sábado, maio 21, 2011

ESTADO, LEIS, HERMENÊUTICA FUXCIANA, POLIGAMIA, LIBERDADE E AMOR.

Por hermenêutica fuxciana entendemos toda e qualquer hermenêutica que representa visão limitada, sem caráter crítico, sem dimensão reflexiva, sem percepção de conjunto/sistêmica e que estabelece a realidade jurídica como uma realidade desvinculada da história, da dinâmica social, das configurações culturais e políticas. No entanto, ressalta-se, que tal desvinculação não é ato de ignorância, mas postura reacionária anti-republicana e antidemocrática, remetendo o fazer jurídico ao descrédito social. Cujo estilo é uma erudição fanfarrona reacionária.

O que será exposto não é fruto de uma visão positivista ingênua do Estado e do Ordenamento Jurídico. Portanto, a falta de congruência e coerência aqui criticada não é fruto de uma visão que pensa o ordenamento jurídico como totalmente sem contradições, sem lacunas, o que vai sempre existir diante do caráter dinâmico da sociedade e da impossibilidade de qualquer marco regulatório cobrir todas as necessidades da vida social. Ao contrário disso, trata-se de uma visão que reconhece as contradições, os consensos e paradoxos como inerentes ao fenômeno social como um todo, assim como as implicações disso sobre a sociedade política e seus diversos órgãos. Por outro lado, trata-se de uma visão que reivindica o respeito às diferenças (não às desigualdades) e à pluralidade como componente da vida societal, mas de forma comprometida com princípios cruciais para a existência da vida democrática, a exemplo da Isonomia.

As últimas sessões do STF nos dão um bom material para analisar a composição do Estado brasileiro que, através de múltiplas reformas parciais e circunstâncias, presas às contingências dos casuísmos corporativos, ganha uma deformação preocupante. Pois está desfigurado, carente de mínima coerência interna e de funcionalidade eficaz. Pode-se, em particular, destacar o ordenamento jurídico (entendido enquanto sistema e ordem jurídica, mas sem assumir integralmente a visão de Bobbio) para sinalizar esse problema.

As últimas decisões tomadas no STF tratavam de temas que, originariamente, deveriam ter recebido uma forma legislativa pelos parlamentares. Há tempos o judiciário vem legislando a passos largos e assumindo a condição de lócus suprema da vontade política. Isso já é por demais questionáveis, pois a idéia mesma de estado de direito não remete a tal coisa. Porém, o que tem ferido mais a necessidade de uma configuração estatal de valores congruentes são as sucessivas decisões, em que pese a produção do direito a partir da jurisprudência, esse exercício tem produzido muito mais uma razão do ser do que uma razão de ser. Tamanha a força que as questões isoladamente ganham força, sem uma comunicação direta com todos os outros requisitos postos pelo regime democrático e que não estão restritos aos códigos e demais diplomas jurídicos, mas que compõe legitimamente a ordem social global que sustenta a sociedade política, que dá vida ao próprio ordenamento jurídico.

Tomando-se os efeitos desses atos ao campo endógeno. Algumas decisões do STF não são sucedidas de reavaliação da validade e da congruência de algumas normas já existentes, ficando o problema a mercê de iniciativas isoladas de questionar a constitucionalidade e/ou legalidade de certas normas. Nota-se não só uma lacuna procedimentos que atente para o ordenamento e suas ligações necessárias e constituintes com o tipo de Estado como também a produção de anacronismos legais que vigoram.

Para exemplificar melhor a questão a Família será tomada como referência. Quando o STF definiu a procedência da adoção por casais do mesmo sexo, quando reconheceu a validade da união civil de pessoas do mesmo sexo, retirou o sexo como referência única para reconhecer um casal a partir do momento que aceitou a noção de gênero como elemento de identificação e classificação. Com isso foi rompida uma única forma de ser casal como legal e o que era legítimo também passou a ser legal. Não cabe, dessa ótica, pensar em casais pela via do normal e anormal, puro e impuro.

Em consonância que esse novo marco, pode-se dizer que a família também é concebida para além do marco tradicional de pais e filhos e, mais especificamente, sobre a forma: pai (esposo, homem), mãe (esposa, mulher) e filhos (meninas e meninos), portanto, a forma MONOGÂMICA persiste como um elemento anacrônico no interior da própria ordem jurídica. Qual seria o fundamento laico e civil, diante do quadro geral dos marcos regulatórios atuais, para mantermos como legal só as uniões monogâmicas? Por que e em que medita é legítimo criminalizar as uniões POLIGÂMICAS? Quem pratica a POLIGAMIA É IMPURO, É ANORMAL? Poligamia não é sinônimo de promiscuidade. Em nome da isonomia, da diversidade e da capacidade auto-regulatória dos indivíduos a poligamia tem que ser admitida como uma possibilidade de união marital e familiar. Por que não a Poligamia? Qual seria o prejuízo? Nenhum! A prole está protegida por diversas leis. Não existe mais o filho ilegítimo e todos os filhos possuem direitos iguais. Existe e funciona muito bem a pensão alimentícia. A lei do concubinato garante direitos às uniões estáveis etc. Não é um direito das pessoas terem uma ou várias esposas?, ter um ou vários maridos? Se há consenso entre eles, não existe motivo para criminalizar. A poligamia não pode ser mais criminalizada diante de tais decisões jurídicas.

Sociedade que todas as relações ficam tuteladas e regradas pelo Estado está mais vulnerável ao totalitarismo. O Estado é uma e não a única instituição social. A família é instituição igualmente fundamental para a vida social e não pode perder sua capacidade auto-reguladora e sua autonomia, pois isso fere a própria autonomia do indivíduo e sua proteção contra das formas estatizadas de poder. É nítido que a liberdade corre riscos. A marca política da Antiguidade Clássica é que vida privada e coisa pública merecem tratamentos diferenciados.

É motivo de preocupação se essas medidas estatais representarem uma tendência de controle sobre a afetividade, minando o espaço da vida privada. Quando o Estado entra muito na vida afetiva dos indivíduos a liberdade está morrendo e os sentimentos entregues ao horror. Principalmente em um tempo em que o Estado tende a flexibilizar as relações de trabalho e econômicas e incentiva a livre negociação. Será que cabe ao Estado dizer sobre o Amor?

quinta-feira, maio 19, 2011

SENHOR, TENDE PIEDADE DE NÓS...


Foto: Francisco Araujo. Banho no esgoto.


Acredito na misericórdia infinita do Criador e Arquiteto do Universo. Só a fé pode romper com o cerramento imposto por essa mentalidade fria e perversa que impera entre nós.

Como uma pessoa pode ser tão insensível e irresponsável diante da dor alheia? Mesmo acreditando que a misericórdia de Deus é infinita, não consigo ver isso como algo que sirva para premiar os maus, os sórdidos e perversos.

Deus não aconselha a maldade e o desprezo pelo próximo.

"O perdão de Deus não é uma declaração, mas um acontecimento em nós que nos recria. O pecado é uma espiral de Descriação; O PERDÃO DE DEUS É UMA DINÂMICA DE RECRIAÇÃO em nós por parte de Deus. "

Hoje, 17 de maio, por volta das 15h30min, presenciei uma cena deplorável e questionadora ao mesmo tempo.

Pois bem, estava passando na Av. São Sebastião, no Anil, próxima à confluência dessa avenida com a estrada de São José de Ribamar, quando ouvi alguns gritos e vi alguns garotos no córrego embaixo da ponte. Parei o carro, logo depois da ponte, voltei até o local. Repasso o que constatei:

Várias crianças estavam tomando banho na água de esgoto! Perguntei que rio era aquele. Todos, sem exceção, responderam: “Rio Anil”. Pois é, esse é o lazer de crianças nos bairros de São Luís. Literalmente: banhar no esgoto! Um dos garotos me disse: “Tem esgoto”!

Você acredita que esse Maranhão é o estado da federação com maior potencialidade para se desenvolver? “O Maranhão é a bola da vez”! Bola da vez para quê? Para quem é benéfico esse desenvolvimento, esse Maranhão “rico” e cheio de “potencialidades” que aparece na televisão?
Foto: Francisco Araujo. Detalhe do banho.

No melhor governo da vida deles, o lazer de crianças pobres é banhar no esgoto!

Esse é o Maranhão real que não aparece nas peças publicitária do governo do Maranhão.















quinta-feira, maio 05, 2011

BIN LADEN, IRAQUE, ESTADOS UNIDOS E O TEATRO DE ASSASSINATOS


O que Bin Laden nos trouxe? Nada. Bin Laden foi trazido, foi vomitado pela falência e diluição de cânones da modernidade:  a racionalidade política, previsibilidade e controle.

O primeiro derrame, individualizado na pessoa de Bin Laden, foi o terror como forma sistemática de reação e manifestação de interesses de coletividades. O terrorismo, particularmente efetuado pelo homem bomba, desconstrói as linhas do humanismo moderno. Não só isso, as guerras se tornaram sem-fim, onde a ideia de vitória ficou intangível. Mesmo quando uma das partes tem superioridade bélica, o conflito não termina.

Essa guerra sem-fim é uma guerra que não representa uma saída da política com um retorno calculado a partir de objetivo. Ela simplesmente não tem objetivo político que sustente um retorno positivo à política. É a guerra que não possibilita nenhuma ilusão de sentido. A guerra do Iraque foi uma guerra para quê? Qual o objetivo? Que retorno político? Sintomática a conclusão de Shannon P. Meehan, capitão reformado do exército americano, veterano da Guerra do Iraque: “Meu maior ‘sucesso’ na vida será lembrado como um erro.”

A morte de Bin Laden é a institucionalização do terror, na forma de justiça de sangue via assassinato. Ao matar Bin Laden os USA perpetuaram a doutrina na qual o próprio Bin Laden se afirmava e se justificava. Tudo foi nivelado por baixo, pela brutalidade, onde não cabe rendição nem clemência. Quem venceu? Venceram os que comemoravam a morte de Bin Laden? Venceram os fãs dos atentados promovidos por Bin Laden? No fundo, esses lados convergem para um ponto: a violência.

Bin Laden está mais do que nunca eternizado como personagem da cultura americana, com amplo espaço no roteiro do teatro de assassinatos americanos. Não se pode mais falar dos USA sem Bin Laden.

As fotos e imagens divulgadas até agora sobre o local da morte de Bin Laden apontam para um cenário teatral, onde vidas foram eliminadas em nome de realismo, ou construção de uma “verdade” do Estado americano. Não há sinais claros de resistência e trocas de tiros. O corpo do principal personagem não é mostrado. Por que não é mostrado? Propomos duas hipóteses: 1) Mais do que evitar chocar as pessoas, os americanos querem evitar o ofuscamento de seu heroísmo. Talvez estejam simplesmente tentando ocultar que mataram um moribundo, um inimigo que já estava em situação precária de saúde e debilitado; 2) Bin Laden já estava morto e esse teatro (de horror) serviu a dois propósitos: alavancar a campanha de Obama e justificar a saída das tropas americanas do Afeganistão.

1-Curiosidades: Imagens do quarto revelam enorme quantidade de vidros de remédios em uma prateleira; a segurança de Bin Laden com um número reduzido e baixo armamento; pouca resistência (tinha colaboradores infiltrados na casa?); aproximação dos helicópteros não percebida; Bin Laden após a chegada dos americanos ainda estava desarmado.

2-Curiosidades: No período Bush, aparecia gravações de Bin Laden fazendo ameaças sempre que a popularidade do presidente caía. Bush se reelegeu sustentado pelo pavor. 
Não duvidamos da morte de Bin Laden. A primeira versão de morte de Bin Laden data sua morte em dezembro de 2001 e outra agosto de 2006. Essa primeira data foi publicada pelo Pakistán Observer, onde um líder talibã afirma que Bin Laden, sob ataques americanos, não pode fazer diálise diariamente e teria morrido quando fugia de Tora Bora.

Segundo o Pravda (04/05/2011 – mundo):

