segunda-feira, janeiro 16, 2012

Buda também chupou manga




Através de Gabriel García Márquez, em O general no seu labirinto, descobri que a mangueira não era nativa. Apesar dessa constante presença na paisagem brasileira. A manga é originária do sul e sudeste asiático e chegou às Américas por volta de 1700.

Há vestígios que datam a existência da manga entre de 25 a 30 milhões de anos. O que torna plausível dizer que esse fruto vem sendo utilizado pelos humanos desde tempos mais remotos.

A manga é a fruta mais consumida no mundo, para alguns é a "fruta rei”. No Brasil, essa fruta foi introduzida pelos portugueses, que transacionavam os frutos com os indianos, na exploração do mercado  de especiarias. Os lusitanos logo perceberam a possibilidade de adaptação climática e passaram a disseminar a planta através das sementes. Deu muito certo e a mangueira passou a compor nossa paisagem.

No Maranhão, nos povoados rurais, existe o entendimento que a existência de mangueiras é sinal que o lugar já foi habitado. Dizem os lavradores: “ ali já morou gente”. Para além desse fato, alguns animais da nossa fauna fazem com que a planta vá se espalhando sobre determinadas áreas. São espécies que transportam os frutos para locais mais distantes da árvore, a fim de consumi-los. Porém, deixam as sementes intactas e prontas para germinarem.

Esse povo (nós) também tem um dizer interessante sobre a manga: "Esses políticos são como periquitos, só aparecem em tempo de manga!"  Ou, "Em tempo de manga, toda mucura é gorda". 

Em se tratando de Maranhão, os bosques de manga representam o maior e mais eficiente “programa” "espontâneo" de "segurança alimentar". Graças a esse fruto e sua abundância que a maioria das crianças pobres maranhenses - do interior, ganha sobrevida, adquirindo algumas vitaminas e outros nutrientes para enfrentarem o período sem as mangas. 

Como sabemos, até hoje, os recursos da merenda escolar têm servindo, em grande parte, para alimentar a corrupção nos municípios, enchendo os cofres particulares de prefeitos insensíveis que, logo após iniciarem seus mandatos, passam rapidamente a adquirir caminhonetes, helicópteros, apartamentos caríssimos etc. Enquanto as crianças, nas escolas, ficam só comendo salsicha, macarrão e presunto o ano inteiro. Mas existem escolas onde nem isso é oferecido aos alunos. A merenda simplesmente some. 

A manga é um fruto sagrado para os indianos hindus, representando o amor e a fertilidade. As flores e as folhas são comumente utilizadas em rituais. A folha seria a vida vibrante. Na Índia, conta a tradição hindu, Shiva teria aparecido na sua forma fálica em frente a uma mangueira.

A tradição budista também traz referências à manga. Buda tinha preferência pelos bosques de manga para descansar e meditar. Diante de uma multidão de descrentes fez uma mangueira germinar instantaneamente.

A manga foi meu suplemento alimentar durante a minha infância. Além disso, costumava fazer, da copa da árvore, um refúgio. Ficava lá em cima sempre que o mundo lá em baixo assumia um tom tenebroso. Passava horas lá em cima pensando, observando a paisagem e sonhando acordado. Às vezes, no final da tarde, deitava sobre a areia do quintal, próximo a uma grande mangueira, para ficar olhando para o céu, esperando as primeiras estrelas se tornarem visíveis. 

Sempre que passo pelos povoados, às margens das estradas, fico observando as crianças brincando debaixo das sombras das mangueiras ou vendendo os frutos em pequenos utensílios no acostamento da pista. Fico questionando se tudo mesmo é fruto do sujeito histórico ou se, pelo mesmo de vez enquanto, há uma mexidinha divina, colocando uma saída para os menos favorecidos quando a história deles é uma sequência de desgraças e péssimos governos.

Como seria o Maranhão sem mangueiras? 

quarta-feira, janeiro 11, 2012

A Pseudo Defesa Civil Nacional

Foto: café com notícias

Temos que reconhecer o esforço e a doação incondicional de alguns indivíduos que se lançam em ajudar diversos cidadãos em situação de risco e calamidade. Toda nossa admiração. 

No entanto, quando tratamos de Defesa Civil de um país, de um plano nacional de emergência, de socorro em massa o nosso Brasil é completamente desprovido disso. Até agora nenhum dos poderes teve a dignidade de reparar essa falha grave e até irresponsável. 

Como um país com essas dimensões e riquezas é tão carente e ineficiente em termos de defesa civil? Inúmeras catástrofes vem ocorrendo ao longo dos anos e as autoridades tratam como se fossem coisa menor. Nos últimos anos elas aumentaram em número e intervalo de tempo menor, mas nada de efetivamente sério foi feito. Nenhum investimento, nenhuma organização administrativa para fazer ter efetividade uma Defesa Civil Nacional.

Em 22/06/2010, em 16/01/2011 foram postados aqui, nesse Blog, textos tratando desse tema. Ambos podem ser republicados integralmente que estão com a mesma atualidade. Isto é, nada foi feito e a situação de tragédia se repete. Veja: http://araujofrancisco.blogspot.com/2010/06/chuvas-e-vitimas-sob-as-sobras-do-verde.html

Atrás disso tem uma malandragem dos poderes locais para captar recursos, a famosa indústria da tragédia. Pois passado esses períodos nenhuma obra é feita para evitar que acontecimentos desagradáveis se repitam. 

Até quando esperar? 


terça-feira, janeiro 10, 2012

Castelo, o tratado da surdez, o tempo verbal e surrealismo.


Foto: postada na internet por Valdizan. 

Este post trata de forma sucinta a entrevista concedida pelo prefeito João Castelo ao blogue do jornalista Roberto Kenard e postada no dia 09 de janeiro de 2012, sob o título de “Castelo rompe o silêncio em entrevista exclusiva”.

Desde já quero registrar a qualidade do trabalho realizado pelo jornalista Kenard.  No entanto, concordar ou aceitar de pronto o que Castelo afirma é outra coisa.

O prefeito João Castelo fez, mais uma vez mostra seus dons artísticos. Tanto repetir seu heroico governo estadual, transformou o seu discurso em uma peça surrealista. Vamos por partes.

Primeiro ponto. Todo o insucesso de sua gestão até aqui foi consequência da administração anterior e das chuvas rigorosas. Uma combinação da “mão do homem” e da “incontornável ação da natureza”. Como ele sempre apregoa a grandeza de seu mandato de governador (biônico), cabe saber se naquele período não choveu e se o governador que o antecedeu foi um excelente administrador.

Segundo ponto. Castelo demonstrou seu estilo comedido diante dos Sarney. Confirmou a característica que destacamos no post do dia 06 de janeiro de 2012, com o título de Castelo, anti-sarneísmo de areia, poeira e franchising, onde é possível ler: “nunca fez uma ruptura extrema, nunca chegou nem a encenar ódio aos modos do Ricardo-cunhado”. Nas palavras de Castelo, na entrevista concedida a Kenard, fica assim: “Eu nunca fiz e jamais farei política do rancor ou com o fígado”. Não era para menos, além das exigências da civilidade, seria demais não ter o mínimo de consideração com o compadre que lhe deu o mandato de governador (indicado), ainda na vigência da ditadura militar.  

Terceiro ponto. Castelo deu uma dica de ter problema auditivo: “Nunca ouvi ninguém dizer que desconfia do Castelo”. Pode até ser surdo, mas é extremamente surrealista.

Quarto ponto. Castelo afirma: “Nunca mandei reprimir manifestação, muito menos de estudantes. Eu sequer me encontrava no Maranhão quando estourou o movimento.” Aí o prefeito faz brilhar todo o seu talento de mestre surrealista. O governador realizador, administrador competente some da história, logo no período da greve de 1979, e só volta para ser o que fez o Castelão, a Ponte Bandeira Tribuzi etc.?   Não estava no Maranhão. Onde o governador do estado estava? O estranho é como o governador só era governador para construir obras, não mandava em nada e não sabia de nada quando era para tratar de greve. Era um governador ou um encarregado de obras da Ditadura? Quem então deu a ordem para reprimir? Quem finalmente estava mandando no Maranhão? Nomes? 


Caro Prefeito, o senhor está sob o manto da Lei da Anistia (Lei nº 6.685, 28/08/1979), cite os nomes dos responsáveis pela repressão e os motivos disso ter acontecido sem suas ordens ou seu conhecimento. O senhor desconhecia quem dava ordens dentro do seu governo? Desconfio que o senhor não dará esses nomes. Porém, seria muito importante que o senhor revelasse o que sabe sobre esse episódio. Mostre sua versão de forma integral, por favor.   

