quinta-feira, novembro 03, 2011

FINADOS. QUE FERIADO É ESSE?


Vincent van Gohg - Ramos com flores de amêndoa. 

O Brasil é membro de um seleto grupo de países que tem feriado nacional relacionado diretamente com os mortos ou com a morte.
  • Comecei a visitar o cemitério em um dia de Finados  ainda na tenra idade. Nessa época, o começo, tudo girava em torno da luminosidade das velas. O espetáculo das chamas. O brilho das luzes das velas era o atrativo maior para a criança que eu era. 
  • Eu ficava rodeando a sepultura de minha tia (a Luísa, que não cheguei a conhecer) no esforço de  manter as velas acesas. Além do “ofício” de fazer bolinhas da cera derretida. A morte não era nenhuma questão para mim. Só tempos depois veio o medo de almas, das visagens, mas  até aí a morte não era uma questão séria, nem relevante.  Não tinha nenhum efeito. A morte só se tornou uma questão séria quando minha avó materna morreu (Adosinda). A morte passou a ser algo e de forma significativa: perda.
  • O tempo passou, e muito passou. Questões outras apareceram e adquiri novas formas de pensar o drama da vida e da morte. O medo de visagens e de almas despareceu. Daquele tempo só permaneceu o fascínio pelo brilho das chamas.
O feriado de Finados só pode ter sentido para quem, no mínimo, é espiritualista. Isto é, acredita na existência de espíritos, que algo transcende ao arranjo físico do corpo. Por outro lado, é bom frisar, alguns espiritualistas não veem utilidade no feriado e nem no ato de visitar os túmulos, pois tais atitudes seriam desnecessárias. Defendem que os mortos podem ser lembrados de qualquer lugar, em qualquer dia e não estariam fixos ou presos nos túmulos. Defendem que os mortos não permanecem mortos, mas vivos em uma nova forma de vida. Nessa visão os espíritos ficam Livres dos corpos, e tomariam rumos diferenciados. Existem inúmeras concepções e doutrina sobre a vida pós-morte e as condições do espírito. 

Sendo ou não espiritualista, acreditando ou não na transcendência do espírito, o feriado de Finados traz uma questão comum a todos: vida e morte. 
A morte é o elemento que iguala a todos. Todos nós, qualquer um morre. 
Não existe morte diferenciada, simplesmente se morre. Pode haver diferenças nos funerais e nos processos que culminam com a morte, mas a morte em si é igual e para todos.  

Morte é morte, nem bela, nem feia. Não tem meia-morte. Não pensar na morte não nos tira do dilema da morte, pois isso não nos faz imortais e tão pouco nos isenta do que todos passam no momento morte. O dilema do desconhecido persiste mesmo diante do esforço da indiferença

Vincent van Gohg, depois de atirar contra si, passou dias agonizando sobre uma cama e, nesses dias finais, fez alguns pronunciamentos aos que lhe assistiam. Dentre os pronunciamentos disse: “A desgraça dura para sempre.” Vincent parece ter percebido, antes de morrer, que a morte não encerrava tudo.

O feriado de Finados é uma deferência, antes de tudo, aos dramas e dilemas dos vivos, dos que ainda não morreram. A morte só é um problema para quem está vivo. Pois são eles que estão presos a duas questões não transferíveis: ter que morrer um dia e os sentimentos de dor/perda diante da morte dos outros.

Como a morte é uma certeza, um determinismo, toda a morte e a morte de cada um acaba sendo um drama pessoal de todos. Cada um que morre põe em destaque a certeza da nossa própria morte, diz sobre nosso fim, nesse tipo de existência.

O feriado de Finados homenageia os dilemas dos vivos diante de um determinismo: morrer. 

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terça-feira, novembro 01, 2011

A LENDA DA SERPENTE E O COMEÇO DO FIM




Lendas existem. Não só existem, mas são essenciais para os mais diversos arranjos culturais. São Luís também tem suas lendas e mitos. A “Lenda da Serpente Encantada” é a que tem maior popularidade e ilustração dentre todas elas.

Esse destaque não é sem motivos, a “Lenda da Serpente” é a mais complexa e enigmática dentro dessa tradição de narrativas que, há séculos, constitui o imaginário local.  

O que há de tão distinto e diverso na “Lenda da Serpente”? Ela não é só uma lenda, mas também apresenta marcas de um oráculo. Diferentemente dos mitos, ela não está predominantemente composta por uma explicação, justificação e, distintamente das lendas, sua narrativa maravilhosa, fantástica sobre uma situação não se remete ao passado, ao que já foi consumado. A “Lenda da Serpente” traz uma Previsão, vincula-se ao devir, o que é mais característico dos oráculos. 

