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segunda-feira, outubro 22, 2012

Sonho e questão de classe



Sonho e questão de classe..
Tenho um sonho.. de infância... descer o rio Itapecuru... desde a nascente.. até a baía de São José. Recentemente.. fiquei cheio de esperança. Bateu aquele otimismo: vou realizar esse sonho. Por que esse otimismo? Estava assinto o Jornal Hoje, da Globo... por ele fiquei sabendo que a indústria náutica estava de olho na classe C. Entre tantas coisas maravilhosas que mostraram... apareceu uma lancha de banco de couro, com equipamento de navegação, motor etc.... e tudo por R$ 23.000,00. Além da vantagem do pagamento parcelado. Nossa... pensem em uma alegria. Pensei: deve ter algo mais baratinho para a classe D ou E... Esperançoso já estava me incluindo nessas classes. Crente que ia achar um barquinho "mais baratinho". Fui ao mundo das compras.. Revirei os sites. Depois pisei no chão e resolvi circular o comércio local. Nada compatível ao tamanho do meu "poder aquisitivo". Not para o bolso de Francisco. Depois de várias frustrações... já me sentindo classe F (de francisco)... vejo esses barquinhos em uma loja. Fiquei muito alegre... poxa... enfim a mercadoria da minha classe. Olhei.. imaginei como usar.. que equipamentos poderia ser levados em tal aventura, nome da expedição etc. Bateu a curiosidade de ver o preço... Puzt!!! Para que fui fazer isso? Pergunto-me até hoje. Estava tão alegre. Lá se vai eu despencando em sonho e classe social. O preço me fez ver que nem esse barquinho está ao alcance do meu consumo. O que começou com a ilusão de ser classe D... foi baixando para F... e, em um instante, transformou-se no clarão do Z. 
É...! Sonhos existem, fetichismos existem e pobrezas também existem... e podem aparecer de forma combinada, "como síntese de múltiplas determinações" kkkkkkkk, em uma bela uma loja de shopping.

quinta-feira, junho 07, 2012

Tudo em HD e pura abacatada


Levantei e fui tomar uma abacatada, mas cadê a abacatada? Tempão ser tomar abacatada. Nem lembro direito do gosto. Continuando: percebi que não tinha abacatada. Pensei: Como? Bebi a abacatada dormindo? Virei sonâmbulo? Comecei a fazer uma revisão de memória para tentar entender o que aconteceu. É o que segue: Ontem, depois que sair do trabalho, por volta das 21 horas, passei em um supermercado comprei alguns itens alimentícios e um abacate. Chegando em casa, fui limpar o liquidificador, sem uso há tempos, coloquei no escorredor de pratos... etc. Em ação contínua, caminhei até a sala e liguei o notebook, comecei a navegar na internet, mas logo ocorreu aquela curiosidade de saber o que estava passando nos canais da televisão naquela hora. Levantei-me e segui em direção ao quarto, lá chegando, sentei na cama e liguei a televisão... A partir daí tudo ficou HD... Voltei para cozinha, montei o liquidificador, coloquei o abacate dentro do copo do liquidificador e fiz aquela abacatada. Olhei para o relógio de parede (adoro) e vi que já estava muito tarde para um velhinho beber tal coisa. Quando se chega a uma certa idade é melhor não arriscar certas coisas. Resolvi deixar a degustação da abacatada para a manhã seguinte. Pois bem, acordei ainda pouco e fui para cozinha tomar a tal da abacatada. Olhei o liquidificador limpo. O copo do liquidificador limpo e os copos limpos.Tomei aquele susto. Cadê a abacatada? Puzt! Quando liguei a TV e sentei na cama adormeci... tudo o mais foi sonho. Meu primeiro sonho em alta definição, muito realismo e colorido. E o abacate? Ele está intacto na geladeira, vontade enorme de tomar a tal da abacatada, mas agora faltou coragem para fazer, fiz muito esforço no sonho. Hoje é feriado, vou é descansar.

quinta-feira, março 22, 2012

O que é o sonho?

Autor que não foi possível identificar

O que é o sonho? A utilidade e função do sonho? Freud buscou relacionar os sonhos com tentativas de realizar desejos. Na verdade o sonho foi um elemento fundante da psicanálise freudiana, sua via régis. Particularmente como manifestação do inconsciente pensado por Freud. 

Lacan e tantos outros mudaram o trato e lugar do sonho. Para esse a atenção deveria se voltar para o significante. Porém, os sonhos se reduzem às formulações psicanalítica? Os sonhos muitas vezes acontecem em uma forma de experiência que podemos diferenciar muito bem de outros sonhos, não só isso, nos traz conteúdos que se colocam no devir. 

Qual a necessidade do cérebro viver essas imagens, produzir sensações enquanto o corpo dorme? Os sonhos são realidades, mas tipos especiais de realidade para nossos sentidos e experiência mundo. O sonho seria um vigília não autorizada do consciente perante o descanso de o resto do corpo? Uma insurgência ou falha no nosso sistema, nas funções do corpo? Os sonhos podem ser a revelação somente que nosso corpo não funciona de forma perfeita, e que as imperfeições são úteis para sua eficiente existência. 

No meu entendimento o sonho é social a partir do momento que vira discurso e fica submetido a duas interpretações em contato comunicativo. Do sonho também percebo que as sensações nele experimentadas são indícios que os sentimentos e prazeres têm uma existência sem o contato físico material e sem a percepção da vigília (acordado). Isso não quer dizer que tal existência seja anterior ou pré-existente à vida e à vida social. 

O testemunho é uma condição de tipificação da experiência e da vivência real. O real precisa de testemunha para a memória de cada indivíduo e para o grupo. É esse atestado de verdadeiro que separa o real da criação fantasiosa, fictícia, ilusória e delirante, se não separa pelo menos os distingue intelectualmente e possibilita uma outra ordenação das múltiplas teias de interação social. Nesse caso a realidade precisa do sonho como o outro (alter). 

O sonho persiste enquanto uma experiência da vida da qual não sabemos suas "razões. 


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