domingo, janeiro 30, 2011

EDUCAÇÃO PADRÃO ISO

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 (parte I)
Admitindo que a educação não se efetiva fora de um campo de correlação de forças e nem de interesses, dado as múltiplas dimensões que inter-incidem sobre ela e a compõe, é possível ver o quanto é importante e difícil pensar essa questão.

Enquanto área específica, especializada da vida social e um elemento de interesse econômico, a educação vai assumir uma dinâmica processual nem sempre coerente, nem sempre pacífica, nem sempre funcional diante dessas duas dimensões.

A educação passou a ser utilizada de maneiras diversas, ora para atender exclusivamente a lucratividade e os rendimentos, ora para cumprir sua responsabilidade formativa, socializadora, recorrendo a valores maiores e universais (conforme a orientação doutrinária). Os empreendimentos privados, voltados para educação, são os exemplos mais cabais dessa dinâmica instável, desarmonizada, fluida e incerta, que tem como par o ensino e o lucro.
(parte II)
Nesses espaços de ensino privado, os alunos assumem simultaneamente a forma de discentes e clientes. Enquanto consumidores e estudantes fazem emergir um rol de motivações, objetivos e interesses difíceis de conciliar. Por exemplo, aprender e não fazer esforço. O conforto do cliente é muitas vezes incomodado pelos afazeres e exigências do aprendizado acadêmico.

Notamos, nos últimos anos, que o espaço do ensino tem sido convulsionado pela afirmação da supremacia do direito de consumidor sobre os deveres do discente, os privilégios de cliente sobre a autoridade do docente etc. (cada vez mais a vida acadêmica é jusdicializada, o aluno tem ou não nota sob mandado judicial).

Todas essas questões produzem problemas na ordem didática e profissional. Como desenvolver uma atividade pedagógica acadêmica respeitando e atendendo a esses diversos interesses e objetivos (do cliente, do patrão, dos operados da lei etc.)? Que recurso de aprendizagem contempla as exigências da formação do discente (competência, crescimento intelectual e profissionalização) sem contrariar o cliente (que paga por um produto, que não quer perder dinheiro, que não pode perder tempo)? Como ser profissional da educação mantendo sua dignidade, coerência e convicções morais sem perder o emprego? (originalmente publicada em 11/06/2007 - ethospolitico.zip.net).

A Educação infelizmente não recebeu, até agora, o investimento, a atenção e preocupação que merece. Ainda não acordando para seu valor total. 
*Foto de: Francisco Araujo

sábado, janeiro 29, 2011

CONVENIÊNCIA OPORTUNA.



O calendário político brasileiro é um exercício de irracionalidade e um dos principais alimentadores da corrupção eleitoral/administrativa. O calendário atual impõe ao eleitor eleições em dois em dois anos. Na prática, a mobilização eleitoral ocorre em um em um ano, pois o ano que antecede o pleito é todo comprometido na montagem da campanha.

A legislação eleitoral permite reeleição sem que o parlamentar e/ou chefe do executivo se afaste das suas funções, em pleno gozo das prerrogativas do cargo. Ora, isso empurra, em cadeia, os aparelhos de Estado para funções eleitorais/partidárias. Perde-se não só recursos, mas se põe em segundo plano o interesse público. Esse abuso atinge as três estâncias do poder político: local, estadual e nacional.

A administração pública tem sido corrompida, em grande medida, em prol de atividades eleitorais. O atual calendário não deixa os recursos públicos sem penhora eleitoral. 


A idéia de unificação das eleições, formando um só pleito em quatro em quatro anos. Eleições gerais já será um grande passo rumo a uma estruturação política mais transparente. 
(originalmente publicado em 25/05/2009 - ethospolitico.zip.net)

