terça-feira, janeiro 24, 2012

Maranhão é uma lavoura arcaica


José, dono da fazenda, que não é bobo, saiu na frente plantando uma Macaxeira bem no meio do terreno. Chuvas começam a cair e vários políticos ainda estão indecisos, vacilantes, sem saber se plantam ou não suas candidaturas nessa terra do Zé.  
Lavradores que não querem ficar na senzala do Zé estão demonstrando não conhecer bem a terra e nem como como prepará-la;  podem perder a hora de plantar e de colher. 
É preciso sagacidade para fazer vingar algum bom fruto livre das garras do Zé. É uma lavoura arcaica de brutos manejos.

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Maranhão: fazenda dos “pavões arrogantes”




em memória do mártir São Sebastião.

I

O Maranhão virou moda para alguns intelectuais e jornalistas do sul e sudeste do país. Contra aos anos de omissão e cegueira cúmplice, lançam artigos e pronunciamentos fervorosos contra as mazelas aqui existentes e seu principal malfeitor: Sarney. Tudo que está sendo dito não passa de museu de novidades. Coisas tão recentes quanto à invenção da pólvora. Cabe o ditado: “em tempo de manga, toda mucura é gorda”. Enfim, virou uma mania pegar carona agora na situação do Maranhão, porque ficou fácil se projetar com isso. O ponto comum dessas análises e explicações exógenas são as generalizações, a superficialidade do trato e as absurdas ocultações.

Porém, é sábio que, entre nós, impera o complexo de inferioridade, o caráter colonizado, onde o que vale e o que presta é coisa feitas pelos de fora, pelos outros. Somos incapazes de reconhecer os méritos dos nossos pares. Temos temor ferrenho de sermos os pioneiros, por pura falta autoconfiança. Resultado, qualquer idiotice dita por alguém de fora toma forma de genialidade e da última palavra sobre o assunto. Mesmo que isso não passe de clichês tomados de empréstimos. Para compensar esse sentimento de inferioridade, agimos de forma extremamente ácida, intolerante e desdenhosa em relação ao que é produzido pelos conterrâneos. Ninguém pode ganhar visibilidade para não revelar a mediocridade e incapacidade dos demais.

Essa emergente crítica dos intelectuais e artistas do centro-sul aos Sarney é primorosa em ocultação e fraquinha em compreensão do fenômeno que diz tratar: Sarney.

Perguntas necessárias: Como Sarney conseguiu ser 04 vezes Presidente do Senado? Como e o porquê de ter se tornado o Vice-Presidente e depois Presidente do primeiro governo civil pós-1964, Como e por quais motivos jamais vingou qualquer processo contra ele e seus familiares? Quais os reais motivos para ter tido assento nos dois governos de FHC, nos governos de Lula e nesse de Dilma? Existem ou não condições institucionais, sociais e políticas para o fenômeno Sarney? Quais são essas condições e quem as mantém? Há ou não no conjunto da sociedade brasileira elementos culturais que viabilizam a perpetuação de tal forma de mando político? Há ou não cumplicidade, parceria e omissão de diversos setores da sociedade em prol da existência de tal fenômeno? Quais os nexos de poder favoráveis à vida política do fenômeno Sarney nos diversos níveis do Aparelho do Estado, na direção do Estado? Sarney é um super-homem, um supra-humano carregado de poderes sobrenaturais? Ou é um sujeito inserido em uma história, carregada de múltiplas valências de relações interdependentes, que opera dentro dos limites das condições e recursos disponíveis no espaço e no tempo?

Essas questões breves são para ilustrar o quando é carente de aprofundamento esse trato até agora dado ao fenômeno Sarney. Infelizmente as pesquisas sérias ainda são poucas e de pequeno alcance. Tudo o mais são achismos, antipatias, ódios pessoais, oportunismos, partidarismo e superficialidades. Infelizmente ainda estamos nesse nível.

O que choca é o grau de importância dado a certas leituras sobre o sarneísmo feitas por pessoas de fora do Maranhão e que não acusam terem pesquisado mais cuidadosamente a nossa realidade. Isto é, são textos bem menos confiáveis, em conhecimento e em proximidade com a realidade que os produzidos aqui. Vale lembrar que eles, em geral, não apresentam qualquer fonte ou referência bibliográfica verificável. São, grosso modo, opiniões ao bel prazer. Cabe perguntar: Por que elas valeriam mais do que as nossas? 

II 

O fenômeno Sarney não se explica só pelo Maranhão, mas também não se explica sem o Maranhão. Enquanto fenômeno político, Sarney não pode ser tomado como um indivíduo isolado ou onipotente. O fenômeno precisa ser contextualizado, o ambiente deve ser devidamente caracterizado e os diversos sujeitos pensados em termos de potencialidades e recursos, diante de fluxos constantes de demandas, tensões, composições e concorrência pelo poder. Sarney  não é uma invenção de si mesmo, não age sozinho e depende de alianças no plano local, regional e nacional para manter e gozar de certos privilégios. O sarneísmo não é só o indivíduo Sarney. Constitui-se de uma vasta rede de relações/obrigações/fidelidades que se estende por todos os poderes e possui diversas teias de apoio, influência e parceria localizadas em postos-chaves do Estado e da sociedade.

