sábado, setembro 01, 2012

URNA ELETRÔNICA e as crenças ingênuas da oposição - Maranhão


Este texto é uma reprodução. Fonte citada no final. 

Falha na urna brasileira ‘reproduzia fielmente’ erro de 1995, diz professor

seg, 28/05/12

por Altieres Rohr |

categoria Coluna


Prof. Dr. Diego Aranha, da UnB. (Foto: Emília Silberstein/UnB Agência)
O Prof. Dr. Diego Aranha, da Universidade de Brasília, foi o responsável por liderar a equipe que descobriu, em março, uma falha na urna eletrônica brasileira durante um teste de segurança autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O professor conversou com a coluna Segurança Digital do G1 para explicar melhor o problema que foi descoberto – que permite reordenar votos – e fazer outras observações sobre o sistema eleitoral brasileiro.
Se tiver alguma dúvida sobre termos técnicos usados na entrevista, confira o glossário no final da página. O TSE também comentou alguns dos pontos levantados pelos professor e as observações do tribunal estão ao final da entrevista. Se você tiver qualquer dúvida, utilize a área de comentários.
G1 – Quando começou seu interesse por sistemas de voto eletrônico?Diego Aranha – Meu interesse começou quando cursei a disciplina Segurança de Dados, ministrada pelo Prof. Pedro Rezende, enquanto aluno de Ciência da Computação da Universidade de Brasília. Naquela época, o referido professor já estava envolvido na discussão em torno da questão e trazia a problemática com alguma frequência para discussão em sala de aula.
O RDV não serve a nenhum propósito prático, além de permitir a violação do sigilo do voto caso seja projetado e implementado de forma insegura”
G1 – O teste da sua equipe conseguiu reordenar os votos registrados no RDV. O que está presente no RDV, quem tem acesso a ele e por que a ordem deve ser embaralhada?Diego Aranha - O Registro Digital do Voto (RDV) é uma tabela que armazena desordenadamente os votos propriamente ditos inseridos pelos eleitores na urna eletrônica. O objetivo desse embaralhamento dos votos é desassociar a ordem em que os votos foram inseridos da ordem em que foram armazenados.
O RDV foi introduzido no lugar do voto impresso para supostamente permitir a mesma capacidade de verificação independente dos resultados da urna. Por essa razão, é um documento público disponibilizado para os partidos após as eleições. Entretanto, enquanto o voto impresso permite de fato a verificação independente dos votos computados eletronicamente, o RDV é produzido pelo mesmo componente de software que produz o Boletim de Urna (BU) contendo os totais de cada candidato computados pela urna. Desta forma, qualquer ataque que comprometa a integridade do BU pode também comprometer o RDV.
Deve-se assumir que potenciais fraudadores conhecem os sistemas envolvidos em seus mínimos detalhes, mesmo porque absolutamente nada impede que os ataques partam de agentes internos.
Pode-se concluir, portanto, que o RDV não serve a nenhum propósito prático, além de permitir a violação do sigilo do voto caso seja projetado e implementado de forma insegura.
G1 – Seria possível ter conseguido o que vocês fizeram sem o acesso ao código fonte? O erro que havia no registro do RDV era complexo ou amador?
Diego Aranha - Não teria sido possível com o curto limite de tempo disponível para os testes — em torno de apenas 6 dias, divididos em fases de preparação e avaliação. Ainda assim, não se pode assumir que a segurança do RDV ou qualquer outro componente do sistema eletrônico de votação depende exclusivamente da confidencialidade do código-fonte ou dos detalhes técnicos dos mecanismos de segurança que os protegem.
Segurança advém de simplicidade de transparência. Para tanto, deve-se assumir que potenciais fraudadores conhecem os sistemas envolvidos em seus mínimos detalhes, mesmo porque absolutamente nada impede que os ataques partam de agentes internos. A área de Segurança da Informação utiliza essa noção de segurança há quase 130 anos.
A vulnerabilidade presente no projeto e a implementação do RDV que utilizamos para reconstruir a lista dos votos em ordem reproduzia fielmente outra vulnerabilidade encontrada sem ajuda de código-fonte em 1995 por calouros da Universidade de Berkeley na versão 1.1 do navegador Netscape.  O software da urna eletrônica, de natureza muito mais crítica que um simples software comercial, possuía um erro conhecido há pelo menos 17 anos.
Em termos mais técnicos, a urna utiliza um gerador de números pseudoaleatórios para produzir a ordem de embaralhamento dos votos. A segurança desse gerador depende de suas características estatísticas e da aleatoriedade e sigilo de sua semente. O software da urna não só utilizou um gerador de baixa qualidade estatística, como também utilizou uma tomada de tempo claramente não-aleatória com resolução de segundos para alimentar o gerador de números pseudoaleatórios.