sexta-feira, janeiro 28, 2011

A REELEIÇÃO COMO IN-PRINCÍPIO


A política não pode ser concebida como uma coisa passível de ser acabada, pronta, terminada, concluída. Mas sempre como um processo de difíceis ajustes e negociações. Há sempre algo para ser feito diante das necessidades que vão sempre surgindo.
O Brasil tem suas particularidades políticas, produzidas por sua dinâmica e conteúdo cultural. O personalismo, o nepotismo e o patrimonialismo  são marcas arquetípicas da nossa vida política. Mesmo nesse longo período de democracia (23 anos) ainda persistem esses elementos. Visto que não surgiu nenhum elemento cultural novo, nem no âmbito estatal e nem da sociedade civil, que restringisse esses arquétipos  de forma mais acentuada. Boa parte disso deve ser creditada a nossa baixa densidade de cultura republicana. Nos últimos anos tivemos casos que, sem purismo, significou um reforço a esses arquétipos. Caso típico foi a reforma constitucional promovida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso instaurando a reeleição. Desde então tal medida tem agravado a irresponsabilidade com a coisa pública e a redução da máquina administrativa em comitê eleitoral permanente.
A reeleição é o que poderíamos chamar de um In-Princípio republicano e democrático. Esse dispositivo tem aprofundado o personalismo, provoca sérias distorções no processo administrativo, que passa a priorizar as ações de marketing eleitoral em detrimento das medidas necessárias e substantivas. Compromete as contas públicas e cria um clima de instabilidade política, pois provoca uma disputa oposição VS. governo meramente competitiva-eleitoral, impossibilitando negociações e discussões mais sóbrias e racionais sobre questões públicas, visando interesse público, resumindo tudo ao embate da disputa partidária/eleitoral. Tudo fica restrito ao espaço do passional e particular. Isso tem aprofundado também o caciquismo e o oligarquismo intra-partidário. É um forte reforço aos mandonismos locais, já que a reeleição alimenta os personalismos exacerbados, que se sobrepõem por demais ao coletivo organizacional partidário.
A reeleição é in-princípios democráticos tendo em vista que diminui a competitividade eleitoral, pois não temos mecanismos capazes de separar o governante do candidato e não como distinguir de forma eficaz a políticas públicas de ações eleitorais. A reeleição fere o princípio da alternância e protela a sucessão/substituição de uma geração por outra de forma mais espontânea, sem criar vazios e abortar potencialidades. Além disso, dificulta que fósseis-parlamentares fiquem ocupando cadeiras quando não gozarem mais de capacidade física e mental de acompanhar, desempenhar efetivamente tarefas pertinentes ao parlamento e ao executivo. Nada cada contra uma pessoa se eleger mais de uma vez, mas isso não deve ser de forma sucessiva e nem quando estiver ocupando o cargo de governante. Tudo isso se torna mais grave com o calendário eleitoral, que estabelece eleições de dois em dois anos.
Mandato de cinco anos, eleições gerais e em todos os níveis, e o fim da reeleição parece ser mais lógico. (Publicado originalmente - ethospolitico.zip.net 30/03/2008)


REELEIÇÃO 2,3 OU MAIS VEZES TEM A MESMA NÓDOA. QUEM É CONTRA A REELEIÇÃO POR 3 VEZES TEM O DEVER MORAL DE QUESTIONAR A DE UMA E A DE DUAS VEZES. 

quarta-feira, janeiro 26, 2011

DEPOIS DAS FARRAS TRIUNFANTES



Desde a década de 80 (do século XX) o mundo inteiro foi tomado por um festivo e triunfante alarde economicista. Num só instante a vida e a história estreitaram-se sobre uma única opção: o liberalismo, melhor precisando, o neoliberalismo.
As explicações pautadas no fundamento econômico dominou todas as pautas de discussões. Nesse debate figuram como personagens as vozes dos que eram a favor (os vencedores) e os contra (os vencidos). Mas ambos estavam de acordo sobre a supremacia da dimensão econômica. As desgraças e graças estavam sendo explicadas, pensadas e debatidas pautadas na idéia de que o econômico era a causa de tudo aquilo que afligia o mundo. Eis a nova ordem mundial: a realidade pensada e solucionada pela matriz econômica. CUJA DOUTRINA GUIA RECEBEU O NOME DE NEOLIBERALISMO.
Porém, no meio dessa festa liberal, O horror econômico, de Viviane Forrester, soou estranho pelas denúncias e pelo sucesso editorial. Outro detalhe: a autoria da obra não era de um economista etc., mas de uma jornalista. Poucos eram os contras o pensamento único e ningém conseguia atingir o grande público. Forrester conseguiu ser lida pelo grande público de forma ruidosa.
Por outro lado, perpetuava-se a ilusão de que o horror era só econômico. Jacques Généreux foi uma voz diferente, deu bastante atenção ao que explicitava Viviane, mas destacou um problema: o horror não podia ser pensado exclusivamente pelo econômico. Généreux destacou como questão fundamental o horror político.
Os anos se seguiram e os dois mandatos de Bush consolidaram esse horror. Na época Généreux fez uma pergunta simples: Por que, então, desviamos os olhos de escolhas das quais participamos, consciente ou inconscientemente, enquanto cidadãos, enquanto eleitores?
A última reunião do G-20 (em Lodres) marcou a ressaca do liberalismo triunfante. Essa reunião se constituiu no elemento factual para ilustrar que o horror do mundo atual é por demais político. Sem a política potencializada, sem consensos políticos não haverá possibilidade real de promoção, de garantia  mínima de sobrevivência aos cidadãos do mundo. Os esforços devem ir da produção de riquezas às condições de sobrevivência orgânica no planeta. Somente através da política a vida será garantida planetariamente.
(Publicado originalmente em 14/04/2009 - ethospolitico.zip.net) 

