sábado, agosto 13, 2011

O QUE ESTÁ EM CRISE?

Manifestante em Londres cobre o rosto com bandeira do Brasil


“No curso dos tempos modernos, de vez em quando a História revela-se inexorável e errática, assustadora e fascinante. Tudo o que parecia estabelecido, quieto em sua calma, mesmo alheio e distante, de repente pode revelar-se instável, abalado, fora do lugar, estranho. A despeito de que tudo continue aonde estava, quieto em sua calma, de repente já não é mais o mesmo, Modifica-se a sua expressão, significado ou entonação”. (Octavio Ianni)

A economia mundo, fruto da intensificação das relações transcontinentais sob o impulso do capital financeiro, tem escapado do potencial da previsibilidade da Economia moderna. Pode-se dizer que essa configuração mundial da economia é uma nova espécie de rácio, tipo errático, de intensa fluidez e velocidade. Intensa em consequências e simultaneidade, essa configuração insurgente tem corroído o centro monopolizador e privilegiado da acumulação do capital.

Quem está verdadeiramente em crise são os antigos privilegiados da acumulação capitalista, cujo início do privilégiado lugar-conforto data do início da modernidade, da cultura racional e da exploração expansiva. Essa centralidade, ponto privilegiado que alguns país estão ocupando durante séculos agora tem sua ruina  esboçada.

Diferentemente do período econômico impulsionado pelo capital industrial, o domínio do capital financeiro tem uma enorme capacidade de transitar, flutuar, se associar e se multiplicar artificialmente, através de fluxos, na maiorias das vezes, produzidos sem correspondente econômico materializado pelo trabalho direto, sem uma riqueza material equivalente. Valores são reproduzidos e acrescidos por convulsões emocionais compulsivas, provocada por um vício especulativo.

Os mercados passaram a ser arrastados por preços e valores que surgem de forma imediata e alcançam cifras imensas. Ações de nomes e siglas de empresas virtuais, cujo capital é só a marca, a ideia, recebem cotações altíssimas. Empresas sem patrimônio físico, bens materiais etc. valem mais do que empresas que acumularam imenso patrimônio material. Qual critério coloca essas ficções com uma avaliação gigantesca? Quais os mecanismos reais desse mercado financeiro?

O capital financeiro e as bolsas criaram um dinheiro permissivo, desnacionalizado e sem objetivos tangíveis. O mercado passa a ser permanentemente flutuante, porque não totalmente tangível em termos racionais. Retrai-se a Matemática e aprofunda-se a Psicologia: “mercado nervoso”, “surto de desconfiança”, “crise de credibilidade” etc.

O seu campo permissivo é o que mais contribui para se tornar intangível do ponto de vista ratio racional. Pois esse capital possibilita absorção e pulverização dos montantes de riquezas produzidas, conquistadas através de práticas criminosas: corrupção, tráfico de drogas, contrabandos, vários tipos de enriquecimentos ilícitos. São trilhões e trilhões que se deslocam especulativamente para dissimular sua origem. Isso provoca uma pressão sobre a contabilidade tradicional e sua base material de riqueza.

Essa riqueza ilícita e as ações especulativas não precisam de centro, de núcleos duros, mas de redes, canais de movimentação simultânea. Desta maneira, a crise é efetivamente ruidosa para os que tradicionalmente vinham ganhando no mundo moderno do capitalismo. O que é crise nos países ricos sempre foi gerido e digerido para o que até então era a mera periferia do capitalismo.

Países que formavam a massa da periferia vão se transformando em núcleos da teia da interdependência, cuja sustentação está na distribuição coletiva do peso, sob o risco de desmoronamento geral. Os novos núcleos formam tipos de alteridades. Os outros-econômicos originados na periferia do que era a periferia, sobreviveu à precariedade montante, consequente da acumulação centralizada, do velho centro massivo concentrador.

As reformas e medidas do velho centro em prol dos “excluídos” - “inclusão” impossível pela corrosão mesma do que significa o espaço de inclusão - tem sido medidas em benefício da manutenção e sustentação  de seu domínio (em crise).  Os “excluídos” estão dentro e são parte, mas cada vez mais afirmando-se como o diferente que escapa ao controle da hegemonia que desmorona.

A crise é dos velhos países ricos que cada vez mais veem seus mercados esgotados, maior parcela de sua população endividada e sem os recursos naturais necessários. Como o capital só respeita ao capital, a busca pelo lucro ganha mobilidade cada vez mais intensa e deixa o constante imprevisível.