Quinto ponto. O prefeito considera o tempo verbal igualmente como o tempo climático, onde impera um “inverno de chuvas rigorosas”. Ele está sempre no passado. Ao se rebelar contra os tolos diz: “antes e depois do governo Castelo nenhum outro governo fez tantas obras”. Não faz mais que repetir seu mestre, quando afirma que tudo que existe no Maranhão foi feito por ele. Esse tal governo glorioso deve ser mesmo creditado a ele? Pois ele mesmo disse que não mandou reprimir os estudantes. Esse governo glorioso não deve ser creditado a quem mandou reprimir? Essa  recorrente volta ao seu mandato de governador biônico é uma forma de encobrir dois fracassos administrativos à frente da Prefeitura de São Luís: o seu próprio mandato e o mandato de sua esposa. Fica provado que ele não sabe administrar nada em tempos de democracia. Os créditos de realizador e grande administrador devem ser dados ao que mandou reprimir os estudantes, pois esse alguém é que realmente mandava.

Sexto ponto. Castelo  na sua “crítica real” afirmou que “Muito antes deles, a um alto preço, eu estive na oposição. Oposição a que? Quem são esses “deles”? O tempo verbal ficou beleza: Eu estive. Alto preço, sem dúvida que sim. Traduzindo: ele foi opositor do movimento democrático contra a Ditadura. Para completar sua “critica verdadeira” ele diz: “Se alguém da oposição me criticar está fazendo o jogo dos adversários”. Que absurdo. Ele nunca diz quem são os opositores e os adversários. Quem são os adversário? O adversário é imaginário. Castelo só quer fazer as pessoas acreditarem que o adversário imaginário que ele criou é o adversário real que cada identifica como seu. Na verdade ele não deu nome algum e pode depois dizer que não disse que era seu fulano ou seu beltrano. O anti-sarneísmo dele é o mais dócil sarneísmo.

Sétimo ponto. Os convênios com o Governo Jackson. Ele simplesmente não disse nada de importante e fundamental sobre a questão. Limitou-se ao possível motivo para o governo do estado pedir anulação dos mesmos. Em momento algum falou do paradeiro, movimentação ou existência dos 73 milhões de reais.

Enfim, a única diferença entre Castelo e os Sarney é que ele consegue ser bem pior politicamente.

A entrevista completa de Castelo está disponível em:

sexta-feira, janeiro 06, 2012

CASTELO E O ANTI-SARNEÍSMO DE AREIA, POEIRA E FRANCHISING


  

Todos os que estão atentos aos noticiários já depararam com algum capítulo da novela Mexicana Maranhense: O MIGUÉ DOS MILHÕES.


Breves questionamentos sobre a novela: 
João disse que não viu, não sabe por onde a grana passou, nem seu paradeiro. Os meninos do José querem a grana de volta, mesmo que parcelada. Pois é. Já parcelaram o que não existe? Ou parcelaram o que existe e ninguém sabe onde está? Ou sabem? Será que vão jogar a culpa em alguém já falecido? O que importa é: no meio dessa discussão entre os de João e os de José está a falta de transparência, que resulta em uma miséria da coisa pública. Os 73 milhões não podem ser esquecidos. O repasse foi uma farsa montada pelo ex-governador? Algo aconteceu e precisa ser esclarecido.

São 73 milhões de reais que estão em disputa entre os de José e os de João. Dezenas de versões já surgiram, textos belíssimos já foram escritos para racionalizar a imoralidade e prova nossa imbecilidade. Fato inequívoco, trata-se de dinheiro público que, tudo indica, não foi contabilizado devidamente - cujo paradeiro ninguém sabe. A isso como já deixa dúvidas se tal repasse existiu realmente. A certeza é somente que o dinheiro público, mais uma vez, não recebeu cuidados republicanos.

Os de José já falaram em CPI etc. e os de João tentam provar sua inocência, seu desconhecimento e uns, pasmem, até insinuaram que o ex-governador Jackson não chegou a repassar tal dinheiro para a Prefeitura, pois afirmaram que o dinheiro não existe. Se não existe os aliados de José estão dizendo que ele não chegou na Prefeitura e, consequentemente, foi o governo estadual que disse mas não fez. Deu para entender? Estão sutilmente querendo incriminar o Dr. Jackson quando dizem que o dinheiro nunca existiu na Prefeitura. O atual mandato do João é uma dádiva do senhor Jackson, logo essa fala é, no mínimo, ingrata!