Impera em algumas cabeças locais a espontaneidade ingênua, cujo fundamento é o Milagre do Óbito, que acredita que falecendo o indivíduo Sarney todo o esquema político que ele participa e representa desmoronaria de forma automática e imediata (espontaneamente). 

Isso é pouco provável. São muitos os interesses que confluem na direção dessa rede. Os diversos operadores das teias do sarneísmo sabem que é mais fácil defender e preservar seus interesses mantendo a unidade-cumplicidade do que arriscar se aventurar pela mão do desconhecido. 

Nome político eles inventam, criam rapidinho com auxílio de um bom marqueteiro e com recursos. Roseana não tinha nenhuma participação política, mas a inventaram para ser logo governadora. Isso ocorre exatamente quando Sarney ganhou sua sobrevida política ganhando a Presidência da República. Daí em diante foi só a Rainha, a Guerreira etc.

O que não falta é gente dentro do sarneísmo para ser inventada como político.  Além disso, a quantidade de netos e sobrinhos do senador é enorme. O que concorre contra é péssimo desempenho do atual governo, os diversos índices negativos que não foram revertidos ao longo dos sucessivos governos e o desgaste comum a quem fica tanto tempo à frente do controle político.

Mas, mesmo assim ainda reúnem recursos para permanecerem à frente do poder político. Basta ver as sucessivas reeleições de Sarney Filho para Deputado Federal. Como ele conseguiu tantas reeleições? Foi voto popular?, voto de opinião?  O sarneísmo compõe, em sua teia, a maior força empresarial e econômica do Maranhão, vão ter recursos para operar nas diversas eleições. São negócios que não podem ficar totalmente desvinculados do Estado e dos governos.  

Quando o senador Sarney morrer o grupo pode até esvaziar, mas há a possibilidade real do grupo inchar, particularmente com a ida de oportunistas querendo vender seus serviços ou prestar ajuda. Além da possível chegada dos dissimulados espertos, que sempre quiseram fazer parte da rede, mas tinham vergonha de assumir a participação. Diante do manto do fim do sarneísmo, vão tentar participar do grupo e de lá tirar proveito. Matéria prima para a continuar dando vida a essa rede mandonista não falta. Muito menos falta mão-de-obra especializada para tais tarefas.

É Ingênuo também acreditar que os componentes dessa teia de mando não pensam o futuro e nem trabalham para operarem em um cenário pós-morte do senador. Como já foi dito, são muitos os interesses e vantagens conseguidas com a existência dessa rede, quem dela participa sabe que tem a perder com sua extinção. Por que entregariam docilmente o poder ou por que ficariam inertes? Certamente já foram projetas diversas formas de fazer  sobreviver os benefícios em tempos futuros. Se isso vai dar certo ou não, só a história dirá.

III

O mandonismo tem raízes profundas e permeia todos os micro-espaços da vida cotidiana. Basta ver o que acontece nas universidades locais, onde predominam pessoas da oposição, da esquerda, críticas etc. o mandonismo deita e rola, nepotismo tem de sobra, favorecimento de amigos e “chegados”, apadrinhamento e os vergonhosos “concursos” criados só para colocar um aliado no Departamento.

Não é fácil e simples desconstituir esse estado de coisas. O sarneísmo, além dos seus recursos, conta com a ajuda generosa da força da inércia. No plano concreto das relações políticas, a organização efetiva contra a permanência desse mandonismo é pouco eficiente e de pouca abrangência. A falta de qualidade das ações ou a ausência de ações por parte dos seus opositores lhe permite permanecer de forma mais fácil e tranquila. 

Há diversos não simpatizantes, críticos, pessoas que odeiam, opositores políticos, anti-sarneístas, mas nem por isso há uma mobilização coordenada e eficaz para estabelecer provocar de imediato uma vitória política. Se ocorrer qualquer mudança significativa no atual contexto vai ser obra, em grande parte, da fortuna. Os homens reais e históricos ainda não trabalharam o suficiente para mobilizar as condições necessárias para desmontar esse mando em curto prazo. Vai ter que ser aos pouco e de forma constante.

A falta de mobilização, de organizações da sociedade civil capazes de operar com efetividade política, favorece a vitalidade das ações sarneístas. Sem mobilização e organização não há como fazer pressão, nem como intimidar as omissões cúmplices de alguns agentes estatais, que deixam de fazer valer o Direito ou o distorcem em favor da continuidade desse mandonismo. Eis um problema grave.

A subordinação do Partido dos Trabalhadores (PT) do Maranhão ao sarneísmo comprometeu ainda mais as possibilidades de mobilizar as organizações da sociedade civil em torno de um projeto mudança política, no estado. Para o bem dizer, desde que o PT assumiu o Governo Federal diversos movimentos e entidades deixaram de ter papel crítico mais ativo, passando a uma condição de apêndice do governo, alguns em alinhamento de tipo suicida, destituindo a entidade de legitimidade diante de sua base.

A alta fragmentação das ações e desorganização dos grupos de oposição é também um fator desfavorável nessa situação de enfrentamento aos sarneísmo. Esse fator pesa mais do que a heterogeneidade dos grupos. Pois essa só ganha relevância pela ausência de um projeto político claro que agregue os diversos interesses de forma pactuada.

