domingo, julho 19, 2015

Intelectuais do Brasil descobriram que existe um Brasil real

Assustadoramente durante mais de 12 anos a intelectualidade brasileira, salvo honrosas exceções, como Francisco de Oliveira, ficou omissa, acovardada ou com seu intelecto alugado à facção política no poder. Nenhum quis enxergar ou tentou minimamente questionar o óbvio, p. ex.: como foi a tal saída de milhões brasileiros da pobreza? Quem e por qual critério criou a classe "média" C? Que números eram esses apresentados e qual a viabilidade e sucesso de programas sociais que cujos os inscritos aumentava a cada eleição? Ninguém questionava o tal sucesso e conquistas de Lula. Omissão absurda. 

Nesse segundo governo de Dilma, a maior máscara de marketing de todos os tempos, o povo votou em uma mentira, quem falava quem dizia tudo era um marqueteiro. A campanha do PT não tinha política não tinha político, tinha uma peça publicitária e um marqueteiro. No mais.. foram os apoios costurados sobre a nossa esquisita engrenagem de repasses de recursos, emendas parlamentares etc. 

A intelectualidade calada. Calada mesmo quando tudo já era irremediavelmente clara a subida dos preços, os gastos absurdos e não-transparentes com a Copa e, mais bizarro, a tal base de apoio de governo (ampla e absurdamente heterogênea). Sobre essa base de apoio as explicações foram das mais variadas possíveis, desde a já batida e não comprovada "presidencialismo de coalizão" ao gigantismo do PMDB. Ninguém ousou dizer que o problema não está no Presidencialismo e seu desenho institucional. A constituição coloca na competência do Legislativo bastante poder. O que estava atrás dessa ampla base é uma absurda máquina de pilhagem do Estado e a velha alma autoritária, que não quer negociar, trabalhar com consenso progressivo, cooperação etc. Os governos pós-abertura, em plena democracia, nunca quiseram negociar e reconhecer a importância da oposição na condução política do país. Nenhuma governo quer ou se dispões a negociar sobre projetos etc. 

Aí vem novamente a pergunta: cadê a intelectualidade brasileira? Agora só que aparece com dedos. Só agora algumas entidades fazem nota, mas para reclamar sobre corte de verbas para a pós-graduação. Isto é, notas extremamente corporativistas e nada mais. No mais apareceram alguns intelectuais brasileiros, mas que não vivem no Brasil, para afirmarem absurdos sem nenhuma correspondência com a realidade atual do país, sem apresentar nenhum dado que sustente tais afirmações. Afirmação que o avanço do conservadorismo no Brasil é sem paralelo no mundo não merece a menor credibilidade. 

Primeiro, no Brasil o conservadorismo não avança, apenas voltou a se manifestar de forma mais aberta, pois estava silenciado desde a redemocratização. O conservadorismo mais atuante é tradicionalista, não é reacionário. Não existe organização em torno do ideário nazistas ou fascista como existe na Europa. Quando o Brasil teve a maioria de sua população apoiando o ideário socialista, marxista etc. ? Nunca teve. Segundo, crítica não é golpismo, oposição não é ser conservador. Pelo contrário, é vida democrática no seu contraditório. Absurdo é todo uma intelectualidade querer justificar todos esses crimes contra a república e a democracia como o argumento de um suposto golpe de direita. Ora, quem compõe o governo do PT desde o primeiro mandato de Lula? Exatamente os antigos aliados da ditadura, a direita mandonista, nepotista, patrimonialista, familista etc. Se algum risco foi criado pelo próprio PT e seus governos. Foram eles que alimentaram e deram espaço para esses setores, o golpismo não está nas vozes que criticam e fazem oposição nas redes sociais e nas ruas. 

A Dilma não sai porque ela é útil ao PMDB e demais partidos nanicos que estão lucrando nesse apoio. O PMDB não assume porque não assumindo não responde diretamente pela crise econômica e pela pilhagem do Estado. Dilma é uma presa fácil, disse isso desde a primeira eleição dela. Mais fácil ser mantida como refém desses senhores que lotearam o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Mantê-la sangrando até o final é o melhor para esse senhores manterem seus domínio sobre a coisa pública. Quem realmente fez críticas as essas relações estranhas intergovernamentais? Por que nunca houve questionamento sobre a real situação em que Lula entregou o Governo a Dilma? Dilma é parte, mas também, em parte, é vítima do jogo de poder do Lula e os demais chefões do PT.  Por que toda a intelectualidade brasileira (com raras exceções) não questiona Lula? 