Porém, isso tudo que parece ser uma ferrenha luta, uma briga etc. não passa de uma dança de acasalamento político. Isso são pressões para seduzir na direção de um acerto, concerto para um conserto de poder intra-oligárquico. José quer se prevenir de brechas que possam surgir, requer participação no comando dessa Prefeitura para não ter sérias ameaça ao que lhe é mais precioso: o Governo do Estado. José já sentiu o quanto é perigo deixar essa Prefeitura cair nas mãos de que tem  realmente potencial de confrontá-lo. Na prefeitura seria um concorrente mais forte e com maior lastro. José não é bobo e nunca dormiu no ponto.

João é cria de José, compadre e nunca fez uma ruptura extrema, nunca chegou nem a encenar ódio aos modos do Ricardo-cunhado. Sabe o peso da rejeição consolidada contra ele, que a máquina da prefeitura não tem o poder de arrasto ilimitado, que precisa de uma facilitação por parte dos Leões e qualquer nome mais jovem que apareça pode atrair votos para forçar um segundo turno, que não lhe é nada favorável. Por isso, João empenha-se em afastar os jovens com potencial eleitoral do páreo. Ao mesmo tempo tenta manter Edivaldinho sob suas asas e empurrar Flávio para um tal de 2014 “certo”. Sendo que o segundo é a sua mais aguda preocupação, pois esse já reúne experiência eleitoral, está melhor posicionado nas pesquisas e já conquistou a confiança de vários setores populares e empresariais. Além de poder mobilizar, em torno de si, a maior fração da oposição ao sarneísmo, ainda encarna mais facilmente a alternância política. Esse pode lhe tirar o controle da Prefeitura e lhe impor uma disputa com Roseana pela única vaga para o Senado, em 2014, sem estar calçado em nenhum dos poderes.

José não tem nenhum nome eleitoralmente viável e, certamente, não quer reviver a saga Jaime Santana, mas tem a fórmula e todos os Leões estaduais e nacionais sob seu mando. Já colocou um vice-seu em um mandato de Jackson e pode reeditar o feito. Deve estar apostando em 2014, sem Flávio na Prefeitura, parai ser mais fácil operar a sucessão da filha. Esse senhor nunca foi de desprezar adesões que sejam úteis aos seus objetivos e a cooptação é técnica de seu pleno conhecimento. Resta-lhe até junho para trazer de volta o compadre ou cooptar um bom nome de outro grupo. Porém, vai fazer o básico para garantir o fundamental para manter seu status político: o governo do estado e a maioria da bancada federal (vagas de senadores e deputados federais). Se João não vier, para punir mais uma ingratidão, José poderá apimentar a novela bem no meio da campanha, mesmo que o adversário de Castelo seja Flávio, pois ainda terá tempo (quatro anos) para pensar como diminuir as potencialidades deste último na sucessão de 2014. Mas já terá minado Castelo como candidato ao Senado.  Não vai querer deixas sua filha sem um mandato.

Muitos dos de João terão que inventar uma boa justificativa se João remediar a situação dos milhões com uma aliança providencial com José. Boa parte desse anti-saneísmo-castelista é castelo de areia ou poeira de obra inacabada. Outra parte segue a fidelidade pessoal (amizade) a João ou são profissionais defendendo seu pão-de-cada-dia no ofício de assessores (nada contra).

Flávio tem o que perder nessa “querela” e é indesejado por ambos. Qualquer abraço vindo dessas partes será igual ao abraço do urso. Melhor é que Flávio trabalhe para que eles se abracem fortemente como no abraço dos afogados.

É visível que, em termos de habite-se de shopping, o papo já demonstra congruência. Coisas que uma boa loja de franchising famosa vai arrumando e apaziguando em prol da união. No mais é poeira barata...

terça-feira, janeiro 03, 2012

São Luís das Pirâmides e Mandingas



Entre 1983 e 1985 (D.C) foram edificadas, em São Luís, diversas pirâmides. Algumas serviram para sinalizar obras do poder municipal, realizações do ocupante do poder naquela data. Porém, algumas outras parecem ter algo a mais que essa simples utilidade. 
Na época ainda estava em vigor o regime de exceção, iniciado com o Golpe Militar de 1964. Os prefeitos de capitais eram indicados pelos generais, em concerto com os chefões políticos locais aliados da Ditadura.  Os prefeitos, desse período, receberam a alcunha de prefeitos biônicos, termo dado pela oposição à Ditadura Militar.

Por que alguém adotaria pirâmides como marco de suas realizações administrativas? Por que pirâmides em São Luís no final do regime ditatorial? Qualquer sujeito, minimamente informado, sabe que as pirâmides têm como principal referência o Egito antigo, especificamente as pirâmides de Gizé. Como e por quais vínculos elas começaram a ser implantadas em uma cidade marcada pela arquitetura colonial portuguesa?