terça-feira, janeiro 25, 2011

COLUNA VERTEBRAL, BURACOS E BIELETAS: AGORA VAI!

Parece uma coisa normal ruas e avenidas permanecerem esburacadas durante cinco meses, sem asfalto e destruídas. Ninguém fica indignado e as chuvas parecem ser uma justificativa máxima e incontestável. 

Será que os buracos das ruas e avenidas de São Luís são decorrentes só das chuvas? Por que não há empenho na Câmara Municipal e na Assembléia Legislativa diante de tal fato? Por que tão pouca atenção tem recebido esse problema na mídia local?

Os buracos dão prejuízos não só pelos danos causados nas suspensões dos veículos, mas também pelos danos à saúde.

Os buracos são tantos e tão grandes que as bieletas e amortecedores acabam não absorvendo suficientemente o impacto da queda dos veículos e toda essa carga excedente é lançada contra a coluna vertebral. Isso provoca dores, desconforto e aumento da fadiga (stress) dos condutores de veículos.

As bieletas e os amortecedores podem ser trocados, mas a coluna vertebral não. As sessões terapêuticas para a coluna são demoradas, os resultados não são imediatos e um preço alto. Na verdade, a coluna vertebral nunca mais fica boa.

Somente numa situação de paralisia ou de autodestruição coletiva explica tamanha cumplicidade, tamanha apatia e silêncio... Quando o desconforto e o precário atingem o patamar de veneração, abre-se a exigência de pensar os nossos reais valores atuais.

A polis na Antiguidade era sinônimo da vida humanizada. Pois era através polis que o indivíduo atingia o desenvolvimento de suas potencialidades humanas.   

(originalmente publicado em 30/05/2009 - ethospolitico.zip.net)

É... o tempo passou e parece que tudo continua igual, mas isso não é verdade, nós mudamos para pior!

domingo, janeiro 23, 2011

MOEDA DE VIDRO: A POLÍTICA DO MARANHÃO



Blefes, fingimentos e rompantes. O mar sem fim do jogo político maranhense está repleto de marolas.

O Maranhão é o estado federativo recordista em índices negativos de desenvolvimento e qualidade de vida, mas sobra no que tange as astúcias na disputa do poder político. Tornou-se, com todos os méritos, o estado pioneiro na transição do formato de mando cru, incorporado pelos Dons e pelos coronéis, para o mandonismo pós-moderno, esse, pautado e articulado na institucionalidade político-jurídico. Nada fora lei! 

Isto é, o próprio mandonismo e patrimonialismo encarnados no corpo da própria lei. Uma lei a serviço de poucos, porque não consegue se universalizar, exceto como cota ilustrativa, a fim de barganhar algum grau de legitimidade.

Tudo é soldado, anexado ou expelido em conformidade com os interesses dos que compões a teia que alimenta e sustenta o mandonismo. Na verdade, uma rede de composição complexa, mas muito prática e objetiva. Sendo capaz de multiplicar criaturas "singulares" para ilustrar uma pluralidade fictícia e de dissenso. 

No fundo, são as faces de uma mesma moeda: o mandonismo "político". Moeda feita de vidro transparente, onde a face e a coroa acabam soprepostas, independente do lado de onde é vista. De qualquer ponto de vista a imagem da face estará ligada à coroa. É a mesmice ao quadrado.

Nenhuma mudança será possível no Maranhão de forma mágica e/ou pautada em ações isoladas, como se a história fosse produzida por atos de um homem só. Na amplidão da totalidade... existem diversas variáveis que necessitam ser pensadas e levadas em consideração.

O Maranhão ainda é composto por uma população muito pobre e com baixo acesso à informação e formação formal. Também é um lugar onde cinema, teatro, bibliotecas são coisas raras e só para alguns.