El último video de Ben Laden, considerado auténtico por los expertos, es de 26 de diciembre 2001 y fue grabado semanas antes. En él, aparece el jeque en pésimo estado físico: muy pálido, muy delgado y con el brazo izquierdo (era zurdo) inmóvil.
Después de esa aparición, Osama vuelve a aparecer durante años. El vídeo en el que sale caminando en las montañas con Al Zawahiri (emitido en 2003) también se remonta probablemente a 2001 y las dos siguientes filmaciones (una de 2004 y otra de 2007) se consideraron falsas. Por lo demás, sólo hubo mensajes audio de dudosa fiabilidad.
En abril de 2002 Steve R. Pieczenik, antiguo vice de los Secretarios de Estado Henry Kissinger, Cyrus Vance y James Baker, un personaje que había trabajado con Ben Laden en Afganistán contra los soviéticos en los años 80, respondió al popular locutor de radio Alex Jones que Osama "llevaba meses muerto".
En julio de 2002, el jefe del FBI de la lucha antiterrorista, Dale Watson, declaró: ''Creo que Osama bin Laden ya no está con nosotros, aunque no tengo pruebas para decirlo''.
Unos meses más tarde, en octubre de 2002, le tocó el turno al presidente afgano, Hamid Karzai:'''Hace mucho que no tenemos noticia de él: es probable que esté muerto".
En esos mismos días, la muerte de Ben Laden de diciembre de 2001 también fue acreditada por las fuentes de inteligencia israeli.
Sin embargo, según los servicios secretos saudies, Osama sobrevivió, al parecer, hasta el 23 de agosto de 2006: día en que el  jeque del terror falleció presuntamente en Pakistán debido a una parálisis de los órganos internos causados ​​por la fiebre tifoidea. La información, recogida por el servicio secreto francés, fue difundida en septiembre de 2006.
El ex agente de la CIA Robert Bear, autor del libro que inspiró la película Syriana, columnista de inteligencia para Time, Washington Post y Wall Street Journal, declaró sin titubeos en una entrevista a laNational Public Radio estadounidense: "Por supuesto Ben Laden está muerto ".
'''No creo que él todavía esté vivo", dijo a NBC News en 2009 al presidente de Pakistán, Asif Ali Zardari. ''Tengo esta fuerte sensación y razones para creerlo después de haber hablado con la inteligencia estadounidense''.
Consideramos que a existência física de Bin Laden foi minada há tempos. Portanto, a dúvida é a data verdadeira. Enfim, o que faltava era retirar o personagem do palco para que a peça pudesse seguir sua sequência. É o teatro americano.
Em que pese as eufóricas comemorações americanas, mas é o terror que está vencendo até agora. Infelizmente todos estão caindo na vala do terror.

terça-feira, maio 03, 2011

O NOVO. DE NOVO?

Uma banda petista assumiu a fixação oligárquica de fantasiar o velho com máscara de novo. É plausível, sem forçar muito, enquadrar como parapráxis  de contestação da sua própria condição de permanência, de velho, de arcaico. Para celebrar o “novo” dessa banda... Fragmentos da poética do poeta-senador Sarney...

- Fragmentos do poema Carta do Anti-Santo José aos seus tristes:

“EU, de nome José,
rasguei os olhos da vida
em cinza manhã de abril.
Chorei e o campo chovia
onde a cidade pedia
tempos, clemência e amor.”

- Fragmentos do poema Os marimbondos de fogo:

(II)
“VELHO horizonte parado,
de tatuagens e cores.
(VII)
“POR ódio de que eu quis
matar a tudo matei.
(VIII)
ESTAMOS agora aqui
e não-eu e tua névoa
pois nossa ambição perdeu-se
dentro de nós e do mundo
(X)
EU barro do Maranhão,
chapadas de Urucuruna,
homem e pássaro onde fui
aventureiro de sonhos,
de gente apascentador
e de indomáveis rebanhos."

quinta-feira, abril 28, 2011

A MORTE MAIS BARATA


 TEXTO RETIRADO DO SITE:  www.infa.org.br 
Morte mais barata



                              Helio Amorim
                                Membro do MFC

"O oxi custa menos que o crack que era até agora o mais barato e mortífero veneno. Chegou dos Andes pelo Acre, se espalhou pela Amazônia e já chega ao nordeste e sudeste. Estávamos preocupados com a destruição da flora e fauna do norte verde e não percebíamos a fauna humana sendo dizimada por essa praga branca.
Crianças desde cinco anos e adolescentes perambulam pelas ruas de Rio Branco, olhar perdido, agitados ou prostrados nas calçadas.
O efeito da droga dura poucos minutos. Segue-se uma ânsia incontrolável por uma nova dose de 5 reais. O dinheiro acaba. A solução são pequenos furtos nas ruas e em casa, o tráfico da droga e a triste prostituição infantojuvenil.
Os relatos são assustadores. Meninas de idades entre 8 e 14 anos cercam caminhoneiros na rodovia BR-317 e oferecem programas de 2 a 5 reais para comprar o oxi. Também senhoras idosas viciadas disputam esse mercado.

No Maranhão, a pesquisadora Selma Marques lamenta: “Antes era maconha e cocaína. Éramos felizes e não sabíamos. Por serem de fácil acesso e baratos, crack e oxi ganharam espaço”. Os traficantes no início dão a droga de graça para a criança. A dependência é imediata. Logo começam a cobrar por serviços e finalmente em dinheiro. O governador daquele estado afirma que “de cada dez homicídios, oito são provocados pelas drogas”. No Piauí surge um derivado perverso, a brita, mistura de crack, cimento e ácido.