Porém, outros problemas existem, por exemplo, o grupo da oposição com maior capacidade de concorrer eleitoralmente com o sarneísmo vive o dilema das duas velas. Isto é, faz parte do Governo Federal, assim como Sarney faz parte, mas é oposição a Sarney no plano local.  Até aí o prejuízo não é grande. Tranquilo. Porém, as coisas complicam muito quando o Governo Federal expressa sua preferência e coloca como aliados prioritários os Sarney. O que resulta em um ato contra os governistas que, localmente, são oposição a Sarney. Essa fração da oposição defende uma força política nacional que acaba tendo preferência por seu opositor local.

Nas diversas mudanças ocorridas, em torno do controle político do Maranhão, a participação do poder central foi decisiva. As forças locais precisaram ser apoiadas por forças externas para assumir o poder. A oposição precisa ampliar seu apoio externo.

IV

O caso do PT no Maranhão não é excepcional, nem algo inusitado. Segue o comando nacional, segue seu principal líder, Lula, que há tempos selou aliança com Sarney. O PT do Maranhão só tem de singular a entrada tardia nessa aliança com os Sarney. O PT já se conformou enquanto partido de cúpula, dirigida e ordenada de forma mais verticalizada. Os que os Chefões do Alto-Comando acertam o que os demais chefes locais devem seguir. Esse é o PT que existe hoje. É lógico que existem petistas que não concordam com isso, mas eles não são a força dirigente do partido.

Nas eleições de 2010 o PT e todos os partidos da base governista fizeram campanha para Dilma em nome de um projeto maior, do projeto nacional. Em nome desse mesmo projeto nacional o PT do Maranhão passou a ser conduzido em conformidade com os interesses do mando sarneísta no estado. Isso não só ampliou as divisões no interior da oposição ao sarneísmo, como também diminui drasticamente seus recursos.

Essa operação de submeter o PT do Maranhão ao mando dos Sarney provocou, além do efeito moral, que reduziu sua credibilidade e legitimidade para evocar a representação da mudança e da moralidade na Administração Pública, uma forte homogeneização e indistinção. A partir de um nivelamento por baixo, onde todos aparecem como iguais e cúmplices. Para que mudar se todos são do mesmo feitio?

V

O sarneísmo também conta, a seu favor, com a falta de nomes nos quadros partidários de oposição. Hoje a oposição tem problemas de deficiência de nomes e quadros. Na verdade, ela está encurralada e temerosa por falta de um leque maior de opções. 

Nos últimos anos, a oposição foi incapaz de produzir, dá visibilidade e firmar nomes com viabilidade eleitoral e apoio popular. Quase não se renovou, em parte por falta de visão de alguns líderes e por consequência dos personalismos exacerbados.  

A oposição aos Sarney que existiu, até aqui, foi fragmentada, formada por arquipélagos altamente personificados, muito mais por nomes isolados do que grupos articulados. Isso tem facilitado a disputa para o sarneísmo. 

O Maranhão é uma fazenda de “pavões arrogantes”. O problema de ego é grave e cada um quer ser mais importante do que o outro. Todos se acham grandes estrelas e a História do Universo parece depender exclusivamente deles. Sabe-se que o horror de todo pavão são seus próprios pés. 

A oposição, através de suas variadas frações, constitui-se em uma grande reprodutora do mandonismo. Em grande medida, as relações estabelecidas, no interior desses grupos, são nitidamente marcadas por vaidades mesquinhas, clientelismo e por subordinação. Não são pautadas na igualdade, no reconhecimento dos pares, mas por relações extremamente seletivas de quem tem mais ou menos importância. Portanto, cooperação e desprendimento são coisas raras nesse meio. Ninguém quer ir para o sacrifício, sobra desconfiança e falta lealdade. Enfim, acabam achando muito mais motivos para brigarem do que cooperarem. Aí reside uma questão crucial. Será que existe realmente uma causa, um valor político comum na dita oposição? Ou tudo fica ao  nível das disputas por vaidade e por mero deleite? 

Sem causa não há projeto político, nem viabilidade para efetivá-lo. São facilmente percebidas as discordâncias e antipatias ao senador Sarney e sua família, porém, essas coisas não são suficientes para atestar a existência de causa consistente de luta política. Qualquer projeto de superação de um modelo de mando político e gestão pública não pode se limitar em ser contra, precisa apresentar o que tem de diferente, como vai ser melhor, como isso será feito. Até o momento a oposição não construiu um discurso claro e objetivo com essa finalidade. Tudo vem sendo dito de forma muito vaga, imprecisa e vacilante. Será que ela é capaz de traduzir-se.

A destituição do sarneísmo enquanto controle político ainda não se constituiu em causa maior para a maior parte da oposição, infelizmente. Apesar de todo o desamor contra os Sarney, essa parcela maior da oposição opera basicamente movida pela simples busca do poder, do poder em si. O poder é fica como um fim em si mesmo, não é buscado como um meio para realizar coisas de maior amplitude. Ora, essa falta de causa e o foco estritamente no poder impede a constituição de um projeto político amplo, capaz de fazer convergir e equacionar os diversos interesses dos grupos de oposição, fazendo-os pares em ações conjugadas e coordenadas visando concretização de uma realidade cotidianamente melhor para os cidadãos maranhenses.