Além disso, esta tomada de tempo era tornada pública tanto nos logs quanto na impressão da chamada zerésima. A vulnerabilidade encontrada advém, portanto, da utilização de uma técnica criptográfica fora de seus limites de operação.
G1 – Até que ponto você entende que o sigilo do voto foi comprometido?
Diego Aranha - Para violar completamente o sigilo do voto, é preciso se recuperar a lista em ordem dos votos e a lista em ordem dos eleitores.
Após o fim dos testes no TSE, também recebemos a informação de que a urna registra em arquivo de acesso público a hora em que cada voto foi computado. Nossa metodologia é capaz de recuperar a lista em ordem dos votos e, se associada ao horário em que cada voto foi computado, também as escolhas de um eleitor que votou em um determinado horário. Para se fazer a correspondência completa entre as identidades dos eleitores e suas escolhas durante a votação, é preciso apenas que se monitore a ordem de votação dos eleitores ou a hora em que tiveram acesso à urna eletrônica.
Entretanto, eu gosto de ver a questão por outro ângulo: derrotamos o mecanismo de embaralhamento do votos para armazenamento no RDV, única medida tomada pelo software da urna eletrônica para proteger o sigilo dos votos.
G1 – O número do título de eleitor ou outro documento que o identifica é armazenado na urna? Ele poderia ser atrelado ao voto?
A lista de títulos de eleitores habilitados para aquela seção eleitoral é armazenada dentro da urna eletrônica, para controle de comparecimento e para permitir que o mesário libere o acesso à urna apenas com um título de eleitor válido. Existe um período de tempo, após a liberação da urna pelo mesário e até o término da interação entre eleitor e urna eletrônica, em que essas duas informações precisam estar presentes simultaneamente na memória do equipamento.
A vulnerabilidade encontrada no embaralhamento do RDV utiliza uma função que produz alertas até nas ferramentas de análise gratuitas e mais primitivas.”
Recuperar essa correspondência durante esse período de tempo requer acesso ao ambiente interno à urna ou inserção de um programa malicioso que faça o registro permanente da informação. Durante os testes, estávamos concentrados em metodologias de ataque não-invasivas e que não deixassem nenhum vestígio, por isso optamos por analisar apenas os produtos públicos de uma votação oficial.
G1 – Como você avalia o procedimento de testes elaborado pelo TSE e a avaliação que a comissão fez do teste que vocês realizaram?Diego Aranha - A iniciativa de organizar os testes é muito louvável, pois permite a fiscalização e avaliação da segurança do sistema por investigadores independentes. Entretanto, o tempo disponibilizado é muito curto para se executar qualquer metodologia sofisticada. Observe que potenciais atacantes podem, a partir de poder econômico ou político, desfrutar de um período de tempo muito maior para tentar organizar uma fraude em pequena ou larga escala.
Enquanto inicialmente o TSE se manifestou de forma extremamente positiva à contribuição que demos ao aperfeiçoamento do sistema, a Comissão Avaliadora do evento, apontada pelo próprio TSE, optou por penalizar significativamente nossa participação. Por exemplo, nossa metodologia foi qualificada como tendo objetivo de causar uma falha ao invés de uma fraude no sigilo ou integridade de uma votação eletrônica. Entretanto, nossa urna eletrônica não apresentou nenhuma falha e funcionou durante seus limites de operação por todo o tempo. Não seguimos nenhum procedimento que não seria realizado em uma votação oficial.
Como resultado, fomos premiados ainda em primeiro lugar, mas com uma pontuação pífia de 0.0313 numa escala que vai de 0 a 400.
G1 – Existe mais alguma questão técnica da urna que merece atenção?
Diego Aranha - Encontramos no software da urna eletrônica uma série de práticas indesejáveis do ponto de vista de segurança. Por exemplo, todas as mídias são cifradas com a mesma chave criptográfica. O vazamento desta chave criptográfica por uma única vez abre simultaneamente todas as mídias de todas as urnas para inspeção e possível manipulação por parte de agentes mal-intencionados. Curiosamente, essa chave criptográfica estava declarada no código-fonte e acessível para qualquer um dos investigadores.
O maior problema do sistema de votação eletrônica no Brasil é a carência de qualquer forma que permita ao eleitor verificar que seu voto foi computado corretamente”
A integridade de parte do software da urna eletrônica também parecia não estar sendo verificada, por conta da desativação de uma linha crítica do código-fonte. As máquinas dedicadas à exibição do código continham também informações de usuários, senhas e servidores na rede interna responsáveis pelo versionamento do software desenvolvido.
Além disso, também observamos algoritmos obsoletos (não-recomendados desde 2005) ou funcionando fora de sua especificação e com implementações repetidas diversas vezes ao longo do código, o que em muito dificulta uma auditoria do seu funcionamento correto.