Pelo preço elevado da cocaína pura, esses produtos também são disseminados nas classes médias, entre adolescentes que já gastaram a sua mesada e precisam de droga barata. É o começo do fim. Retorno quase impossível. A morte pode chegar em poucos anos de vida sofrida e miserável.

Há organismos de governos e outros não-governamentais atuando nessa batalha mortal. Mas a praga se espalha com rapidez incontrolável. O baixo preço dessas drogas exige novas estratégias de guerra.

Governos de países vizinhos que produzem cocaína, base necessária dessas novas armas destruidoras, devem ser interpelados para intervir na cultura e nesse comércio de fronteiras. É mais lógico e factível intervir nas linhas de produção do que fechar hermeticamente as extensas fronteiras terrestres de regiões de baixa densidade demográfica. Acordos internacionais para conter o tráfico devem ser feitos com o mesmo empenho adotado no planeta contra a proliferação de armas nucleares.

Uma ação interna coordenada em todos os níveis de governo e forte envolvimento de organizações sociais deve ser intensificada como prioridade nacional, antes que essa tsunami silenciosa envenene a parte mais frágil da população, os pobres e as crianças, até então protegida pelo preço caro das drogas.

No cenário histórico do mundo das drogas tradicionais, os resultados mais contundentes da repressão policial têm sido financeiros, com poucas prisões. As apreensões desses produtos mortíferos dão prejuízos monumentais aos traficantes que vivem tranquilos em suas mansões luxuosas. Nem sabem onde estão as favelas e pontos de venda em que atuam os seus revendedores, chamados “pés-de-chinelo”. Suas contas bancárias são apenas arranhadas por esses dissabores eventuais.

Suspeitamos que são conhecidos em delegacias policiais que também conhecem seus endereços com vista para o mar. Bandidos costumam ser generosos com quem respeita a sua merecida privacidade.

Mas esse quadro não pode continuar. A guerra contra as drogas tem que ser municiada com tanto fervor como o do combate ao desmatamento da floresta que se tornou porta de entrada da nova praga barata."

Quando as notícias acentuam as idades das vítimas principais da droga, logo recordamos outra tragédia, esta em escola, em Realengo, na cidade grande, que comoveu o país e reverberou mundo afora. Um psicopata de evidente comportamento estranho frequentou a escola durante anos, sofreu bullying, foi humilhado com frequência cruel pelos colegas adolescentes, acumulou mágoas em suamente enferma e ninguém percebeu que uma bomba estava sendo armada. Poderia ter sido desarmada a tempo. Doze crianças e adolescentes estariam vivos. Explodiu, doze morreram. Jamais esqueceremos.




sexta-feira, abril 22, 2011

ESCULTURA DE DIGNIDADE: DA HORA



Há monumentos que não podemos ver, nem tocar... São esculturas morais. Arte de postura digna.
É certo que dignidade é uma coisa relativa e que moral depende do contexto... Mudando o contexto..as particularidades arranjam outros referências de dignidade e valorativos. 
Seria sandice apontar a imoralidade ou a-moralidade alguém totalmente fora do universo de onde se originou e firmou os parâmetros de moralidade de tal julgamento. Mas isso não é o caso, no momento. Posso dizer, sim,  que é uma obra prima o gosto pela vida e a dignidade no viver de Abelardo da Hora.
Comunista sem grife, convicto da responsabilidade em combater a miséria e desigualdades sociais, simples e despojado. O único sobrevivente da direção do diretório regional de Pernambuco (antigo Pczão). Dedicado e amante. Amante do seu ofício, da beleza das mulheres e da sua esposa.
Foi comunista quando era um risco de morte. Foi preso enésimas vezes. Perdeu ou passou a ignorar a quantidade de prisões que sofreu. É fato, continuou livre. É um monumento artístico a trajetória de vida de Abelardo da Hora; pernambucano, escultor, ceramista, desenhista etc., e um cidadão de mais de 80 anos de vitalidade, em plena atividade no seu atelier nos fundos do seu quintal. 

Perguntado se ensinou Francisco Brennand a trabalhar com cerâmica, apenas disse: “Ele é uma pessoa muito boa.” 
Enfim, comunista com alma livre e humanista de verdade foram poucos, peças raras na história. Uma dessas raridades está em Recife. Viva da Hora!!!
(ORIGINALMENTE PUBLICADO - 04/06/2007).
Tive a honra de ser recebido por Abelardo em sua própria residência e entre dezenas de esculturas. Conversamos por 40 minutos. Tratamos de política, arte e da vida. 

 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...