A estrita luta pelo poder não dá margem para cooperar com os outros e tão pouco dá motivo para confiar. Todo mundo querendo ocupar o mesmo lugar e ao mesmo tempo torna inviável uma real composição de forças.  

Falta aos povões saberem fazer acertos e cumpri-los. É necessário acordos de médio e longo prazo, e alguns indivíduos precisam tomar a pílula da anti-vaidade e saber esperar o seu momento. Outros, já envelhecidos na política, precisam demonstrar sabedoria e prestar solidariedade à causa e encerrar a carreira de forma digna.

VI

Vamos às situações factuais. O PT local, por força e obra dos Sarney lança um candidato para correr ao cargo de Prefeito de São Luís. Quem no PT tem condições de crescer eleitoralmente e ir ao segundo turno?  Quem no PT é um nome com densidade eleitoral frente a Castelo ou Tadeu? O resultado mais provável de uma candidatura do PT é ampliar as chances de eleger alguns dos seus candidatos nas eleições proporcionais (vereadores).

A ausência de Flávio, na disputa eleitoral desde ano, facilita de imediato os planos de Castelo e, em médio prazo, os planos de Sarney. O sarneísmo sabe sobreviver sem a Prefeitura de São Luís, tanto faz quem seja, só não pode ser Flávio. A continuação de Castelo não é problema, muito pelo contrário, parece ser desejada, pois pode evitar que Flávio amplie seu lastro de apoio e ganhe cada vez mais popularidade no estado. Tanto é verdade que lançaram recentemente Washington para prefeito, praticamente sinalizaram para Castelo que ele pode permanecer. No mais, essa candidatura do vice-governador a Prefeito de São Luís tem indícios de ser mais um exercício de humilhação. Sabem como poucos como construir uma vingança.  A preocupação dos Sarney é Flávio, porque pode se tornar mais forte à frente da Prefeitura e atrapalhar a continuidade deles à frente do governo do Maranhão, em 2014. Com uma candidatura forte ao governo do estado ele pode alavancar um candidato ao Senado e complicar a eleição de Roseana esse posto.

Recentemente o prefeito João Castelo, em entrevista concedida ao jornalista Kenard, alertou para o perigo de quererem “ganhar a Prefeitura de São Luís pela primeira vez”. E alerta a os oposicionistas: “Precisam tomar juízo”. Pois bem, já que ele é tão experiente e ajuizado e está preocupado com os que querem ganhar a prefeitura de São Luís pela primeira vez, por que ele não retira sua candidatura em prol de Flávio? Por que ele e só ele pode ser o candidato? Será que está mesmo se opondo ao sarneísmo?

Flávio não teve apoio do Governo Federal nas eleições de 2010 e dificilmente terá em 2014, pois, em nome de um projeto maior, será novamente priorizada a aliança com os Sarney e, logicamente, o apoio virá para o candidato deles. Agora, nas eleições de 2012, também não terá esse apoio, porque o PT terá candidatura própria, já providencialmente acertada com a cúpula nacional do partido. A exigência era o PT não apoiar a candidatura de Flávio, ela já foi devidamente atendida. O que vai acontecer no PT a partir desse momento são as repetidas rinhas e eclosões de ódios pessoais e intrigas internas. Mas tudo vai ficar como José Dirceu já acertou com José.  

Não tem conquista fácil nesse campo. É preciso mirar em etapas, ter paciência e habilidade de congregar. Ainda há tempo para montar uma chapa reunindo a maior fração da oposição contra o mandonismo. Flávio precisa entrar na disputa eleitoral de 2012. Agora ou depois, o risco de perder vai sempre existir. Ele só deixa de existir quando não há disputa. 

Não se pode alimentar certas ilusões, 2014 será muito difícil, vai ser o momento de Sarney cumprir sua promessa com Lobão, já tantas vezes adiada. Vem Lobo, oncinha pintada, zebrinha listrada, coelhinho peludo e todos os bichos... A Prefeitura de São Luís precisa ser conquistada, em 2012, para a oposição ser ampliada e para ter mais fôlego na luta contra a força do gás da alcateia, em 2014.
Viva Sebastião (Divino)! 

quinta-feira, janeiro 19, 2012

PROUDHON E OS MALEFÍCIOS DOS DOGMAS -147 DE SUA MORTE.




Hoje, 19 de janeiro, completou 147 anos de morte de Pierre-Joseph Proudhon (1809 – 1865). Muito se fala de anarquismo, mas poucos conhecem a obra desse pensador. A importância de seu pensamento e sua contribuição para o pensamento social e político ainda não receberam o devido reconhecimento. Ao longo de mais de um século vem sendo atacado pelo dogmatismo implantado pelos séquitos marxistas. A desvalorização do seu pensamento foi incrementada, principalmente, após a Revolução de 1917, na Rússia.

Ele foi o primeiro a se reivindicar anarquista, mas logo mudou de ideia e passou a se denominar como um federalista. Assim como mudou sua própria ideia de anarquismo, passando da mera ausência de senhor, de autoridade para a autogestão.

Foi o primeiro a formular a exploração capitalista atrás do trabalho assalariado, o que chamou de erro de cálculo, que mais tarde Marx chamaria de mais-valia (sem citar Proudhon).

Foi combativo contra a titularização da propriedade, defendo a existe exclusivamente só da posse. As terras não teriam donos, mas apenas usuários.  Sendo essa submetida ao controle social. Desta forma era contra tanto a propriedade capitalista quanto a propriedade estatal.

Magistralmente anteviu o risco do autoritarismo no comunismo e foi o seu primeiro crítico. Como também sinalizou a tendência dogmática do próprio Marx. Rompeu com Marx, de quem sofreu inúmeras e severas críticas posteriormente. Mesmo tratamento desleal continuou recebendo dos clérigos marxistas que, posteriormente, formaram-se pelo mundo inteiro.

Em expressões aparentemente contraditórias explicitou a necessidade da reflexão de acompanhar as mudanças e seus níveis de complexidade da realidade. Ao mesmo tempo afirmou que a propriedade é roubo e que a propriedade é liberdade, que anarquismo é ausência de autoridade, de um senhor, mas também afirmou que anarquismo é ordem e defendeu o equilíbrio entre autoridade e liberdade. Tratou esses temas pela ótica de uma dialética que chamou antinômica, onde não síntese e os elementos em antagonismo, que movimentam a história, só alcançam equilíbrios imprevistos, mas em permanente estado de ebulição. Dessa maneira, não aderiu ao fim de história e nem enveredou pela promessa de paraíso.

Propôs o Mutualismo como alternativa ao capitalismo e ao comunismo. Pautando-se na autogestão e na federação (descentralização).

Trecho da Carta de Proudhon ao mandão Marx, em 17 maio de 1946, Lyon – França.  

“Em primeiro lugar, embora minhas idéias quanto à organização e realização do movimento estejam no momento mais ou menos definidas, pelo menos no que diz respeito aos seus princípios básicos, creio ser meu dever – como é dever de todos os socialistas – manter ainda por algum tempo uma atitude crítica e dubitativa. Resumindo: eu em público professo um anti-dogmatismo quase absoluto.

Procuremos juntos, se assim o desejar, as leis da sociedade, a forma pela qual essas leis poderão ser executadas, o processo que utilizaremos para descobri-las. Mas, por Deus, depois que tivermos destruído a priori todos os dogmatismos, não sonhemos por nossa vez em doutrinar as pessoas; não nos deixemos cair na contradição de seu compatriota Martin Lutero que, depois de ter demolido a teologia católica, lançou-se imediatamente à tarefa de criar as bases de uma teologia protestante, utilizando-se da excomunhão e do anátema. Nestes últimos três séculos, uma das principais preocupações da Alemanha tem sido desfazer o mau trabalho de Lutero. Não deixemos pois à humanidade a tarefa de desfazer uma embrulhada semelhante como resultado de nossos esforços.

Aplaudo, de todo o coração, sua idéia de trazer todas as opiniões à luz. Iniciemos sim uma boa e leal polêmica; tentemos dar ao mundo um exemplo de tolerância sábia e perspicaz, mas não nos transformemos, pelo simples fato de que somos os líderes de um movimento, em líderes de uma nova forma de intolerância; não posemos de apóstolos de uma nova religião, mesmo que seja a religião da lógica e da razão.

Vamos reunir e estimular todas as formas de protestos, vamos rechaçar toda a aristocracia, todo o misticismo; jamais consideremos qualquer tema esgotado e, quando tivermos lançado mão do nosso último argumento, comecemos outra vez – se preciso for – a discussão, com eloqüência e ironia. Sob tais condições eu alegremente unir-me-ei a vós. De outra forma – não!”

Obras importantes de Proudhon:

- O que é a Propriedade? Pesquisa sobre o princípio do Direito e do Governo.
- Sistema das Contradições Econômicas, ou A filosofia da miséria.
- Do princípio Federativo.
- Teoria da propriedade.
- La guerre et la paix.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Buda também chupou manga




Através de Gabriel García Márquez, em O general no seu labirinto, descobri que a mangueira não era nativa. Apesar dessa constante presença na paisagem brasileira. A manga é originária do sul e sudeste asiático e chegou às Américas por volta de 1700.

Há vestígios que datam a existência da manga entre de 25 a 30 milhões de anos. O que torna plausível dizer que esse fruto vem sendo utilizado pelos humanos desde tempos mais remotos.

A manga é a fruta mais consumida no mundo, para alguns é a "fruta rei”. No Brasil, essa fruta foi introduzida pelos portugueses, que transacionavam os frutos com os indianos, na exploração do mercado  de especiarias. Os lusitanos logo perceberam a possibilidade de adaptação climática e passaram a disseminar a planta através das sementes. Deu muito certo e a mangueira passou a compor nossa paisagem.

No Maranhão, nos povoados rurais, existe o entendimento que a existência de mangueiras é sinal que o lugar já foi habitado. Dizem os lavradores: “ ali já morou gente”. Para além desse fato, alguns animais da nossa fauna fazem com que a planta vá se espalhando sobre determinadas áreas. São espécies que transportam os frutos para locais mais distantes da árvore, a fim de consumi-los. Porém, deixam as sementes intactas e prontas para germinarem.

Esse povo (nós) também tem um dizer interessante sobre a manga: "Esses políticos são como periquitos, só aparecem em tempo de manga!"  Ou, "Em tempo de manga, toda mucura é gorda". 

Em se tratando de Maranhão, os bosques de manga representam o maior e mais eficiente “programa” "espontâneo" de "segurança alimentar". Graças a esse fruto e sua abundância que a maioria das crianças pobres maranhenses - do interior, ganha sobrevida, adquirindo algumas vitaminas e outros nutrientes para enfrentarem o período sem as mangas. 

Como sabemos, até hoje, os recursos da merenda escolar têm servindo, em grande parte, para alimentar a corrupção nos municípios, enchendo os cofres particulares de prefeitos insensíveis que, logo após iniciarem seus mandatos, passam rapidamente a adquirir caminhonetes, helicópteros, apartamentos caríssimos etc. Enquanto as crianças, nas escolas, ficam só comendo salsicha, macarrão e presunto o ano inteiro. Mas existem escolas onde nem isso é oferecido aos alunos. A merenda simplesmente some. 

A manga é um fruto sagrado para os indianos hindus, representando o amor e a fertilidade. As flores e as folhas são comumente utilizadas em rituais. A folha seria a vida vibrante. Na Índia, conta a tradição hindu, Shiva teria aparecido na sua forma fálica em frente a uma mangueira.

A tradição budista também traz referências à manga. Buda tinha preferência pelos bosques de manga para descansar e meditar. Diante de uma multidão de descrentes fez uma mangueira germinar instantaneamente.

A manga foi meu suplemento alimentar durante a minha infância. Além disso, costumava fazer, da copa da árvore, um refúgio. Ficava lá em cima sempre que o mundo lá em baixo assumia um tom tenebroso. Passava horas lá em cima pensando, observando a paisagem e sonhando acordado. Às vezes, no final da tarde, deitava sobre a areia do quintal, próximo a uma grande mangueira, para ficar olhando para o céu, esperando as primeiras estrelas se tornarem visíveis. 

Sempre que passo pelos povoados, às margens das estradas, fico observando as crianças brincando debaixo das sombras das mangueiras ou vendendo os frutos em pequenos utensílios no acostamento da pista. Fico questionando se tudo mesmo é fruto do sujeito histórico ou se, pelo mesmo de vez enquanto, há uma mexidinha divina, colocando uma saída para os menos favorecidos quando a história deles é uma sequência de desgraças e péssimos governos.

Como seria o Maranhão sem mangueiras? 

quarta-feira, janeiro 11, 2012

A Pseudo Defesa Civil Nacional

Foto: café com notícias

Temos que reconhecer o esforço e a doação incondicional de alguns indivíduos que se lançam em ajudar diversos cidadãos em situação de risco e calamidade. Toda nossa admiração. 

No entanto, quando tratamos de Defesa Civil de um país, de um plano nacional de emergência, de socorro em massa o nosso Brasil é completamente desprovido disso. Até agora nenhum dos poderes teve a dignidade de reparar essa falha grave e até irresponsável. 

Como um país com essas dimensões e riquezas é tão carente e ineficiente em termos de defesa civil? Inúmeras catástrofes vem ocorrendo ao longo dos anos e as autoridades tratam como se fossem coisa menor. Nos últimos anos elas aumentaram em número e intervalo de tempo menor, mas nada de efetivamente sério foi feito. Nenhum investimento, nenhuma organização administrativa para fazer ter efetividade uma Defesa Civil Nacional.

Em 22/06/2010, em 16/01/2011 foram postados aqui, nesse Blog, textos tratando desse tema. Ambos podem ser republicados integralmente que estão com a mesma atualidade. Isto é, nada foi feito e a situação de tragédia se repete. Veja: http://araujofrancisco.blogspot.com/2010/06/chuvas-e-vitimas-sob-as-sobras-do-verde.html

Atrás disso tem uma malandragem dos poderes locais para captar recursos, a famosa indústria da tragédia. Pois passado esses períodos nenhuma obra é feita para evitar que acontecimentos desagradáveis se repitam. 

Até quando esperar? 


terça-feira, janeiro 10, 2012

Castelo, o tratado da surdez, o tempo verbal e surrealismo.


Foto: postada na internet por Valdizan. 

Este post trata de forma sucinta a entrevista concedida pelo prefeito João Castelo ao blogue do jornalista Roberto Kenard e postada no dia 09 de janeiro de 2012, sob o título de “Castelo rompe o silêncio em entrevista exclusiva”.

Desde já quero registrar a qualidade do trabalho realizado pelo jornalista Kenard.  No entanto, concordar ou aceitar de pronto o que Castelo afirma é outra coisa.

O prefeito João Castelo fez, mais uma vez mostra seus dons artísticos. Tanto repetir seu heroico governo estadual, transformou o seu discurso em uma peça surrealista. Vamos por partes.

Primeiro ponto. Todo o insucesso de sua gestão até aqui foi consequência da administração anterior e das chuvas rigorosas. Uma combinação da “mão do homem” e da “incontornável ação da natureza”. Como ele sempre apregoa a grandeza de seu mandato de governador (biônico), cabe saber se naquele período não choveu e se o governador que o antecedeu foi um excelente administrador.

Segundo ponto. Castelo demonstrou seu estilo comedido diante dos Sarney. Confirmou a característica que destacamos no post do dia 06 de janeiro de 2012, com o título de Castelo, anti-sarneísmo de areia, poeira e franchising, onde é possível ler: “nunca fez uma ruptura extrema, nunca chegou nem a encenar ódio aos modos do Ricardo-cunhado”. Nas palavras de Castelo, na entrevista concedida a Kenard, fica assim: “Eu nunca fiz e jamais farei política do rancor ou com o fígado”. Não era para menos, além das exigências da civilidade, seria demais não ter o mínimo de consideração com o compadre que lhe deu o mandato de governador (indicado), ainda na vigência da ditadura militar.  

Terceiro ponto. Castelo deu uma dica de ter problema auditivo: “Nunca ouvi ninguém dizer que desconfia do Castelo”. Pode até ser surdo, mas é extremamente surrealista.

Quarto ponto. Castelo afirma: “Nunca mandei reprimir manifestação, muito menos de estudantes. Eu sequer me encontrava no Maranhão quando estourou o movimento.” Aí o prefeito faz brilhar todo o seu talento de mestre surrealista. O governador realizador, administrador competente some da história, logo no período da greve de 1979, e só volta para ser o que fez o Castelão, a Ponte Bandeira Tribuzi etc.?   Não estava no Maranhão. Onde o governador do estado estava? O estranho é como o governador só era governador para construir obras, não mandava em nada e não sabia de nada quando era para tratar de greve. Era um governador ou um encarregado de obras da Ditadura? Quem então deu a ordem para reprimir? Quem finalmente estava mandando no Maranhão? Nomes? 


Caro Prefeito, o senhor está sob o manto da Lei da Anistia (Lei nº 6.685, 28/08/1979), cite os nomes dos responsáveis pela repressão e os motivos disso ter acontecido sem suas ordens ou seu conhecimento. O senhor desconhecia quem dava ordens dentro do seu governo? Desconfio que o senhor não dará esses nomes. Porém, seria muito importante que o senhor revelasse o que sabe sobre esse episódio. Mostre sua versão de forma integral, por favor.   

Quinto ponto. O prefeito considera o tempo verbal igualmente como o tempo climático, onde impera um “inverno de chuvas rigorosas”. Ele está sempre no passado. Ao se rebelar contra os tolos diz: “antes e depois do governo Castelo nenhum outro governo fez tantas obras”. Não faz mais que repetir seu mestre, quando afirma que tudo que existe no Maranhão foi feito por ele. Esse tal governo glorioso deve ser mesmo creditado a ele? Pois ele mesmo disse que não mandou reprimir os estudantes. Esse governo glorioso não deve ser creditado a quem mandou reprimir? Essa  recorrente volta ao seu mandato de governador biônico é uma forma de encobrir dois fracassos administrativos à frente da Prefeitura de São Luís: o seu próprio mandato e o mandato de sua esposa. Fica provado que ele não sabe administrar nada em tempos de democracia. Os créditos de realizador e grande administrador devem ser dados ao que mandou reprimir os estudantes, pois esse alguém é que realmente mandava.

Sexto ponto. Castelo  na sua “crítica real” afirmou que “Muito antes deles, a um alto preço, eu estive na oposição. Oposição a que? Quem são esses “deles”? O tempo verbal ficou beleza: Eu estive. Alto preço, sem dúvida que sim. Traduzindo: ele foi opositor do movimento democrático contra a Ditadura. Para completar sua “critica verdadeira” ele diz: “Se alguém da oposição me criticar está fazendo o jogo dos adversários”. Que absurdo. Ele nunca diz quem são os opositores e os adversários. Quem são os adversário? O adversário é imaginário. Castelo só quer fazer as pessoas acreditarem que o adversário imaginário que ele criou é o adversário real que cada identifica como seu. Na verdade ele não deu nome algum e pode depois dizer que não disse que era seu fulano ou seu beltrano. O anti-sarneísmo dele é o mais dócil sarneísmo.

Sétimo ponto. Os convênios com o Governo Jackson. Ele simplesmente não disse nada de importante e fundamental sobre a questão. Limitou-se ao possível motivo para o governo do estado pedir anulação dos mesmos. Em momento algum falou do paradeiro, movimentação ou existência dos 73 milhões de reais.

Enfim, a única diferença entre Castelo e os Sarney é que ele consegue ser bem pior politicamente.

A entrevista completa de Castelo está disponível em:

sexta-feira, janeiro 06, 2012

CASTELO E O ANTI-SARNEÍSMO DE AREIA, POEIRA E FRANCHISING


  

Todos os que estão atentos aos noticiários já depararam com algum capítulo da novela Mexicana Maranhense: O MIGUÉ DOS MILHÕES.


Breves questionamentos sobre a novela: 
João disse que não viu, não sabe por onde a grana passou, nem seu paradeiro. Os meninos do José querem a grana de volta, mesmo que parcelada. Pois é. Já parcelaram o que não existe? Ou parcelaram o que existe e ninguém sabe onde está? Ou sabem? Será que vão jogar a culpa em alguém já falecido? O que importa é: no meio dessa discussão entre os de João e os de José está a falta de transparência, que resulta em uma miséria da coisa pública. Os 73 milhões não podem ser esquecidos. O repasse foi uma farsa montada pelo ex-governador? Algo aconteceu e precisa ser esclarecido.