A revolta de Londres não é uma mera baderna juvenil, mas sintoma da percepção da dissolução de um horizonte, cujo fardo cairá fatalmente sobre esses jovens no futuro. A baderna é do fluxo imprevisível, da lucratividade  especulativa, diante da condição-mundo de escassez, ethos consumista e  limitação ecológica.  

Começa a tomar forma que os múltiplos núcleos podem ver-se com centros de si mesmos em uma teia que se edifica sem um centro. 

quarta-feira, agosto 10, 2011

CIBERETIQUETA (NETIQUETA) E HORROR DO TOTALITARISMO

Frames retirados do filme Blade Runner
Tempos em tempos aparecem uns especialistas do oportunismo que, apregoando um novo saber, hipnotizam legiões de pessoas ávidas por soluções, salvações, novidades etc. 

Com o ciberespaço, mundo virtual da internet, não foi diferente. Hoje há uma multiplicação acelerada de especialistas sobre “coisas” da Internet, do espaço virtual. 

O certo é que bem pouco dessa enxurrada de “novas especializações” do “conhecimento” pode ser classificado de trabalho sério, cujo produto seja fruto de estudos e investigações minimamente sistematizadas.

Por outro lado, os achistas, os inventores do já inventado etc. ganham espaço a cada dia e barganham multidões de seguidores. Como todo espaço edificado a partir da intervenção de múltiplas ações de indivíduos socializados e permeado por intersubjetividades está sujeito a manipulações (ações intencionais, conscientemente visando determinado fim) diversas. 

A mais recente jogada relacionada ao espaço virtual é a etiqueta na internet. Surgiu um monte de especialistas com um museu de novidades sobre as maneiras "corretas" de usar a internet. Apesar de serem apresentadas como de "utilidade pública" e, como sempre, carregadas de boas intenções, é preciso questionar seus fins.

O conteúdo de tal etiqueta serve, como o conteúdo de qualquer código que envolva a conduta humana, ao controle social. É certo que o controle faz parte de todas as expressões de vida coletiva, mas essa etiqueta da internet está alinhada ao controle assentado no autoritarismo e não na autoridade (poder consentido). O que nos leva a suspeitar que suas raízes são de tipo totalitário. 


Há indícios que remetem ao desejo totalitarista de sincronizar a vida, mesmo no âmbito privado, aos interesses dos poderosos, dos chefões, dos senhores proprietários e acionistas das grandes corporações. Isto é, querem que a participação dos indivíduos na internet sirva para diluir a separação entre vida privada e a relação empregatícia, não respeitando o limite da condição de empregado, funcionário, servidor etc. diante do direito cidadania. Trata-se  de  uma estratégia de destituir o indivíduo do seu direito de resguardo de vida privada e íntima. Na qual o patrão e a empresa não podem e não devem querem conduzir.

Essa etiqueta da internet (ou netiqueta), em grande medida, está a serviço desse propósito reacionário e contrário a expansão da liberdade, da livre manifestação cidadã. Qual sua prioridade imediata? É defender os interesses corporativos empresariais, mas de um forma dissimulada de promover a ética na internet.


Pois o objetivo (latente) desse suposto refinamento é estender sobre a vida cidadã os regulamentos corporativos, as normas e regras das organizações empresariais de formal integral e total. 
A netiqueta não é uma inovação, mas uma maquilagem das forças contrárias ao potencial  libertário da inventividade humana. É o velho poder dos reacionários conspirando contra a liberdade.  Nesse particular, contra a pluralidade  das livres manifestações produzidas na internet.  











Os lobbies da etiqueta internáutica querem a todo custo defender as marcas, a imagem, a lucratividade das grandes empresas e, de quebra, manter o empregado de sob seu total controle, fazendo com que suas ações fiquem integralmente submetidas aos interesses da empresa.


Desta maneira, o empregado, mesmo fora do serviço, não pode escrever e nem postar aquilo que a empresa julgar comprometedor para sua imagem e não condizente ao seu código interno de conduta. Isso é um ataque frontal à Liberdade, tanto na perspectiva do liberalismo político como na perspectiva democrática.

Trata-se de totalizar o controle e retirar do cidadão sua liberdade pública de contestação. Qual direito tem uma empresa de monitorar o que um funcionário, fora do horário de trabalho, diz nas redes sociais e grupos virtuais? Onde fica o gozo de sua condição de indivíduo livre e de cidadão?