Por outro lado, nós nunca tivemos uma fase democrática tão longa sem oposição. Venho destacando isso há tempos. Existe um vazio. O PT no poder deixou um vazio no ativismo porque aparelhou diversos movimentos e entidades, engessou movimentos e enfraqueceu o ativismo organizado na sociedade civil. O que resta partidariamente de oposição é de formalismo, restrito ao parlamento, mas sem nenhuma vontade e compromisso político maior do que o eleitoral. Não é propositiva e não tem projeto algum. Vide a tal reforma política, onde nenhum apresentou nada consistente. Cadê a intelectualidade brasileira sobre a questão da reforma política? 

Por que a intelectualidade brasileira não defende coisa pública, valores republicanos e democráticos abertamente e enfrenta os que estão pilhando o Estado brasileiro, o patrimônio político e econômico do Brasil?  Por que a intelectualidade brasileira não questiona a postura moral dos que governam de querem se justificar argumentando que outros também fizeram igual (crimes)? 

Por que nossa intelectualidade está abdicando de participar ao lado dos descontentes, dos que estão indignados? Será toda essa intelectualidade envelheceu demais? Envelheceu biologicamente ou em ideias/ideais? Ou estão todos muitos estabelecidos juntos ao poder ao ponto de terem direito somente ao silêncio? Quantos ganharam muito como conselheiros, consultores desse gente que ocupa o poder atualmente? 

A ausência de uma intelectualidade crítica e ativa é preocupante. Todo intelectual tem lado, preferências políticas e não há nada errado nisso. Porém, intelectual não pode alugar e nem vender sua consciência intelectual. O intelectual só existe meso com uma margem de liberdade inegociável. 



 

terça-feira, julho 14, 2015

Tempos de colheitas estranhas

Quando vamos olhar mais para as vítimas e não para os criminosos? Quando a  paz vai ser nossa prioridade? Fico imaginando as sucessivas formas de perdas ocorridas depois que um justiceiro matou uma jovem estudante dentro de um ônibus coletivo (as imagens da Câmera do ônibus não apareceram e a família da moça fica arrastando os sofrimentos). Quantas vezes a mãe do assaltante assistiu seu filho morrer na forma de tragédias em série...até ele encontrar aquele poste de concreto? Até quando vamos sofrer com o medo de ser o próximo...  Mas de qualquer lado usado... por nós... para vermos a realidade.... há sempre uma estatística perversa pesando sobre um tom de tez... 

"Strange Fruit

Southern trees bear a strange fruit
Blood on the leaves and blood at the root
Black bodies swinging in the southern breeze
Strange fruit hanging from the poplar trees

Pastoral scene of the gallant south
The bulging eyes and the twisted mouth
Scent of magnolias, sweet and fresh
Then the sudden smell of burning flesh

Here is fruit for the crows to pluck
For the rain to gather, for the wind to suck
For the sun to rot, for the trees to drop

                                       
Link: http://www.vagalume.com.br/billie-holiday/strange-fruit-traducao.html#ixzz3fpyM2rXI


domingo, julho 12, 2015

O que fiou e o que não precisa continuar..

Hoje (04/07/2015) tive o desprazer de presenciar o desespero de uma vítima de assalto. Quando ia saindo da rua das Mangueiras e entrando na rua do Sol ...vi duas moças desesperadas seguindo um sujeito que corria com a bolsa de uma delas. Bem, as moças fizeram alarde e algumas pessoas que estavam na rua seguraram o assaltante. Dez minutos depois voltei ao local e vi várias pessoas ligando... Devia ser para a polícia. A vítima desesperada e uns senhores continuavam lutando para não deixar o assaltante fugir. 

Eu e as maiores torcidas de times de futebol do Brasil sabemos que o número de policias é pequeno demais para a demanda. Há tempos o Centro histórico não tem mais aqueles policiais, em dupla, andando pelas ruas.  Isso é um modelo ultrapassado? Não. Não é. Mas precisa ter material humano. A gestão passada instalou algumas câmeras e o secretário de segurança, na época, falou um monte coisas... Coisas que a realidade nega. Entre as coisas absurda falou em tolerância zero (em referência à Nova York). Quem já foi em nova York e caminhou pela Time Square deve ter notado sobre as calçadas dezenas de policias, uns com cachorros e tantos outros montados em cavalos etc.