Por fim, verificamos também que não existe a utilização frequente de ferramentas de análise de código-fonte, visto que a vulnerabilidade encontrada no embaralhamento do RDV utiliza uma função que produz alertas até nas ferramentas de análise gratuitas e mais primitivas.
Em relação ao processo de desenvolvimento do software, detectamos na interação com o pessoal técnico do TSE uma preocupação exagerada com atacantes externos, quando acreditamos que atacantes internos possuem uma possibilidade muito maior de executar fraudes em larga escala.
A equipe já se colocou à disposição do TSE para ministrar palestra tratando especificamente dos problemas encontrados, mas até agora não houve convite concreto para tal.
G1 – E o processo eleitoral brasileiro como um todo – como você avalia? O que deveria melhorar?
Diego Aranha - Os testes se concentraram na urna eletrônica, mas gostaria de que a mesma metodologia permitisse a investigadores independentes avaliar a segurança de outros componentes do sistema eletrônico de votação, como o totalizador centralizado dos Boletins de Urna. Ataques a outros componentes do sistema podem não só atrasar significativamente a apuração e divulgação dos resultados como fragilizar a confiabilidade e reputação da autoridade eleitoral.
Em termos mais gerais, o maior problema do sistema de votação eletrônica no Brasil é a carência de qualquer forma que permita ao eleitor verificar que seu voto foi computado corretamente. No modelo de urna eletrônica atualmente adotado no Brasil, a integridade do resultado das eleições depende unicamente da integridade do software de votação que é executado dentro da urna. Já foi mostrado que esse software é como qualquer outro, passível de vulnerabilidades.
Portanto, é imprescindível que seja introduzido algum mecanismo para verificação independente da integridade dos resultados. A proposta do voto impresso, ou voto verificável pelo eleitor, consiste exatamente em produzir uma versão materializada do voto em algum veículo que permita contagem posterior sem permitir simultaneamente que o eleitor possa comprovar sua escolha para uma terceira parte interessada.
A contagem dos votos impressos pode ser feita por amostragem apenas, sem impacto significativo na velocidade totalização dos resultados eletrônicos. Esta é forma mais simples e compatível com o sistema atual para se permitir a verificação da integridade do resultado, independente da integridade software, para que assim a urna brasileira satisfaça a requisitos mínimos e plausíveis de segurança.
Outro ladoO TSE foi consultado pelo G1 sobre as principais observações feitas pelo Prof. Dr. Diego Aranha e se defende das alegações. Veja a íntegra do posicionamento do TSE.
G1 – As mídias eletrônicas onde são gravados todos os votos das urnas eletrônicas é cifrada pela mesma chave. Isso é verdade?
TSE – 
A utilização de criptografia é apenas uma de inúmeras barreiras de segurança.
A afirmação de chave única, se vista isoladamente, não procede. A cada eleição, o TSE gera e cifra uma única desse sistema de arquivos que é gravada nas mais de 400 mil urnas eletrônicas. Por critério de segurança, esta mídia é cifrada por uma única chave, com o objetivo de evitar ataques criptoanalíticos baseados em estimadores estatísticos. Portanto, qualquer outro procedimento, como o de utilizar-se de várias chaves para cifrar o mesmo conteúdo com o objetivo de prover sigilo, torna por si só o resultado fragilizado. Por esse motivo, a cada eleição, o TSE gera uma chave que é utilizada para manter sigilo da mídia que é gravada em cada Urna.
G1 – O professor Diego Aranha diz que gostaria que houvesse testes também no sistema que totaliza os votos dos boletins de urna. O TSE pretende realizar algo nessa linha?
TSE – Ao final de cada votação, ainda na seção eleitoral, a urna imprime em até 20 vias o resultado da votação naquela seção. Esse relatório chama-se Boletim de Urna (BU) e algumas dessas vias podem ser entregues aos fiscais dos partidos. Nesse momento, o resultado da urna se torna público.
Desta forma, torna-se simples a verificação da integridade da totalização das eleições. Isso porque os fiscais de partido podem comparar essas cópias impressas dos Boletins de Urna de cada seção eleitoral com o resultado recebido, totalizado e publicado pela Justiça Eleitoral (disponível na Internet). Assim, a simples comparação do resultado recebido pelo fiscal e o processado na JE é suficiente para qualquer interessado criar sua própria totalização e verificar individualmente o resultado de cada urna eletrônica.
G1 – Ainda segundo o professor, o TSE coloca uma preocupação muito grande na atuação de agentes externos ao processo. Quais as medidas que o TSE tem tomado para evitar a ação de agentes internos (colaboradores e  funcionários do próprio TSE)? Quem tem acesso à chave usada para cifrar as mídias (pergunta 1)?
TSE – A segurança do sistema eletrônico de votação não depende somente de pessoas, ela permeia todo o processo, desde o TSE até os tribunais regionais e cartórios eleitorais, e se baseia na utilização em conjunto e em vários momentos de técnicas de criptografia, assinatura digital e segregação de funções. É inviável que agentes internos realizem fraudes sem o registro de rastros para a auditoria.
G1 – O professor disse também que uma linha importante do código fonte estava desativada durante a análise permitida aos investigadores. Essa linha, segundo ele, era responsável por verificar a integridade/autenticidade do software. O TSE sabia que essa linha estava desativada?
TSE – O TSE não pode emitir opinião por desconhecimento do conteúdo da alegação, uma vez que não está presente no relatório do professor sobre o teste.
G1 – O professor Diego defendeu a introdução de um mecanismo de impressão do voto por amostragem, como proposto em lei. Essa legislação está atualmente suspensa por decisão do STF, se não me engano. O TSE tem alguma posição sobre a impressão do voto conferível pelo eleitor?
TSE – Na mesma audiência pública citada anteriormente, o Prof. Walter Carnielli (matemático e filósofo, CLE e IFCH-UNICAMP) fez uma apresentação intitulada “Sistema de votação, falsa segurança e a qualidade da democracia”.
Nesta apresentação, o Prof. Carnielli demonstrou que existe  um  balanço delicado entre privacidade (sigilo) e verificabilidade (verificação do voto eletrônico com outro meio duplicado, no caso o voto impresso) nas votações eletrônicas.
Segundo ele, as urnas do tipo das utilizadas atualmente nas eleições brasileiras (tipo DRE ou Direct-Recording Electronic) seriam passíveis de perfeita privacidade, embora com menor verificabilidade. Carnielli afirma que é matematicamente impossível atingir privacidade e verificabilidade absoluta e que, portanto, não há sentido na crítica de que “pesa a mão” apenas na verificabilidade (falta do voto impresso).
A pretensa solução defendida na legislação suspensa pelo STF, oferecia apenas  uma falsa  (e cara) sensação de segurança, como mostrou Carnielli.  Não há qualquer critério sobre como seriam escolhidas as urnas da amostragem de cada Zona Eleitoral, nem se leva em conta a distribuição das urnas no país. Sem um estudo amostral de aleatoricidade, o voto impresso dará uma segurança ilusória de credibilidade a um custo extremamente alto.
Um equívoco muitas vezes repetido é a afirmação de que a “urna eletrônica brasileira é de segunda geração”, comparando-a com as urnas  argentinas e peruanas que  seriam de  “terceira  geração”. A própria noção de ‘geração’ tem origens comerciais, nas empresas que vendem ao Peru e à Argentina suas urnas, e não tem nenhum fundamento mais profundo.
Querer enfatizar um dado comercial ou o fato de se ter descoberto, num teste público, uma fraqueza  técnica que pode ser  consertada e a partir daí defender  medidas  sem a devida cautela é ameaçar a democracia.
Glossário
  • Agentes internos: colaboradores, funcionários e pessoas ligadas à própria empresa ou instituição; se diferenciam dos agentes externos, que são pessoas de fora.
  • Algoritmo – Sequência lógica e matemática executada por um software para realizar um determinado cálculo, processamento ou decisão automatizada.
  • Chave criptográfica - Como uma chave comum é capaz de abrir uma porta, a chave criptográfica é o “segredo” que um computador precisa conhecer para acessar (decifrar) dados cifrados.
  • Cifrar – Procedimento de segurança que torna uma informação ilegível para pessoas que não tenham a chave de acesso (chave criptográfica).
  • Integridade de software: Um programa de computador, como o que opera a urna eletrônica, pode sofrer alterações não autorizadas. Checagens de integridade garantem que o software em uso é idêntico ao que foi desenvolvido e autorizado para distribuição.
  • Log: Arquivo que registra eventos, incidentes e outras informações técnicas sobre um sistema ou software. Costuma trazer a hora e a data de quando algo aconteceu. O “histórico” do navegador de internet, que registra as páginas visitadas, é um tipo de log.
  • Semente: Computadores não podem “gerar um número qualquer”. Quando isso é necessário, usa-se um “gerador de números pseudoaleatório”, que retorna uma sequencia programada e previsível (não aleatória) de números. No entanto, quando um valor especial é fornecido para servir de base aos cálculos do gerador, os números serão diferentes, criando uma variação imprevisível sem o conhecimento do valor. Esse valor especial é chamado de “semente”.
  • Versionamento - Controle de alterações (versões) de um documento ou código fonte de um software para facilitar o trabalho em equipe. Em ambientes de desenvolvimento, programadores acessam o software de versionamento para baixar códigos, efetivar alterações e tomar conhecimento de modificações realizadas por outros colaboradores.
  • Zerésima: Relatório emitido pela urna para provar que ela está zerada antes da votação.

quarta-feira, agosto 29, 2012

São Luís: Kit de banho 400 anos



A falta de água tratada em São Luís é fruto da perversidade dos poderes executivos e da omissão-cúmplice de diferentes autoridades nas diversas esferas do Poder Público. Não estamos em região desértica e o estado conta com vários rios perenes. A Prefeitura e a Câmara Municipal não podem continuar ignorando o fato que esse serviço de abastecimento de água é uma concessão. Isso é uma absurdo. Banhar regularmente debaixo de um chuveiro virou um luxo e só para os cidadãos incomuns. Nós, mortais e "cidadãos" comuns... estamos condenados ao KIT. Basta!!!!

terça-feira, agosto 28, 2012

O Ministério do Turismo e nós.



São Raimundo dos Mulundus - resistência dos grupos sertanejos. Primeiro quiseram colocar uma máscara branca no santo Negro... depois, sucessivamente quiseram apagar a imagem do vaqueiro negro milagreiro, santo, mas nada disso funcionou. O p
ovo firmemente comemora o Raimundo vaqueiro. 

Pergunto: o que importa o ministro do turismo ser maranhense? Não defendo privilégios. Porém, nessa área... estamos no patamar do descaso. O senhor ministro maranhense, deveria, sem privilégios, nos tratar normalmente.. como os demais estados da federação. Onde está o incentivo ao turismo de eventos? 

Ano após ano esse festejo atrai pessoas de diversos estados e dos demais municípios maranhenses. Mas sempre acontece na forma de sacrifício. É uma celebração popular de homens e mulheres vinculados à religiosidade sertaneja. Quem nunca viu.. precisa ver. Tem que conhecer a romaria dos vaqueiros na Paulica. 



Apesar da tradição, grandiosidade e beleza... nunca recebeu a atenção governamental devida. Sobrevive porque esses cidadãos são incansáveis em resistir contra os que tentam ignorar e desprezar seus sentimentos e expressões culturais. 

O Festejo tem um enorme potencial turístico e essas pessoas merecem respeito, o nosso povo precisa ser valorizado. Esse evento já devia ter entrado no calendário turístico brasileiro, como turismo de evento. Porém, todos anos são as mesmas precariedades e dificuldades de realização e funcionamento: água, banheiros, segurança, sinalização...
Na foto: barracas montadas para o dia da cavalgada, que ocorre no povoado Paulica (já aconteceu). O festo ocorre entre os dias 22 - 31 de agosto.
Por que não valorizar essas manifestações?

sábado, agosto 25, 2012

Caos-Telo é o plano A de Sarney


CAOS - 1. Confusão dos elementos antes da criação do universo; 2. [figurado] Confusão; 3. Desordem; 4. PERTURBAÇÃO.
TELO - 1. (grego telos, -eos, fim, conclusão). Exprime a noção de FIM. 

Cidadãos de bem e militantes de esquerda e outras denominações anti-direita, anti-capitalista estão cometendo o erro de desconsiderar o contexto e estão tradando a política como tudo ou nada. Eis que muitos desencantados por partidos políticos e pela opções de candidatura tentam  se manter na coerência com a prática do Voto Nulo. Isso, nesse momento, é mais uma justificação pessoal do que uma ação política transformadora. É um direito, faz parte da liberdade de poder optar livremente e manifestar sua opinião. No entanto, a disputa por poder ninguém consegue imunidade por força de excentricidades. O preço recai sobre a totalidade, que essas partes, indistintamente, compõe. Estão inseridos nesse mesmo mundinho em que incidirão os efeitos da vitória de uns ou de outros. Basta ver que não há nenhum indício e condições para romper com o modelo, nada em questão aparece como crise total do sistema. Logo... a indiferença não vai fazer o sistema deixar de ser reproduzido. A vasta maioria do componente social ainda o está legitimando e participando dele. Nem Dom Quixote teria tal visão da realidade. 

Diante disso, é cabível fazer referência a um fato recente da história, particularmente às eleições para Presidente da França de 2002. Naquele momento 28% dos franceses praticaram a abstenção. No dia seguinte, os socialistas e os mais radicais de esquerda tomaram café com o seguinte resultado: Jacques Chirac 20% (Conservador de Direita), Le Pen 17% (Radical de Extrema Direita). Foram os dois mais votados do primeiro turno, credenciaram-se assim para disputar o segundo turno. Detalhe: Le Pen simplesmente é xenófobo, racista, homofóbico etc. 

Os franceses logo viram o preço da indiferença. Porém, saíram às ruas e deram mais um exemplo ao mundo. Os socialistas e as diversas frações de esquerda juntaram-se no propósito de fazer o VOTO ÚTIL para derrotar Le Pen. Isso evidenciou bastante que nesse modelo de política não é tudo ou nada. Alguma coisa é sempre alguma coisa. A questão era evitar o pior. Assumiram a opção estratégica e responsável de evitar o que mais feria seus valores. Le Pen foi derrotado. 

A quem interessa o VOTO NULO nesse contexto eleitoral de São Luís? Quem é o mais favorecido? A resposta tem um duplo, mas uno beneficiado. O duplo são os compadres José Sarney e João Castelo. O uno o poder político conservador, mandonista e residual da Ditadura. 

Castelo não é a oposição a Sarney, trata-se do criador e da criatura, pertencem ao mesmo campo político, comungam a mesma mentalidade e agem igualzinho. Mesmo que estejam "brigados" são parceiros. 

Castelo é o Plano A de Sarney, não é Washington, nem Tadeu. É assim que ele garantirá as condições favoráveis para sair com vantagem para 2014. Sarney já viu que Castelo ajudado pela maquina estadual, em segundo turno, vence. Vide o governo Jackson. 