Isso não fere a liberdade do cidadão de se expressar publicamente? Cadê o direito do cidadão de manifestar livremente suas opiniões e convicções?

Essa regra de etiqueta - por mais bem intencionada que possa ser - já nasceu lotando o inferno. Ou dizendo diferente, já trouxe consigo o inferno inimigo da liberdade: o totalitarismo! 

sábado, agosto 06, 2011

“Lençóis Jazz e Blues Festival: Circuito São Luís”




Ithamara koorax, Victor Biglione, Cristina Braga e Milla Camões são as grandes atrações da primeira noite do Lençóis Jazz e Blues Festival:Circuito São Luís
            

"O “Lençóis Jazz e Blues Festival: Circuito São Luís” não será feito só de música. Nos dias 9 e 10 de agosto, as 19h, no teatro Arthur Azevedo, em São Luís, as programações serão abertas com o lançamento da obra “CONFESSO QUE OUVI”, pelo Juiz do Trabalho e jazzófilo, Érico Renato Serra Cordeiro. Na oportunidade o magistrado e professor, apaixonado por música, fará uma sessão de autógrafos de seu novo livro que, repleto de metáforas, envolve o leitor em uma atmosfera poética que resgata o passado em um minucioso trabalho de pesquisa.
Em 396 paginas o autor esclarece inúmeras curiosidades e faz descrições históricas de obras de setenta jazzistas, entre eles os consagrados Duke Ellington, Dave Brubeck, Dizzy Gillespie, Lester Young, Gerry Mulligan, Charles Mingus, Art Blakey e Wynton Marsalis, Benny Golson, Freddie Hubbard, Cannonball Adderley, Jimmy Heath, Bud Powell, Bill Evans e Clark Terry e também de outros artistas não tão famosos como Bernard Wilen, Freddie Redd, Eden Ahbez, Lou Blackburn, Hampton Hawes e a pianista alemã Jutta Hipp. Muitos desses músicos retratados no livro fazem parte da gerações que cultivaram o bebop, o cool jazz e o hard bop nas décadas de 1940 e 1950."

                PROGRAMAÇÃO COMPLETA:


INGRESSOS À VENDA NA AGÊNCIA UIMAR JR TURISMO
 (Avenida Coronel Colares Moreira, Ed. Multimpresarial,  10, São Luís – MA) Fones: (0xx)98 3227-2369 begin_of_the_skype_highlighting)


PROGRAMAÇÃO OFICIAL DO LENÇÓIS  JAZZ E BLUES FESTIVAL:

CIRCUITO SÃO LUÍS:

Local: Teatro Arthur Azevedo
Data: 09 de agosto de 2011       

  • 19:00h- Lançamento do livro: "CONFESSO QUE OUVI",  Juiz do Trabalho e jazzófilo, Érico Renato Serra Cordeiro.
  • 20:00h- Mila Camões e Banda
  • 21:00h- Ithamara Koorax e Victor Biglione
  • 22:00h- Cristina Braga (harpista) e Trio

Data: 10 de agosto de 2011


  • 19:00h- Lançamento do livro: "CONFESSO QUE OUVI",  Juiz do Trabalho e jazzófilo, Érico Renato Serra Cordeiro.
  • 20:00h- Marcelo Carvalho e quarteto
  • 21:00h- Taryn Szpilman e Trio
  • 22:00h-Yamandu Costa

PROGRAMAÇÃO DO CIRCUITO BARREIRINHAS:

LOCAL: GRAN SOLARE LENÇÓIS RESORT

Data: 12 de agosto de 2011

  • 21:00h-Taryn Szpilman e Trio
  • 22:00h- Gilson Peranzetta e Mauro Senise
  • 23:00h- Artur Menezes e Banda


Data: 13 de agosto de 2011

  • 20:30h- Sávio Araujo e Banda
  • 21:30h- Nelson Faria e Ney Conceição
  • 22:30h- Jefferson Gonçalves e Banda
  • 23:30h- Edson Travassos e Banda



Lençóis Jazz e Blues Festival Aberto ao Público:
Data: 14 de agosto de 2011  (aberto ao público)                Local: Beira Rio da Cidade de Barreirinhas
       

Shows de:
  • 17:00h- Robertinho Chinês e Trio
  • 17:45h- Quarteto Cazumbá
  • 18:30h- Andréa Canta e banda          
  • 19:30h- Jair Torres e Trio


PROGRAMAÇÃO DAS AÇÕES DE RESPONSABILIDADE SOCIAL:

EM SÃO LUÍS- “Ensaios Fechados”:

Local: Teatro Arthur Azevedo      Horário: 16h as 18h.
Dia 09/08/ 2011:
Mila Camões, Itamara Koorax e Victor Biglione e Cristina Braga;

Dia 10/08/ 2011:                           Horário: 16h as 18h.
Marcelo de Carvalho e quarteto, convidado especial Zé Américo, Taryn Szpilman e Yamandu Costa.