Diz a Lenda (Previsão do oráculo): Que a Ilha irá submergir, afundar. Isso ocorrerá quando a cabeça da serpente encantada, que mora nos subterrâneos da ilha de Upaon- Açu,  encontrar com a ponta de sua calda. 

Esse encontro entre a cabeça e a calda pode ser interpretado como o fechamento, a totalização de um ciclo de domínio ou de uma força. Uma força ou ciclo que comprometeu toda a estrutura da ilha, pois reside sob seus pilares, em túneis subterrâneos que tiram da vista do público os seus movimentos e atos (o espaço público não vinga, não aflora, a institucionalidade Pública não ganha espaço).

Desta forma, a serpente está sempre operando por debaixo de tudo, comprometendo tudo e a todos. As pessoas estão sob seu jugo, cercadas e acuadas, sofrendo diante dos rompantes e idiossincrasias da víbora poderosa e letal.

Diante disso, o povo fica cada vez mais pobre e miserável. A serpente tem uma fome insaciável e tudo quer, não dispensa nada. Furiosa e vingativa, ela mutila ou aniquila os oponentes, os que não se conformam com a situação humilhante.  

O Espigão Costeiro da Ponta D'Areia, de estética duvidosa e também inútil para reverter o avanço do mar, veio para sinalizar, materialmente, o início do fim. Esse molhe é o rabo da serpente que aflorou para se encontrar com a cabeça. Isso é um sinal que o fim está próximo, pois nunca o rabo esteve tão perto da Cabeça da Serpente.

Eis o que tem de sublime nesse oráculo indígena (Tupi) conhecido como a “Lenda da Serpente Encantada”.

segunda-feira, outubro 31, 2011

31 DE OUT. O DIA D - DRUMMOND


A LÓGICA DA DESTRUIÇÃO


É difícil imaginar que pessoas podem se sentirem tão irresponsáveis ou tão alheias ao mundo, ao planeta e às formas de vida. Mas elas existem e são muitas.

Por que ter uma lógica tão destrutiva? Será que sendo um pouco mais moderado e sensível com a vida inviabiliza por total o lucro?

As plantações de soja e de eucalipto avançam na direção do município de Itapecuru. Já estão instaladas em grande escala em Chapadinha e Brejo. 

O Cerrado é literalmente dizimado no atual processo de plantio da soja e do eucalipto. Será que precisa desmatar tudo, destruir de forma sistemática e total a vegetação nativa? Não.

Essa devastação é desnecessária. Não é preciso. A soja e o eucalipto podem ser plantados mantendo, pelo menos, algumas faixas de vegetação nativa, mini-reservas, bancos de vida. Essas faixam atuariam como estoque dessas espécies (fauna e flora) e quando houver declínio dessas atividades as áreas possam ser recuperadas, em parte.

Será que o lucro cairia tanto se em 10 ha duas faixas da vegetação nativa fossem preservadas? Não. Faixas pequenas de 50 m de largura e na extensão do terreno não impedirão o retorno do investimento. Não. Isso não inviabilizaria o empreendimento. E seria um risco menor, pois é bastante factível um declínio dessa atividade por força das oscilações do mercado externo. 

O eucalipto já provou sua utilidade em diversos setores da indústria e da produção, porém, é um absurdo completo destruir a rica biodiversidade do cerrado para plantar eucalipto. Quantas riquezas e recursos podem estar sendo desperdiçados e aniquilados para sempre? Podem ser várias. Eucalipto só devia ser plantado em áreas já degradadas por mais de uma década.

Do outro lado, os empresários do setor (soja ou eucalipto) dizem que o cerrado é lindo, mas que a maior parte dessas áreas eram totalmente improdutivas ou com atividades de baixa escala produtiva. 

É preciso mais que um código, precisamos de ações governamentais e continuadas visando ordenar e melhorar as cadeias produtivas, implantando um programa continuado de sustentabilidade com o suporte de pesquisas.

O que é visível é que desse jeito é uma forma egoísta e predatória de produzir. 

sábado, outubro 29, 2011

LULA E 66 OUTRAS INTENÇÕES



Os 66 anos de Lula deixou visível que não era para apagar velas, mas para traçar a comida do bolo. Por quê?

Paira no ar um cheiro de descontentamento. Lula e seus principais parceiros de poder parecem descontentes com a porção de influência que estão tendo no Governo Dilma. Além do caso particular de Dirceu, que não se conforma com o banimento e quer voltar a cargo político com uma absolvição no Supremo Tribunal Federal sob as influências da mão invisível do Planalto.