São 73 milhões de reais que estão em disputa entre os de José e os de João. Dezenas de versões já surgiram, textos belíssimos já foram escritos para racionalizar a imoralidade e prova nossa imbecilidade. Fato inequívoco, trata-se de dinheiro público que, tudo indica, não foi contabilizado devidamente - cujo paradeiro ninguém sabe. A isso como já deixa dúvidas se tal repasse existiu realmente. A certeza é somente que o dinheiro público, mais uma vez, não recebeu cuidados republicanos.

Os de José já falaram em CPI etc. e os de João tentam provar sua inocência, seu desconhecimento e uns, pasmem, até insinuaram que o ex-governador Jackson não chegou a repassar tal dinheiro para a Prefeitura, pois afirmaram que o dinheiro não existe. Se não existe os aliados de José estão dizendo que ele não chegou na Prefeitura e, consequentemente, foi o governo estadual que disse mas não fez. Deu para entender? Estão sutilmente querendo incriminar o Dr. Jackson quando dizem que o dinheiro nunca existiu na Prefeitura. O atual mandato do João é uma dádiva do senhor Jackson, logo essa fala é, no mínimo, ingrata!

Porém, isso tudo que parece ser uma ferrenha luta, uma briga etc. não passa de uma dança de acasalamento político. Isso são pressões para seduzir na direção de um acerto, concerto para um conserto de poder intra-oligárquico. José quer se prevenir de brechas que possam surgir, requer participação no comando dessa Prefeitura para não ter sérias ameaça ao que lhe é mais precioso: o Governo do Estado. José já sentiu o quanto é perigo deixar essa Prefeitura cair nas mãos de que tem  realmente potencial de confrontá-lo. Na prefeitura seria um concorrente mais forte e com maior lastro. José não é bobo e nunca dormiu no ponto.

João é cria de José, compadre e nunca fez uma ruptura extrema, nunca chegou nem a encenar ódio aos modos do Ricardo-cunhado. Sabe o peso da rejeição consolidada contra ele, que a máquina da prefeitura não tem o poder de arrasto ilimitado, que precisa de uma facilitação por parte dos Leões e qualquer nome mais jovem que apareça pode atrair votos para forçar um segundo turno, que não lhe é nada favorável. Por isso, João empenha-se em afastar os jovens com potencial eleitoral do páreo. Ao mesmo tempo tenta manter Edivaldinho sob suas asas e empurrar Flávio para um tal de 2014 “certo”. Sendo que o segundo é a sua mais aguda preocupação, pois esse já reúne experiência eleitoral, está melhor posicionado nas pesquisas e já conquistou a confiança de vários setores populares e empresariais. Além de poder mobilizar, em torno de si, a maior fração da oposição ao sarneísmo, ainda encarna mais facilmente a alternância política. Esse pode lhe tirar o controle da Prefeitura e lhe impor uma disputa com Roseana pela única vaga para o Senado, em 2014, sem estar calçado em nenhum dos poderes.

José não tem nenhum nome eleitoralmente viável e, certamente, não quer reviver a saga Jaime Santana, mas tem a fórmula e todos os Leões estaduais e nacionais sob seu mando. Já colocou um vice-seu em um mandato de Jackson e pode reeditar o feito. Deve estar apostando em 2014, sem Flávio na Prefeitura, parai ser mais fácil operar a sucessão da filha. Esse senhor nunca foi de desprezar adesões que sejam úteis aos seus objetivos e a cooptação é técnica de seu pleno conhecimento. Resta-lhe até junho para trazer de volta o compadre ou cooptar um bom nome de outro grupo. Porém, vai fazer o básico para garantir o fundamental para manter seu status político: o governo do estado e a maioria da bancada federal (vagas de senadores e deputados federais). Se João não vier, para punir mais uma ingratidão, José poderá apimentar a novela bem no meio da campanha, mesmo que o adversário de Castelo seja Flávio, pois ainda terá tempo (quatro anos) para pensar como diminuir as potencialidades deste último na sucessão de 2014. Mas já terá minado Castelo como candidato ao Senado.  Não vai querer deixas sua filha sem um mandato.

Muitos dos de João terão que inventar uma boa justificativa se João remediar a situação dos milhões com uma aliança providencial com José. Boa parte desse anti-saneísmo-castelista é castelo de areia ou poeira de obra inacabada. Outra parte segue a fidelidade pessoal (amizade) a João ou são profissionais defendendo seu pão-de-cada-dia no ofício de assessores (nada contra).

Flávio tem o que perder nessa “querela” e é indesejado por ambos. Qualquer abraço vindo dessas partes será igual ao abraço do urso. Melhor é que Flávio trabalhe para que eles se abracem fortemente como no abraço dos afogados.

É visível que, em termos de habite-se de shopping, o papo já demonstra congruência. Coisas que uma boa loja de franchising famosa vai arrumando e apaziguando em prol da união. No mais é poeira barata...

 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...