EM BARREIRINHAS:

“OFICINAS MUSICAIS”:
Local: Salão de Convenções do Hotel Gran Solare Lençóis Resort .

Dia 12/08/ 2011:
Horário: 9h as 11h.
·         Oficina de Gaita- ministrada por Jefferson Gonçalves.

Dia 13/08/ 2011:
Horário: 9h as 11h
·         Oficina de sax e flauta- ministrada por Gilson Peranzetta e Mauro Senise


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SERVIÇOS:
I Lençóis Jazz e Blues Festival- Circuito São Luís:
Data: 09 e 10 de agosto de 2011 - Horário: 20:00h
Local: Teatro Arthur Azevedo
Ingressos: R$40,00 (dias 9 ou 10) e R$60,00 (passaporte para os dias 9 e 10)
Locais de venda: nos dias do evento no Teatro Arthur Azevedo e antecipadamente na agência Uimar Jr Turismo (Avenida Coronel Colares Moreira, Ed. Multimpresarial, 10, São Luís – MA) Fones: (0xx)98 3227-2369 begin_of_the_skype_highlighting)  

III Lençóis Jazz e Blues Festival – Circuito Barreirinhas:
Data: 12 e13 de agosto de 2011 - Horário: 21:00h
Local: Gran Solare Lençóis Resort- Lençóis Maranhenses, Estrada de São Domingos, s/nº, Povoado Boa Vista, Barreirinhas/MA, Tel.: (55 98) 3349-6000 E-mail:reservas.lencois@gruposolare.com.br
(http://www.gruposolare.com.br)
Ingressos: R$40,00 (dias 9 ou 10) e R$60,00 (passaporte para os dias 9 e 10)
Locais de venda: nos dias do evento no Gran Solare Lençóis Resort e, antecipadamente, na agência Uimar Jr Turismo (Avenida Coronel Colares Moreira, Ed.Multiempresarial, 10, São Luís – MA) Fones: (0xx)98 3227-2369  begin_of_the_skype_highlighting / 98 3227-2369)  
Data: 14 de agosto de 2011 - Horário: 17:00h  (ABERTO AO PÚBLICO) Local: Av. Beira Rio (às margens do rio Preguiças, em  Barreirinhas.

REALIZAÇÃO: Tutuca Viana Produções       APRESENTAÇÃO: Rede ICEP

INFORMAÇÕES:
Equipe de Produção- Tutuca-9976-3087- tutucaviana@yahoo.com.br
Ivaldo Guimarães-8722-5541 - ivaldo_guimaraes@yahoo.com.br

sexta-feira, agosto 05, 2011

FALANDO DOS FANTASMAS E O “MEIO IRRACIONAL” (O QUE É ISSO)


O que é a Economia? Existem inúmeras  definições para tal conceito. Isso é verdade tanto para a Economia enquanto fenômeno social e histórico amplo como para a Economia enquanto disciplina acadêmica. Para ambas as coisas há uma variação enorme de sentidos. 
Sobre a economia. Ela pode ser  definida como um fenômeno amplo, presente em diversas sociedades  e diretamente relacionada às relações que envolvem as transações de bens, serviços, produções, dinheiro etc. ou como uma disciplina acadêmica, mais precisamente a ciência econômica.

No Brasil, enquanto perdurou a inflação alta e descontrolada, entre os anos 80 e 90, os economistas eram comumente vistos nos telejornais dando explicações ou apresentando soluções controlar a inflação. A inflação virou uma palavra chave para tudo. O cometa Halley não foi avistado, logo se culpou a inflação, o país não se desenvolvia era a inflação, a pobreza era por conta da inflação, a taxa de natalidade também estava sob influência da inflação.