Os blogues sarneístas, sim, são partidários, começam a enaltecer a solidez de Castelo e, propositadamente, as pesquisas deles começam a mostrar queda na rejeição desse candidato. Aí está a trama para induzir o voto, produzir efeito mecânico. Produzir no imaginário popular o "vai ganhar mesmo". 
Castelo não pode mais ir crescendo. Quem perderia mais voto para ele crescer? O número de indecisos já está indo para casa dos 10%. De onde tirar voto para ele crescer se depois do terceiro colocado o percentual declina consideravelmente? A chave foi apresentar queda na rejeição para preparar terreno para o segundo turno, a justificação para 50+1 (%) dos votos. Para Castelo subir nas próximas pesquisas de opinião vão ter que definhar alguém: Tadeu, Eliziane, Washington ou Edivaldo. Fica a pergunta: qual justificativa ou fato provocaria essa migração dos votos desses candidatos para Castelo? 

Caso contrário, Castelo, nas próximas pesquisas, vai começar a cair, mas isso é mais difícil operar, tratando-se que é o candidato com o maior número de voto-fiéis. Além disso,  só caberia, sem alarde, uma queda na margem 6%, no máximo. A não ser que aconteça algo muito, muito bombástico contra ele. Um fato novo e ruidoso. Isso poderia provocar  efeito mecânico, direcionando o voto para outro candidato. O mais provável e o que parece já estar sendo feito é manter Castelo estagnado com esses percentuais, ir diminuindo a rejeição dele e esperar o segundo turno, onde por debaixo do pano a família Sarney irá dar o empurrão que ele precisa para vencer no segundo turno. Nada mais que uma retribuição ao favor feito por Castelo, por debaixo dos panos, à Roseana, visando claramente derrotar Flávio Dino. Quem pode atrapalhar os planos da família Sarney em 2014? Eis o plano A de armação. 

O comandante Washington vai cumprindo sua penitência (para não usar outro termo), com as aparições constante de Roseana, vai atrair toda a ira anti-Sarney. Se não aparecer com uns pontinhos a mais nas próximas pesquisas, fica caracterizado que ele não está só cumprindo as funções de BARRAR BIRA e distrair a atenção para que Castelo possa pousar de anti-Sarney, mas que está sofrendo mais uma humilhação dos Sarney. Qual o outro objetivo de colocar o vice-Governador nessa situação? Provar sua impopularidade e o forçar a desistir de assumir governo quando Roseana sair para se candidatar a senadora. Caberia a ele a prebenda de uma cargo vitalício no Tribunal de Contas. Com todo respeito ao vice-Governador, mas é o que o contexto está mostrando. Cadê os caros de som de Washington? Quantos você já viu na rua? Cadê o núcleo da militância sarneísta? Onde estão os mais graduados articuladores do sarneísmo nessa campanha? Não estão! Blogues sarneístas estão minando o Vice dia a pós dia, nas entrelinhas e em linhas inteiras. É só ler atentamente. 

Cabe aos que se consideram puros, ilibados, progressistas e de esquerda pensarem no caso francês, não vivem enaltecendo a fundação francesa (?), e praticar firmemente  VOTO ÚTIL. Depois é só viabilizar candidaturas mais probas, mas agora é isso!!! 




sexta-feira, agosto 24, 2012

Caos na ilha da Serpente: ingratidões e perversidades


Aproxima-se a data dos 400 anos de São Luís. Muito falatório, propagandas e, pasmem, um enorme circo. Sim, a cidade será transformada em um verdadeiro circo, promovido pelos Governos Estadual e Municipal. O primeiro, ocupado pelo mesmo grupo há 46 anos, vai utilizar a fórmula circo e circo, tão construída por eles. O segundo, ocupado por um dissidente que, em nada, fica atrás do seu mentor, muito pelo contrário, o supera em diversos níveis. Esse está aplicando a fórmula do absurdo. Quanto mais distante e destoante da realidade melhor. 

No meio desse jogo de cena dos compadres, Sarney e Castelo, está o povo, cada cidadão dessa cidade que sofre diariamente com a falta de água, de saneamento básico e quase todos os serviços básicos... Deficiente e absurda é a capitação e destinação dos esgotos e o tratamento é quase inexistente. Não bastando isso... alarga-se a questão do lixo, deficiente tanto na coleta quanto no destino, que conta com um aterro com   a capacidade já praticamente esgotada. 

Entretanto, as deficiências administrativas e entraves políticos não param por aí. São Luís tem um sistema de transporte coletivo ruim e totalmente inadequado para a configuração da cidade, que pouco sofreu intervenções planejadas, de caráter mais global e que desse melhores condições de trafegabilidade e acessibilidade. 

O transporte coletivo é todo feito por ônibus (ruins, velhos e sujos), complicando ainda mais o trânsito nessas avenidas e ruas estreitas. Com a sobrecarga de veículos particulares nas ruas, em boa parte pela ausência de um sistema de transporte coletivo de qualidade, inviabiliza a ampliação da frota de ônibus, o que geraria mais engarrafamentos e lentidão no trânsito. Isto é, o que existe hoje é insuficiente para a demanda. Principalmente para quem precisa ir para o trabalho em transporte público.

A medida adotada de criar terminais de integração  tem se mostrado ineficiente e onerosa, o custo da manutenção dos terminais é alto e a entrada e saída dos ônibus desses terminais aumenta muito o tempo de viagem. 
Completando o caos desse modelo de transporte, durante o percurso dos ônibus não existe disciplinamento e planejamento mais racional das paradas, não há paradas seletivas nem de interligação. Todos os ônibus param nas mesmas paradas ou em locais não sinalizados. As paradas podem servir de núcleo de integração e o passageiro só pagar uma passagem, basta adaptar as paradas e adotara a bilhetagem eletrônica. 

Para quem está na condição transeunte, andando a pé, enfrenta todo tipo de dificuldades.  Faltam calçadas, algumas calçadas são ocupadas por carros, desnível de calçada, artefatos de contenção: grades, tocos, barras de ferro etc. Em diversa avenidas, tais como Holandeses e Jerônimo de Albuquerque tem centenas de metros sem calçada, o que dificulta o deslocamento de quem está a pé. Em alguns trecho, não falta só a calçada, mas o espaço está tomado por mato ou entulho. Em diversas áreas de concentração comercial e de difícil travessia não existem passarelas, nem passagem subterrâneas. 

Para quem se arrisca, é isso mesmo, quem se arrisca andar de bicicleta as dificuldades são muitas e perigosas. Não existem ciclovias e nem há um projeto de adequação das avenidas para isso. A violência no trânsito avança a cada dia. Condutores de carros que não respeitam as sinalizações mínimas e muito menos respeitam os ciclistas. Para aumentar o problema do trânsito existem uma quantidade significativas de condutores de moto sem o menor preparo, conduzido alguns desses veículos sem respeitar qualquer sinal. Está em curso um processo de multiplicação dos acidentes.

Sobre o trânsito também podemos dizer que a sinalização é precária e extremamente mal planejada. Existem semáforos cuja função é só gerar multas ao condutores. Já em outro trechos, não existe um só. Essa forma desorganizada e não planejada de sinalização é dos provocadores de acidentes e congestionamento em diversos pontos da cidade, por exemplo avenida Guajajara, Jerônimo de Albuquerque, São Luís Rei de França. 

Como se não bastasse a sinalização deficiente e imprópria a estrutura viária é arcaica, precária e caótica. Continuações de ruas e avenidas tem sido interrompidas por condomínios, casa e prédios comerciais, o que tem impedido novas interligações e sobrecarregando vias de alto fluxo, exemplo, o Turu, onde os condomínios foram construídos de forma aglomerada sem serem intercalados por novas vias.

Os cruzamentos das grandes avenidas não dispões de intervenções que eliminem os cruzamentos, os elevados feitos foram pessimamente projetados, verdadeiros atestados de incapacidade técnica. Hoje os maiores engarrafamentos são nesses elevados. Faltam viadutos e vias elevadas para que o trânsito flua normalmente.  Mas tem uma necessidade séria e que ninguém trata: o alargamento de ruas e avenidas. Inexiste qualquer propósito dos governantes de indenizar prédios e moradias em alguns trechos e eliminar com afunilamentos e gargalos que existes em pontos crucias, tais como no Anil, entre a faculdade  Cest e a Rotatória da Cohab, a ponta da avenida do Barramar, que dá acesso à Litorânea, o trecho entre a avenida 04 da Cohab e a estrada da Maioba etc. 
A cobertura asfáltica e as demais formas de calçamento precisam de reparos sérios, com serviços integrados de pavimentação e drenagem. O Jardim São Cristóvão é desses exemplos. Existem verdadeiras lagos nas ruas desse bairro, e o revestimento asfáltico não sustenta por falta de drenagem, meio fio e canaletas. 

Por último, na contramão de um desenvolvimento sustentável, João Castelo resolveu encimentar as calhas naturais dos rios e os condenar a serem canais de esgoto. Ao invés de retirar os esgotos de dentro dos rios, a prefeitura está transformando os rios em puro esgoto. Verdadeiros atentados ambientais e confirmação de uma mentalidade atrasada e em descompasso com o tempo.  

São Luís não possui nenhuma avenida que com uma arborização adequada e que seja paisagisticamente interessante. Faltam árvores na nossa cidade. O modelo de jardinagem implantado por Jackson/Tadeu vem sendo seguido por Castelo. É caro, não causa grande impacto na paisagem, aliás... pouco são notados. A consequência maior é para os cofres públicos, pois são milhões já gastos nesses canteirinhos com essas plantas exóticas. Hoje os cidadãos dessa cidade não dispõem de uma só área verde equipada para a prática de esporte e lazer. Não existe nenhum investimento nesse sentido. Não existe vontade e nem ideia. O atraso complementando a ganância. 