Dilma, mesmo sem querer confrontar com os companheiros, vem construindo seu espaço e modo de gestão. Antes de tudo para não ser guilhotinada pela sua ampla base, que não mede escrúpulos para mantê-la como refém. Nesse ambiente é nítido o perigo que representa a vaidade de Dirceu por espaços.

Os parabéns a Lula foram com gosto de quero mais, se não é uma pré-candidatura para valer, pelo menos é uma pré-candidatura de aviso.

Fala-se em Belém (PA) que Lula quer ser senador em um dos dois novos estados (Tapajós e Carajás). Eis a razão da rapidez na criação desses dois novos estados. Quem duvida? Senador Sarney é pai dessa receita e atualmente uma das pessoas mais próximas de Lula!

Tudo indica que em meio a tantas felicidades há algo errado na liga do bolo. Dilma vem se resguardando com um diálogo menos agressivo com os tucanos e, por outro lado, Lula vem festejando e falando como candidato. 

Cá entre nós... Esse olhar não deixa dúvida que existem fortes saudades do poder presidencial.   

domingo, outubro 23, 2011

SUPER BOSS: O MARANHÃO QUE NÃO SE QUER VER, MAS QUE EXISTE




Você deve ter ouvindo, ao longo da vida, diversas definições, explicações, críticas e análises sobre a realidade maranhense. Talvez já esteja cansado dessa “história”, mas não desanime, encare mais essa e veja como nossa realidade é rica em detalhes interessantes. 


O texto a seguir é bastante fecundo para ampliação das nossas possibilidades explicativas e compreensivas sobre o Maranhão. Pode-se dizer que é um convite para uma boa imersão nas inúmeras facetas do nosso contexto atual. Veja a citação abaixo e faça uma reflexão sobre a nossa realidade.

Segundo Putnam, as associações civis contribuem para a eficácia e a estabilidade do governo democrático, não só por causa dos seus efeitos internos sobre o indivíduo como também pelos seus efeitos internos sobre o indivíduo como também pelos seus efeitos externos sobre a sociedade. No âmbito interno, as associações incutem em seus membros hábitos de cooperação, solidariedade, senso de responsabilidade comum para com empreendimentos coletivos, bem como espírito público. No âmbito externo, a articulação e agregação de interesses são intensificadas com uma densa rede de associações secundárias*.
“*É importante ressaltar que nem toda e qualquer associação secundária, dotada internamente de capital social, necessariamente contribui para o acúmulo de civismo do todo social, ou seja, para o desenvolvimento de capital social numa dada sociedade. Um exemplo disto é o caso da Máfia. A Máfia é uma organização associativa que vende a seus consumidores proteção contra a violência em troca de coberturas para violações da lei. Do ponto de vista interno, a Máfia em si mesma é uma espécie de holding familiar, dotada de  capital social, pois existem normas de reciprocidade, laços de confiança, fidelidade e redes entre as famílias. Do ponto de vista externo, a máfia é uma organização que preda as instituições públicas através das práticas de corrupção, aliciamento, coação física através de violência sobre servidores públicos e cidadãos, ou mesmo sobre concorrentes no mercado, para assegurar seu oligopólio.” (Antônio Sérgio Araújo Fernandes – A comunidade cívica em Walzer e Putnam).

quinta-feira, outubro 20, 2011

PT BEM DOTADO



No último dia sete (outubro) findou o prazo legal de filiação para pretensos candidatos nas eleições de 2012. A movimentação foi geral, siglas e siglas fazendo seus contratos de riscos ou não. As  filiações efetivadas, na realidade, mostram o quanto são demagógicas, hipócritas e anacrônicas as reivindicações de ser de partido de esquerda, de direita, comunista, socialista, socialdemocrata etc. São jargões, selos sem vida social. Esses dísticos são tão válidos quanto dizer que o “cozidão” não tem mistura e que não se realiza pela mistura dos diversos.


Enfim, o que dizem não tem nenhuma relação com a prática. Ideologias são tocadas como doutrinas; o recurso ideológico tem servido para legitimar práticas diversas, deixando ao léu, princípios e valores consagrados pelas tradições democráticas, liberais e republicanas, ou pelos  ideários de esquerda ou direita. Tão pouco respondem ao marcos civilizatórios que diferentes sociedades e comunidades políticas adotaram.  Ser e não ser é mera conveniência de conjuntura ou de prazeres outros. Mas sabemos que o mundo passa por transformações e a política está em eferverscência... 