As grandes pirâmides do Egito despertam curiosidade e admiração ao longo de milênios... tanto pela imponência arquitetônica como pelos mistérios, misticismos e esoterismos que delas emergiram. Para os adeptos dessa última tendência elas representam o seu lar. No mundo inteiro existem os iniciados ou estudiosos das pirâmides egípcias. No século XVIII surgiram as lojas “egípcias”, criadas por Cagliostro, que acabou influenciando a franco-maçonaria. Diversas outras sociedades secretas iniciáticas, ligadas ao ocultismo e/ou a alquimia, adotam a pirâmide com símbolo, amuleto, objeto de culto ou manipulação. Então, o que motivaria, na ausência de democracia, a implantação de tais pirâmides em São Luís?

Tentando decifrar o código. Em São Luís já existiam dois monumentos de características piramidais: a Pedra da Memória e o monumento a Manuel Beckman. A Pedra da Memória é bem provável ter tido influência maçônica na sua concepção, o que vale igualmente para o Monumento a Beckman. No entanto, o que se ver na década de 1980 parece ter surgido por motivações e por iniciativas diferenciadas dos monumentos anteriores. Primeiro, essas pirâmides não foram edificadas por nenhum motivo similar e nem para homenagear qualquer feito histórico da cidade ou do estado. Segundo, o prefeito naquela época parece que tinha consciência sobre a posição e os ângulos que as mesmas formavam sobre o mapa da cidade. Vide a distribuição das três principais pirâmides, onde uma delas fica um pouco “desalinhada”, assim como as do Egito. O certo é que o coração da cidade de São Luís passou a ficar sob uma grande pirâmide. O desenho é perfeito. Muito pouco provável que tenha sido arquitetura do acaso. 

Depois disso, as coisas foram mudando. O poder “político” no Maranhão, que  estava em pleno declínio, dando sinais de naufragar junto com ditadura militar, revigorou-se, como mágica, exatamente com a volta da democracia. Ironia é pouco para dizer o acontecido.

Pode-se dizer que aconteceu um místico paradoxo. Pois esse poder decadente (aliado dos militares) foi ressuscitado pelos próprios opositores do regime militar. Depois o velho poder do Maranhão foi só ampliando sua força e tamanho na Nova República. A partir daí a República brasileira começa a ser enquadrada e o avanço democrático barrado pelas forças conservadoras, que encontraram nessa força maranhense o concerto eficaz. Dessa maneira a sinergia entre as forças autoritárias ganhou forma efetiva de controle sobre os Aparelhos do Estado no período pós 1984.  

Para o construtor/executor dessas pirâmides ou dessa arquitetura místico/esotérica/ocultista, o prefeito de plantão, da época, os ventos da prosperidade sopraram forte e generosamente, tornando-o proprietário de um grande empreendimento, cuja sede tem, no telhado, algumas pirâmides, na logomarca da empresa também tem uma pirâmide, no terreno da empresa existe uma capelinha com cobertura piramidal e, no interior do edifício principal dessa organização, diversas peças (réplicas) do Egito antigo ornamentam alguns ambientes. Por isso, não é cabível acreditar que essas pirâmides foram postas em São Luís sem nenhuma intenção outra ou fundada em algum tipo de crença. 

Não é à toa que diversas obras e riquezas deste lugar assumiram dimensões faraônicas.

Ps.: Essa ,minha “inquietação” com as pirâmides surgiu no período mesmo em que elas foram construídas. Morava no Centro da cidade de São Luís e achei aquilo destoante e feio. Recentemente a “inquietação” voltou quando passava pela REFFSA. Saí procurando as demais pirâmides, logo desconfiei do posicionamento planejado das mesmas e graças ao Google (GPS) acabei confirmando o que desconfiava sobre a disposição das pirâmides. . 

quarta-feira, dezembro 28, 2011

PREFEITURA DE SÃO LUÍS,GATO COM FOME, O GUERREIRO DE SACO DAS ALMAS E MAQUIAVEL



Dois Eitos é texto de autoria do Deputado Federal Domingos Dutra, publicado recententemente no blog Conversa de Feira (24/12/2011), nele o deputado expõe alguns ensinamentos retirados da sua experiência de vida para tratar da sucessão municipal de São Luís. 


