segunda-feira, novembro 14, 2011

Canção para ir para o exílio (ou para se asilar de vez)



CANÇÃO PARA IR PARA O EXÍLIO
(OU PARA SE ASILAR DE VEZ)

Minha terra tem pilantras,
Onde ninguém pode sonhar.
As verbas que aqui chegam
Nem chega a se aplicar,
Pois são abafadas pelas mãos grandes,
Viciadas em ocultar.

Nosso céu não tem lá essas estrelas;
Nossas várzeas estão sem flores,
Nossos bosques têm poucas vidas,
Porque foram devastados
Para soja e eucalipto se plantar.

“Em cismar, sozinho, à noite,”
Mais falcatruas eu encontro cá;
Minha terra tem palmeiras importadas
Plantadas nas rotatórias,
Mas só para as verbas desviar.

Minha terra tem picaretas e lacaios
Que não encontramos em outro lugar;
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais safadeza encontro cá.

“Não permita Deus que eu morra,”
Sem que veja o povo se libertar
E que coisa pública sirva
Para a vida do povo melhorar.

Obs.: Texto composto sem a menor preocupação com métrica, com todas as licenças poéticas possíveis e sem nenhuma certidão do “politicamente” correto.


sexta-feira, novembro 11, 2011

SER ANTI-SARNEY NÃO É ATESTADO DE IDONEIDADE MORAL NEM DE COMPETÊNCIA



Algumas carreiras políticas no Maranhão são mantidas graças ao manto sagrado do anti-saneísmo. Por conta disso, muitos são os que se sentem desobrigados de defender qualquer outra causa, de ter projetos ou princípios. O anti-sarneísmo é posto como recurso de uma autolegitimação e unção de imunidade. Esses seres "especiais" não precisariam fazer mais  nada (pensam eles), já que tudo é explicado e justificado a partir desse ofício de ser anti-Sarney. 

Poucos tiveram a coragem, até agora, de dizer que anti-sarneísmo não é suficiente para tornar alguém politicamente melhor que os Sarney. Além disso, ser anti-Sarney não é garantia de idoneidade moral, nem de competência. O que tem esse anti de próprio e particular? Qual seu conteúdo? Esse anti tem sido não mais que marketing pessoal de alguns indivíduos. Ser anti fica desobrigado de responsabilidades, deveres? Não responde por seus atos? 

O anti-sarneísmo é, em boa parte, somente o outro lado do sarneísmo, não é contestação autêntica e tão pouco sua superação, mas sua perpetuação pelo avesso. Não chega nem a ser alteridade. Na verdade, esse tipo anti por ofício é organicamente modelado pelo próprio sarneísmo. Isto é, não passa de produto puro e completo do mandonismo sarneísta. O "anti" carrega a mesma cultura mandonista e reproduz todos os vícios do personalismo, patrimonialismo, nepotismo e clientelismo tal qual o que diz combater. Está aprisionado ao mesmo contexto e à mesmíssima dinâmica. 

Porém, esse "anti" tem um lado bem pior, bem mais obscuro. O anti-sarneísmo de ofício vende a ilusão que é diferente e não aceita a existência do contraditório. No seu exercício de intolerância... supera até a matriz (ou a matrix). 

Alguns senhores espertos, na condição de anti-sarneístas,  encontram a facilidade necessária para esconderem incompetência, inoperância e ausência de projeto. É o doce conforto de só fazer ataques, mas sem apresentar serviços e proposições. Esses indivíduos viciosos, encapados de anti-sarneísmo, concorrem para deter o aperfeiçoamento da fórmula "romana", criada pelos Sarney: Circo e Circo, pão jamais! 

O que será dessa espécie "política" quando o senador Sarney sair de cena? Será que vão criar assombrações? Vão sobreviver inventando histórias de visagens ou aparições fantasmagóricas? Teorias conspiratórias? 

É bastante agudo e visível o estreitamento político no espaço político maranhense contemporâneo. Para iniciar a carreira “política” ou o indivíduo vai apresentar sua lealdade e fidelidade ao chefão ou corre para debaixo do manto do anti. Em ambos os casos, fica a desobrigação de qualquer outra qualificação. É a vida fácil! Isso é fazer política na sua  total potencialidade ou é aderir à mediocridade da servidão voluntária?

Isso não é tudo, o problema está ficando pior (isso fica para o próximo post) 

segunda-feira, novembro 07, 2011

CASTELO MOSTRANDO SERVIÇO



Passo diariamente pela Avenida A do Calhau, isso porque a uso como atalho para chegar até o trabalho. Portanto, sou testemunho de como estava e de como ficou o calçamento dessa avenida sob “nova” administração Castelo.

Antes não estava esburacada e nem com poças de lama. Porém, Castelo viu que havia urgência em fazer esse tipo novo de asfaltamento que, para ser preciso, é uma versão do método de caiar o meio-fio, como é com breu, vamos chamar de breuzar o chão. O certo é que o prefeito fez em toda a avenida. O calçamento ficou pretinho novamente. Isto é, Castelo fez!

Toda vez que vejo essas máquinas de Castelo asfaltando acho que estou vendo um filme chinês de Kung-Fu. É verdade... