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quarta-feira, abril 16, 2014

Jogo do poder: conciliação e complicações internas


Existem muitos palpites e posturas facilmente tomadas por quem não tem a responsabilidade de decidir e que responde diretamente pelo sucesso e, mais ainda, pelo insucesso. 

O jogo é para ser jogado. Uns jogam só pelo deleite de jogar, pouco importa vencer ou perder. Mas quem quer e precisa vencer no jogo tem que ser sagaz para identificar e deter os recursos disponíveis e necessários para garantir a vitória. Isso, dentro de certo limite, não fere a questão da responsabilidade diante da coisa pública. A responsabilidade com a coisa pública, a ética da responsabilidade precisa ser mostrada é no exercício do poder político, quando efetivamente se é o ocupante do posto de comando. 

Maquiavel deixou um um belo legado, não é nada dessa enxurrada de frases sórdidas tomadas isoladamente. O grande legado é perceber o poder como produção social, tratar o poder como ele é e dentro de contextos que mudam. Mudando o contexto é necessário perceber as mudanças e responder eficazmente às mudanças. 

Nem sempre a vitória vem combinada com o tipo de derrota desejado ao adversário. Se for preciso algum grau de conciliação para vencer, quem quer vencer concilia. Nesse campo de disputa todos estão espreitando o que é melhor para si. 

Só resta uma coisa para Flávio Dino agora... decidir se quer vencer ou só jogar por jogar. Ele já lançou a sorte faz tempo, está encharcado da água do rio, não pode mais abrir brecha para o azar. Só resta jogar para vencer. Agora, nesse contexto, o que estava servindo apenas para fazer lastro tem que ser deixado no porto ou lançado ao mar. O espaço tem que estar livre para a mercadoria útil. O momento está ótimo para descartar pesos inúteis, que não agregam e provocam desgaste, como o chorume vindo da situação. Gente com posições dúbias devem ser abandonadas agora. Caso contrário, a barca vai quebrar na areia da praia ou vai chegar no porto em processo de alagamento. Nesse jogo não tem espaço para o indivíduo querer ser Noé. Alguns vão ter que encarrar a fúria das águas. 

Sarney e Lula são dois dos melhores operadores em torno do poder. O Sarney é melhor na manutenção, na permanência e está jogando certo para uma saída honrosa, conforme sua própria fórmula: "saia por onde entrou". Lula é excelente em tomada de poder... sabe caçar cada obstáculo e conhece exatamente o peso e os riscos das alianças que fez. 

Ninguém vai poder dizer depois que o velho Sarney não fez bons gestos: 1- Livrou Luís Fernando de sabotagens internas e o deixou encaminhado para crescer sozinho, é só ele saber aproveitar; 2- Fez a sorte sorrir para Flávio, o cavalo agora realmente está selado; 3- Vai responder sem alardes aos que internamente complicaram o jogo.
Nesse contexto é  bom lembrar Maquiavel... quando diz que para uns a sorte brilha, mas lhe falta a virtú. 

Onde for necessário fazer gesto ao adversário para garantir a vitória, quem está no jogo para vencer, tem que fazer. Não é ser bonzinho e nem frouxo, é ser eficaz. Se é moralmente diferente e tem outros propósitos à frente dos negócios públicos é só provar durante o período que ficar como Governante. 

Para os Sarney a vida vai seguir tranquila mesmo perdendo a eleição para governador... é um grande grupo empresarial, ainda vai ter largo acesso ao Governo Federal, com ou sem Dilma, o PMDB já provou que sabe se adaptar a qualquer governo. Pode ter um ganho imediato perdendo em tamanho. O tamanho da teia hoje é um peso que onera muito as ações. A grande hegemonia política vai acabar, mas eleitoralmente sobreviverá aqui e ali. A questão é: quem vai servir, do que restar, para renovar o quadro, manter um núcleo mínimo coeso e, nas crises, coordenar ações de grupo (?). 

Aos pobres e humildes (como nós) resta lutar, berrar e rezar por dias melhores, pois as questões postas até aqui são exclusivas dos que habitam os andares superiores... 

Ps.: O PT com Sarney é novidade ou espanto para quem? 

segunda-feira, abril 07, 2014

Sarney: o Golpe de 64 e Transição para a democracia

Foto: o Estadão (recortada)
Em 2002, quando comecei o doutorado, tratei de conseguir uma entrevista com o senador Sarney. Motivo: a transição, processo de democratização e volta dos governos civis. Passei meses tentando achar um canal de acesso e que viabilizasse essa entrevista, por fim lembrei de uma amiga que o marido era parlamentar e recorri a ela. Fiz algumas perguntas bem simples e mandei, no mesmo documento, meu contato, basicamente meu e-mail para uma eventual resposta. A resposta veio através de um assessor de nome Pedro, e não era mais que um NÃO. Motivo: ano eleitoral. Como no Brasil, vergonhosamente e em total desrespeito ao erário, fazemos eleições em dois em dois anos, mas na prática é campanha em um em um ano, fiquei praticamente desabilitado de entrevistar o senador Sarney até hoje. 