Li em um jornal local, nessa última semana, que mais de 800 veículos foram roubados aqui na Ilha, só no nesse primeiro semestre. O município de São Luís registrou o maior número de casos: 700 veículos. Como esses criminosos conseguem sair com tanta facilidade com esses veículos roubados de uma ilha? 

A tolerância zero começa com material humano suficiente, policiamento ostensivo e a maior parte das ações acontecem de forma silenciosa, continuada e para desmobilizar o recrutamento, o contexto de oferta da criminalidade, a receptação, o financiamento e o armamento. Isto é, política real de segurança pública. Isso requer recursos, determinação, persistência e tempo. O atual secretário está empenhado... mas a situação requer o empenho do Estado como um todo na forma de ações integradas de diversas secretarias. 

sábado, julho 11, 2015

O Maranhão de ninguém

Para produzir um alento..imagino que já cheguei no purgatório... e que depois dessa estada nesse vale de lágrimas... vai surgir o céu. É uma forma de ir segurando os dias com alguma esperança (para mim).

O Maranhão foi a última Província a aderir à Independência do Brasil e a República aqui nunca chegou. A ideia mormente de coisa pública é que se trata de coisa de ninguém. É comum dizer por aqui: "Não é meu, não é teu. O que você tem com isso?"

No Ceará... a Justiça determinou que a Petrobrás pague R$ 980 milhões por ter cancelado a construção da Premium II. Isso para indenizar os danos produzidos aos cofres públicos, danos materiais coletivos e danos morais coletivos. 

No Maranhão... o cancelamento da Premium I parece que não teve consequências. Aqui nessa terra todos são Dilma (governistas) e não sobra ninguém que seja a favor do bem público e do Maranhão. É o eterno Maranhão de ninguém. 


domingo, julho 05, 2015

A ilha das miudezas

Desde bem pequeno conheço São A viagem de Itapecuru para cá era algo infindável na minha sensação de tempo. Pois bem, o que me impressionou primeiro foi a brisa, depois os casarões e o movimento das mares. Fui crescendo e toda e qualquer oportunidade chega em São Luís. Até que no início da década de 80 (século XX) fiz minha mudança para cá. Aqui estou até hoje.

O que noto atualmente é uma cidade sem face... Nada de qualidade foi acrescido, tudo que prestava foi destruído ou depredado. As praias estão impróprias para banho. Todos sabem quais foram as construtoras que lançaram esgotos dos condomínios que construíram, mas ninguém tem coragem de pedir reparação. Não bastasse isso... a criminalidade cresce. 

Hoje São Luís está uma verdadeira ilha das miudezas... é só observar os problemas urbanos, as demandas existentes e as supostas respostas do poder público. Tudo miúdo. 






  



domingo, junho 28, 2015

Sobre ontem: o colorido no Facebook

Não sou contra quem quer reivindicar a caretice. Só peço que respeite o que (eu) considero importante e revolucionário.

Sou totalmente contra o Estado intervir na vida afetiva das pessoas. Não vejo nenhuma legitimidade do Estado nesse âmbito. A separação entre o público e o privado não pode ser entendida no âmbito exclusivo dos bens materiais/econômicos. A separação entre público e privado também deve englobar a garantia do direito à privacidade e o domínio sobre sua própria afetividade. 

Nenhuma pessoa precisa ter sua afetividade tutelada e nem deve precisar da autorização do Estado para casar ou deixar de casar seja lá com quem for. Revolucionário é tirar todo e qualquer afeto do controle do Estado. 

quinta-feira, junho 25, 2015

Falando um monte: tragédia com cantor

Falando um monte. Lamento pela morte do famoso que nem conhecia e, aproveitando o momento,  quero manifestar minha solidariedade à família dele. Com dor e sofrimento alheios não cabe brincadeiras. Porém, se não fosse essa tragédia (que lamento) talvez (muito provável) continuasse sem saber da existência dele e de sua arte. No mais, só tenho a dizer que vou continuar não ouvindo e nem querendo saber desse trabalho artístico dele, por pura e simples opção musical.

(Literalmente uma tragédia. É raro cantor sertanejo morrer e morrer jovem é a exceção brutal) 

 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...