhar!  
PT saudações!
Francisco José Araujo. 

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