Por outro lado, o controle brutal dos meios de comunicação de massa, restrita a poucos proprietários, faz com que os diversos veículos de comunicação só existam em poucos municípios. Isso tem impedido que a grande maioria da população conheça opiniões e versões diferenciadas sobre os assuntos públicos. É quase inexistente a participação direta da opinião popular nesses meios. Toda a programação vive sob o julgo da censura patronal.

Soma-se a esses fatores a existência pouco numerosa de classes médias intelectualizadas. Além disso, elas não conseguem estabelecer um diálogo acerca das opções políticas sobre o controle do poder. Falta também a diversos segmentos sociais médios recursos para participarem mais livremente do processo eleitoral. Essa situação fica agravada pela  inexistência de mobilizações sociais visando garantir a existência efetiva de participação com poder (voto livre e que vale), enfrentando e minimizando a vulnerabilidade das eleições diante dos arrastões da corrupção eleitoral.

Destacamos também a falta de uma economia mais dinâmica e capaz de  proporcionar sustentabilidade financeira para os cidadãos, livrando-os eleitoralmente do favor "financeiro" e da condição de clientela eleitoral. Tirando os órgãos estatais, em cada município, da condição de maiores ou únicos empregadores. Minimizando a servidão eleitoral imposta pelos cargos de confiança, as contratações eleitoreiras etc.

Será difícil um projeto de alternância e renovação política vingar sem que os acontecimentos "políticos" do Maranhão estejam sincronizados e integrados aos interesses das diversas forças que atuam no plano nacional. Faz-se necessário tirar o Maranhão da condição de "uma questão menor" ou "coisa local".

Enfim, qualquer mudança política para ter êxito aqui necessita de uma convergência de  fatores  que estabeleça um processo de alteração de atitudes, mentalidades e qualidade de vida. Infelizmente tudo que aí está é reprodução das velhas fórmulas, oportunismo barato e adesões de mera conveniência pessoal.

Mais fluidas e desfiguradas não podiam estar nossas faces. Moral da história: "Nada é tão ruim que não possa piorar" !

(publicado originalmente em 22/04/2009 - ethospolitico.zip.net)

sábado, janeiro 22, 2011

ASPARTAME: ENTRE A HISTERIA E OS FATOS



Tem circulado na internet um e-mail denunciando os males do aspartame para a saúde. Entre os problemas provocados por esse adoçante está sua capacidade de potencializar o desenvolvimento de câncer e o lúpus sistêmico. Há exageros e alguns e-mails incorporaram conteúdos sem referência confiável ou de base científica. 


No entanto, a informação tem, na sua origem, uma base científica e foi desenvolvida pela Fundação Européia Ramazzini, na Itália. Em 2005 a Ramazzini realizou uma pesquisa utilizando 1.900 ratos, nos quais foram ministradas doses com apenas 40% da quantidade de consumo diário considerado tolerável pela FDA (agência de medicamentos e alimentos norte-americana),equivalente a 50 miligrama por quilograma do peso do corpo. Os resultados mostraram alterações no desenvolvimento de cancros nos ratos, principalmente no grupo de ratos que recebeu doses mais elevadas de aspartame.


A preocupação aumentou porque esse elemento está hoje presente em mais de 6 mil produtos alimentícios no mundo inteiro. Além disso, a pesquisa envolveu um número de experimento bem acima de todas as pesquisas até agora realizadas.

Enfim, há indícios sérios que o aspartame tem potencial de produzir cancros, mas a vasta lista de doenças apresentadas por alguns e-mails  na internet não foi produzida pela FDA .

Porém, no Brasil, o uso do aspartame precisa ser  avaliado urgentemente, pois em nenhum produto vendido atualmente no país há referência a quantidade de consumo tolerável diariamente.

Basta observar o exemplo de quem passa o dia tomando cafezinho adoçado com adoçantes à base de aspartame. A nossa querida e bela coca-cola zero contém, na embalagem de 2,5 litros, 12 mg de aspartame. Qual a dose máxima diária recomendável? 

As crianças, que possuem peso corporal menor que os adultos, elas se tornam mais sensíveis aos efeitos das doses diárias  de aspartame. Uma criança, que bebe coca-cola a semana inteira, iogurte e tantos outros alimentos contendo aspartame, tem grande probabilidade de sofrer algum tipo de câncer.


Na Câmara e no  Senado, onde habitam os incomuns, não se tem tempo para pensar essas coisas sobre a vida dos comuns. Então... aspartame aos pobres!!!! 
(publicado originalmente 20/06/2009 - ethospolitico.zip.net)

 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...