O que estava atrás de tanta inflação? Uma cultura inflacionária. A malandragem e a esperteza. Todos queriam tirar proveito a partir da inflação, com ela se justificava qualquer extorsão e canalhice. Tudo foi indexado, era a indexação da indexação, que no final realimentava a própria inflação. A malandragem era nitidamente suicida.

Hoje, o que é observado, alguns grupos empresariais, percebendo a ampliação da capacidade de consumo de diversos segmentos sociais e a elevação do padrão de consumo de diversos outros segmentos sociais, resolveram lucrar fácil, aumentar malandramente a margem de lucro. Primeiro veio o ataque do cartel do combustível, mas graças a intensa contestação do povo pelas redes sociais (internet); o Governo percebeu e o preço da gasolina declinou.

No mesmo passo, de forma fracionada e pulverizada, as redes de supermercados atacaram estão vorazmente atacando a economia, os preços dos produtos que subiram no período da entressafra, praticamente não foram reduzidos após esse período e outros, que não sofrem com entressafra foram tiveram seus preços elevados.

Na parte micro, mas imensa na soma geral, na trama das relações moleculares de consumo cotidiana, formalizadas ou de formalização autônoma/alternativa (temos dificuldade de aceitar o tal informal) o ouviu dizer, a sensação de impotência religou a cultura inflacionária perigosamente, e múltiplos reajustes foram feitos: lavagem de roupa, faxina, o churrasquinho vendido na calçada, a calibragem de pneus, o remendo de pneu, o cachorro quente da esquina, o cremosinho, o picolé de palito, o suquinho, o sorvete de coco de casquinho, a pipoca, o cuscuz ideal, o salgadinho de milho, o  PF (prato feito) da merendeira perto da rotatória, o lanche da bike-lanche, o milho verde cozido vendido na beira da BR, a garrafada do MC (Mercado Central), o copo de mingau de milho de Dona X etc. O que é muito preocupante.

Resta saber até que ponto a cultura de não consumir com preços absurdos, restringir consumo e optar por similares mais barato foi consolidada durante esses anos de vigência do Plano Real. Além disso, até onde a cultura inflacionária passou a ser rejeitada em uma forma de consenso.

Preços existem, cálculos e escolham racionais existem, mas há um amplo campo movido por motivações afetivas, de valores não estritamente econômicos que operam em todo e qualquer economia. Essas motivações escapam aos cálculos racionais efetivados nas universidades de economia. Essa parte compõe a faixa do talvez, do inesperado e , quem sabe, agregue também esse “meio irracional” pronunciado por um professor de economia no Globo News, hoje pela manhã.  Que bom ver o cálculo irracional pensar a partir do “meio racional”.

Esse “meio racional” entra como dado sinalizador do comportamento de variáveis e fenômenos componentes do sistema econômico? Como isso favorece a “compreensão da situação presente e o delineamento das tendências”?

Um fantasma paira sobre a ciência econômica.   

quinta-feira, agosto 04, 2011

SARNEY: O LEITOR INCOMUM


“Porque nem eu nem ninguém fazemos as coisas de que nós gostamos. O que gosto de fazer realmente é de ler e de escrever. Passei 25% da minha vida lendo.” José Sarney (Revista Isto É, Nº Edição: 2154, 18 de fevereiro de 2011 – Isto é Entrevista)

O senador Sarney, declarou à revista Isto É que passou 25% da sua vida lendo. O repórter nem os editores deram muita importância para esse dado, mas trata-se de algo fenomenal. Uma marca incomum. O senador José Sarney é Para homem de 81 anos isso significa que leu 177.390 horas. Média de 06 horas por dia. Tarefa complexa e exaustiva, pois dentre os 81 anos de vida 50 anos correspondem a sua vida pública (de político).  

Quantas horas das 24 horas foram destinadas ao sono? Quantas horas foram destinadas aos encargos de parlamentar e chefe do executivo?

Alguns cálculos (não muito certificados) apontam a Bíblia como composta de 773.693 palavras. Cálculo de difícil exatidão, pois depende da tradução e das variações da quantidade de livros existentes, a exemplo da diferença entre católicos e demais cristãos, onde 07 livros não são consensuais. Portanto, tomaremos esse número apenas para efeito de exemplificação. Por outro lado, temos a leitura com seus tipos e ritmos. Vamos adotar aqui a seguinte classificação expressa em palavras por minuto (p.p.m) da BIRCHAM: Leitura de Estudo (250 p.p.m); Leitura Rápida (400 – 800 p.p.m) e Leitura de Exploração (500 – 1.500 p.p.m).