Os moradores de São Luís estão condenados a ter como locais de passeio as prais e as praças de alimentação dos shoppings. Esses últimos de arquitetura de mal gosto e de acabamento deficiente. Vide o desabamento do teto, alagamento e incêndios que já ocorreram no interior desses estabelecimentos. As prais estão tomadas de fezes. As construtoras não só construíram sobre falésias e dunas, não satisfeitos com isso, lançaram o esgoto dos condomínios in natura nas praias. A taxa de coliforme fecais é alta.  São Luís está em uma ilha de estuário o que complica mais a situação, pois isso afeta diversos ecossistemas. 

O abastecimento de água de São Luís é uma vergonha, mais vergonhosa é o sucateamento da CAEMA e a contratação de carro pipa para fazer abastecimento, alguns ex-carros de transportar combustível. Pode? O tanque é o mesmo. Pois bem, essa carência de água é fruto da incompetência, do descaso e da pura e absoluta perversidade. O sistema do Batatã pode ser ampliado e pode se fazer outros reservatórios desse tipo com fontes perenes de água ainda existentes na ilha. O sistema Italuís pode ser complementado com capitação de água de outros rios menores, criando um sistema interligado. Três grande rios correm na direção da Ilha: Itapecuru, Pindaré e Mearim. Isso é um privilégio e não se justifica faltar água nessa cidade de São Luís. Faltou investimento e compromisso com coisa pública. A estratégia é descredibilizar a CAEMA, colocar a população em um situação de calamidade e depois privatizarem. Adivinhem que vai privatizar... 

Porém, essa situação não persiste sem cumplicidades e omissões. O poder público municipal, o Executivo também é responsável por isso. Esse serviço de captação, tratamento e distribuição de água é uma concessão. Cabe ao poder público municipal questionar a qualidade dos serviços prestados. Soma-se a isso a inoperância e cumplicidade do poder Legislativo Municipal, que efetivamente não buscou defender os interesses da população. É uma irresponsabilidade produzida pelo criador e a criatura. Tudo isso é a somatória desses fósseis políticos, herança da ditadura. Diversas cidades brasileiras já abriram licitações e já trocaram de empresa, visando a qualidade desse serviço.

A necessidade de mudar os representantes.


quinta-feira, agosto 23, 2012

O que Castelo não disse no Horário Eleitoral: rio Gangan





Como prometi... Aqui está algo contrário ao que foi dito no horário eleitoral gratuito. Primeiro, a omissão. No programa do atual prefeito não foi dito que a obra no rio Gangan tem Recursos Federais no valor R$ 7.687.626,11... do Ministério das Cidades, parte do PAC 2.

Segundo, a propaganda diz que TODO o rio Gangan recebeu obras, na placa diz "trecho" e na realidade, para quem quiser ver.... o rio continua seu curso para além desse trecho em obras. Basta ver as fotos.  Essa parte da "ponte" fica no prolongamento da avenida Mato Grosso, pós cruzamento com a Rua Gal. Arthur Carvalho, no Turu. 


Terceiro, por diversas vezes a Prefeitura vinculou propaganda falando de uma ponte para completar a ligação entre a Estrada da Vitória e a rua Gal. Arthur Carvalho. Obra importante e que facilitaria o acesso entre Turu e a Cohab/Cohatrac. Mas nunca foi feita... só existe enquanto promessa. 


Eis o que há no local. Apenas duas bases inacabadas, abandonadas no local... Não existem equipamentos no local, nem qualquer pessoa trabalhando. A ponte que existe é essa de madeira, improvisada pelos moradores. Observem.. o jumento entre as duas bases. Será que o lombo desse animal é a ligação entre as duas bases? Absurdo essa propagando do prefeito.


Essa obra de concretamento da calha do rio não tem nada de sustentável como anuncia na placa. A calha natural, não impermeabilizada, é mais vantajosa, conforme estudos recentes feitos por urbanistas. Além de manter a vegetação e plantas que servem para limpar a água, há infiltração, absorvendo parte do volume da água no subsolo. A calha natural também reduz a velocidade da água durante o escoamento... quando ocorre enchentes. Na calha concretada a água escoa muito mais veloz e torna-se mais destrutiva. Por outro lado, não tendo infiltração e com a crescente impermeabilização das margens, essas calhas alteradas tendem a transbordar mais rapidamente durante o período de chuvas.


Além disso, é um absurdo condenar um rio a ser um canal de esgoto. Por que não construíram galerias e tubulações para receberem os esgotos domésticos? Por que não buscaram livrar o rio dessa poluição por esgoto? 


A placa diz que 10 mil famílias serão beneficiadas. Vejam essa rua paralela ao canal e bem próxima dessa placa. Que benefício as famílias das crianças que estudam nessa creche estão tendo? Como chegar nessa cheche? Isso você não viu nas imagens aéreas sobre as obras do rio Gangan. Faça uma visita e tire suas dúvidas.

 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...