No fundo, a minha investigação estava exatamente direcionada à sobrevivência dos aliados da ditadura e o grau de democracia estabelecido, o que democracia acabou sendo efetivada diante de tal processo (?). Era uma empreitada muito ambiciosa. O certo é que essa entrevista que considerava e considero de grande importância para meu trabalho não aconteceu. 

Mas, permanece a vontade de melhorar o texto, de buscar fazer uma leitura dessa tal redemocratização por um ângulo diferenciado do que já foi produzido exaustivamente até aqui. Recentemente recorri a três pessoas com acesso ao meio familiar e político do senador Sarney, mas até agora NÃO obtive nenhuma resposta.  Queria publicar meu trabalho nesse aniversário de 50 anos do Golpe de 1964, mas isso já não é mais possível. Quem sabe eu consiga publicar no aniversário de 51 anos do Golpe. O problema agora é o senador Sarney querer colaborar com pesquisadores locais como eu, sem referências maiores e sem "pedigree". 

Tudo indica que não vou ter mesmo essa entrevista. O senador já está com 83 anos e, como todos os seres humanoides, vai ter a ruptura existencial com esse mundo. 

Ontem, 06/04/2014, o jornal O Estado do Maranhão, de propriedade do próprio senador Sarney, publicou, na página 08, uma entrevista com ele feita pela repórter Laura Grennhalgh, de O Estado de São Paulo, o Estadão. Na entrevista foi tratado alguns bons detalhes sobre o período que me interessa, algumas sutilezas e revelações de bastidores. Porém, os pontos da minha curiosidade não foram atendidos. Os ângulos das formulações, apesar de bons, não são os meus e não atendem a minha investigação, é óbvio. Mas é um material importante para pesquisadores e demais interessados no tema. Vale a pena ler. 

Destaco algumas trechos que considero coincidente com o que observei na minha tese: 
1- Ele funcionou como uma senha do processo para a transição acontecer dentro dos parâmetros do lento, gradual e seguro. Garantia à garantia dos militares;
2- Era e é um admirador de Juscelino, mas não tem a mesma admiração por Getúlio, a quem destaca o caráter autoritário e busca minimizar a influência da era Vargas,  além de reproduzir a tese de FHC de que a superação do estado varguista já está consolidada.

Repito aqui o que já afirmei na tese: Leônidas Pires foi quem deu posse a Sarney, através dele que verdadeiramente a "eleição" de Sarney para Presidente foi efetivada.

Destaco também, a partir dessa entrevista que: 1- Sarney é um exímio semeador de afagos (e contador de histórias). 2- É capaz de criar brechas, em qualquer tema e parte da história, para manifestar gestos necessários a quem possa render apoio e reafirmar a amizade. Exemplos: 
A- Ao falar de Getúlio cria uma brecha para tratar do sindicalismo, nisso agracia Lula evocando o tal do novo sindicalismo (o senador não usou a expressão "novo sindicalismo", eu fiz isso), como superação do sindicalismo pelego. No final, mais uma vez, fala do operário concorrendo à Presidência no final do seu mandato; 


B- Assume mais a proximidade o alinhamento com Castelo Branco e o apresenta em distanciamento e desalinhamento com Costa e Silva, por fim, ele próprio, mostra-se em tensão com Médici. Com isso, presta homenagem a um amigo e, ao mesmo tempo, afasta sua trajetória política do AI-5. Não duvido de nada, só destaco a habilidade dele de contar. Todo ponto de vista é visto de um ponto... Todos válidos. 


Repito: Lula é a chegada atrasada do último contingente produto da ditadura, é a consolidação da transição dentro dos parâmetros do lento gradual e segura. Nada até agora ocorreu fora disso. A democracia que temos foi e é carregada (excessivamente) pelo ideário de democracia da antiga Escola Superior de Guerra. O avanço democrático que se esperava ainda não aconteceu. Vide a proposta recente da OAB, que ao sugerir o recall na reforma política, limitou o dispositivo ao legislativo, alegando o "risco" dos adversários derrotados agirem contra o titular do Executivo. Isso traduz a mentalidade conservadora que não admite o poder com o povo, nem acredita na capacidade do povo, mas o tem sempre com um incapaz que merece de certos cuidados e tutela. Traduzindo: O povo tem capacidade para votar para eleger, mas não tem capacidade de votar para tirar (vai ser manipulado). Alguém entende? Pois é... lenta , gradual e segura (sempre?).

segunda-feira, março 31, 2014

Trechos sobre a Ditadura...



Todas as ditaduras são condenáveis. Não existe ditadura boa, necessária e útil. Só a Política é necessária e útil, mas é preciso saber e usar de suas possibilidades. Sou contra ditadura de Direita, de Esquerda, do Alto, de Baixo, do Centro... O caminho da Liberdade é sempre a Liberdade! 

 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...