Esclarecimentos feitos, vejamos...
O senador tem 177.390 horas de leitura. A leitura da Bíblia gastaria 51,57 horas, arredondando 52 horas, adotando a Leitura de Estudo (mais lenta). Tais números nos levam ao seguinte dado: o montante de leitura do senador Sarney corresponde a ler a Bíblia 3.411 vezes. Isso não é para qualquer mortal...

Conclusão: O senador Sarney além de ser um Cidadão Incomum (segundo  o ex-presidente Lula) também é um Leitor Incomum.

segunda-feira, agosto 01, 2011

Brazilian Football: Deterioração de uma paixão



Reclames e múrmuros contra a CBF surgem de tempos em tempos, mas sem obter o eco necessário. Parece que o silêncio acompanha a CBF. O que leva a crer que sua parceria com os grandes meios de comunicação produz uma invisibilidade e uma blindagem sem precedentes.

A entidade controladora do futebol brasileiro acaba não sendo investigada por nenhum dos grandes da comunicação do país. É uma caixa preta, sem nenhuma transparência e regida por um controle oligárquico.

Essa oligarquia do futebol tem ampla articulação com os poderes políticos em cada estado. Mix de negócios milionários que ficam sem as devidos controles fiscais. Se a Confederação não inspira confiança, as federações estaduais muito menos.

No rastro dessa forma de ser da CBF está também a deterioração de um patrimônio cultural brasileiro: a torcida pela seleção. Forma ímpar e singular de manifestação de nacionalismo. Pois é no período de Copa do Mundo que importantes símbolos nacionais são apaixonadamente movidos pelo povo: bandeira nacional e hino nacional. Não são datas cívicas que estabelecem esse ufanismo, mas uma modalidade esportiva: o futebol.

A mercantilização empresarial da marca da seleção e dos negócios da CBF, principalmente depois de uma “parceria” com a Nike, tirou do corpo dos brasileiros a camisa da seleção. Cada vez mais raro se ver um brasileiro com a camisa da seleção, ao contrário de tempos atrás, quando todos podiam ter uma camisa da seleção. A Nike nos despiu de nosso patrimônio e, em parceria com a CBF, está matando nossa paixão pela seleção.

Em duas lojas de material esportivo e em duas seções de material esportivo de dois magazines e não encontrei a camisa da seleção. No entanto, camisas da Argentina, da Itália, Portugal, Inglaterra e de vários de times estrangeiros lotavam as araras. Já é comum encontrar brasileiros ostentando camisas de seleções estrangeiras, não só vestem as camisas como torcem para essas seleções.

Cadê a camisa da seleção? A camisa da seleção brasileira virou um artigo de luxo, com preço elevadíssimo. O que não permite a maioria dos torcedores realizarem tal compra. Com baixa saída e preço absurdo, o produto acaba ficando não atrativo nem para o torcedor nem para os comerciantes. O que as lojas oferecem são camisas amarelas com um nome Brasil estampado.

No rastro desse esquema está o monopólio das transmissões dos jogos pela Rede Globo, que estabelece horários de jogos que dificultam a ida dos torcedores aos estádios, que impede muitos torcedores de acompanharem os jogos de seus times pela TV.

A TV Globo, canal aberto, definiu que os maranhenses só podem assistir os jogos dos times do estado do Rio de Janeiro.  Não se tem opção no canal aberto. Essa é a estratégia para vender pay-per-view utilizado por essa emissora.

Fica mais fácil acompanhar o campeonato italiano, o inglês, o espanhol e até o russo, tudo por conta desse monopólio, dessa falta de concorrência e desse cerceamento do direito de escolha do cidadão. Qual seria o posicionamento da Rede Globo se só uma TV estatal transmitisse o Campeonato Brasileiro (Brasileirão)?  Diria, no mínimo, ditadura, stalinismo ou chavismo etc.

Então, em nome da democracia, precisamos quebrar com esse monopólio. Ou, simplesmente, acabar com esse monopólio em nome da defesa da economia popular.

Alguns pontos pedem esclarecimentos de forma urgente: a) A Seleção Brasileira, enquanto um valor patrimonial, é coisa pública ou privada?; b) Mesmo que privada, a Seleção Brasileira é de valor e de interesse públicos?;c) Ou, simplificando, a Seleção Brasileira é patrimônio exclusivo/particular do senhor Ricardo Teixeira?  

 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...