O deputado petista Domingos Dutra, o caçador de Futi, começa Dois Eitos discorrendo sobre suas origens de lavrador e quilombola, depois faz emergir a sabedoria orgânica do quilombo de Saco das Almas, que é ilustrada na através das qualidades dos eitos. O ponto crucial da análise de Dutra, para resumir, é que Flávio tem que colher o que plantou em 2008/2010 sendo candidato em 2012 e preparar o terreno para 2014/2018. Isto é, o eito ruim deve ser tratado depois, quando este estiver em situação bem pior (finaliza assim o oráculo quilombola). 

Nas confraternizações que participei, nas últimas semanas, ouvi algumas análises sobre a possível não-candidatura de Flávio Dino a prefeito de São Luís, nas eleições de 2012. Aqui resumo: “Não se guarda comida com fome, pois o gato vem e come”. “Os acertos de agora não vão ter validade alguma em 2014. O contexto é outro e novos nomes podem emergir”. “Ele vai criar brecha para ‘eles’ gerarem uma cria novinha em folha”.  (Ocultei os nomes propositalmente). 

A experiência de vida e de política do guerreiro de Saco das Almas e o ditado popular do gato com fome são pertinentes.

O ano de 2014 tem uma vaga de senador  em disputa e, no mínimo, terá 04 fortes candidatos. As 18 vagas para deputados federais estarão em disputa. O senador Sarney sabe, desde o início, o quanto é crucial ter a maioria da bancada federal e deter o controle do governo estadual. Portanto, não vai haver nenhuma facilidade em 2014.

Os defensores da tese que Castelo é imbatível, porque esse senhor está com a “máquina municipal”, devem também pensar em não disputar o governo do estado em 2014. Pois a “máquina estadual” é bem mais ampla e o lastro de permissividade e cumplicidade a favor dos donos do Maranhão é imenso.

Essa capa de anti-saneísmo, como álibi, para forçar a união de diversos setores da política eleitoral é conservadora e predatória. Muitos dos que se vestem de anti-sarney não oferecem nenhuma qualidade política renovadora ou densidade moral diferenciada. Ao contrário, muitos que estão no anti-sarneísmo são perfeitos exemplos de que podem ser bem piores do que o que dizem combater. 

Essa tal oposição ampliada é uma mistura sem liga. Muitos estão lá por mera conveniência e podem mudar de lado a qualquer momento (dependendo da oferta. Exemplos não faltam). Dentre estes encontramos os grupos-partidários-de-barganha cujo projeto maior é a obtenção de cargos e assessorias para viverem tranquilos nas sombras do poder. Depois vem uma legião de pseudo-notáveis que, entre tantas deficiências, não possui qualquer peso eleitoral (sem votos). Cabe refletir se vai valer a pena chegar ao poder com todos esses pesos? Como acomodar todos esses egos e fazer uma administração limpa e eficiente? Eito bom não quer dizer pronto. É preciso ceifar as ervas daninhas mais robustas. 

Lembrem-se dos dois anos do senhor Jackson sentado na cadeira dos Leões.

A empreitada é difícil, longa, porém, um passo à frente tem que ser dado. A prefeitura de São Luís precisa ser ocupada, desde logo, por quem tenha condições de representar uma renovação política para o Maranhão.

O que justificaria apoiar a continuidade de Castelo na prefeitura de São Luís em um contexto como esse? No mínimo, oferecer mais condições de continuidade desse ethos político que vem nos enterrando na miséria e no atraso. Castelo é um “fóssil antropológico” do mandonismo.

Quanto ao ex-deputado Flávio, desconfio que a ala de velhacos dessa  oposição o quer engessado. Assim como antes, o querem como candidato, mas sempre para as “próximas” eleições.   Os velhacos querem que ele vire o eterno candidato das “próximas”.

Todas as disputam envolvem riscos. Em 2014 vai ser mais fácil? Por obra da sorte? Não devemos viver inteiramente à custa da sorte. Mesmo que ela exista, nos cabe cuidar de, pelo menos, 50% dos rumos das nossas vidas (alerta de Maquiavel).

Ninguém vai doar poder para ninguém. Compromissos eleitorais são todos de risco, independentemente do prazo (curto ou longo). Esperar 2014 é apostar no “certo” criado por duvidosos. O que se tem de mais concreto agora é a Prefeitura de São Luís! Por que recusar o Poder agora? Por que deixar São Luís refém de tão sórdidas mãos? Temos que salvar a alma e a face de São Luís, mas isso tem que ser agora! 

Obs.: A expressão “fóssil antropológico” é de autoria do senador José Sarney (criador político de Castelo), que a cunhou em um artigo sobre as tradições do Maranhão.


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