Tudo que se possa dizer de ruim contra o PT vale, vale pelo direito de dizer e vale porque algumas coisas são prováveis. Porém, também válido contestar certos dizeres (certas afirmações "verdadeiras"). O PT virou caso psicanalítico para algumas pessoas que, quando  falam depreciativamente do PT, fazem uma transferência (atualização dos sentimentos e vínculos afetivos do passado), mas nitidamente já transformada em hostilidade. Ou, simplesmente, uma forma de descarrego, onde tentam aliviar o peso dos próprios crimes   incutindo ao PT todos os crimes (uma forma de se sentirem honestos e puros). O PT não é mais e nem menos que os outros, é só mais um dentre os partidos brasileiro que estão no governo. 


Porém, nenhum partido, até Lula chegar ao poder, foi mais ativo e colaborativo no processo de democratização e ampliação de direitos das minorias políticas em toda a história do Brasil contemporâneo. Isso lembra o jovem Marx e o Marx científico. O jovem prevaleceu por não ser “científico” e por ser desautorizado pelo Marx verdadeiro da maioridade. Traduzindo: o PT não é isento de responsabilidade pelos seus acertos no passado, mas também não se pode tirar dele os méritos do passado. O PT tem uma existência histórica para o bem ou para o mal. O devir está no campo das probabilidades... Não existe destino-histórico como coisa certa.

Por que o PT é cobrado? Porque tinha amplo reconhecimento de correção e de defender a moralidade na coisa pública, antes de ser governo. Ninguém vai fazer isso com o DEM e nem com o PSDB. Porque ambos já nasceram ligados a governos, sem ligações orgânicas com movimentos sociais de base. Isto é, ninguém esperava mesmo algo diferente desses partidos.

Outro ponto. Achar que todos no PT são movidos pelos mesmos princípios e que todos compartilham dos atos suspeitos e condenáveis que envolvem nomes do partido, é um completo equívoco. Todos do DEM e do PSDB são honestos ou desonestos? Essas generalizações não passam de falácias e irresponsabilidades.

Que seja dito mais uma vez, o PT não é mais nem menos que os outros partidos. Houve um desencantamento, é certo, não tem como negar, e hoje é um partido estritamente eleitoral, mas em igual situação aos outros partidos desse nosso complicado sistema eleitoral e partidário, nada mais que isso. Porém, é irresponsável ocultar os acertos enquanto Governo. Não foi perfeito, é certo. Mas tem ações boas com resultados.

Voltando ao dia 07 e olhando para o PT do Maranhão.


O PT (MA), igualzinho ao demais partidos, entrou na corrida de filiações para constituir candidaturas com "viabilidade eleitoral". Foram diversos esforços em prol de barganhas eleitorais; apostas em figuras de supostas votações robustas, o que é necessário para conquistar os postos políticos. Todo partido visa conseguir o maior número de cadeiras. Nada de excepcional.

O PT (MA) cresceu, ficou, pelos naipes das filiações, bem dotado, em comprimento e espessura. Pode-se dizer que virou um PT para maiores eleitoralmente. Ou para os maiorais, campeões no campo do voto e das pedradas eleitorais ("candidaturas competitivas ou viáveis eleitoralmente"). É isso, buscando competitividade, principalmente na capital, onde não tem conseguido eleger vereadores. Faz um bom tempo sem ter representação na Câmara Municipal. 

Mesmo que algumas filiações possam parecer destoantes, devassas às origens do partido, mas isso não é mais que atualizar o PT no quesito pluralismo (lógico que sem aquelas exigências todas de esquerda, socialismo etc). O PT se arreganhou para a diversidade social e ideológica (relativizando a ideia de ideologia para além de Marx). 


O Partido dos Trabalhadores simplesmente assumiu os demais trabalhadores (sem pressupostos), não está mais restrito a uma concepção de trabalhador-operário. É por isso que, para alguns, o PT vai entrar tinindo nas próximas eleições e  com tudo que tem direito: empresários da construção civil e do agronegócio, bancários, advogados, policiais, religiosos de todas as vertentes cristãs e não cristãs etc.   PT bombador, quicando de baixo até em cima. Diversidade total e irrestrita. 

É isso, vai ser um PT para maiores. Quem é nanico, com centímetros de votos abaixo dos bem dotados, não vai ter vez. Não vai sentir o gostoso das urnas!
É.. e vendo as medidas eleitorais, parece que estou 03 cm abaixo da marca eleitoral de aceitação.

 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...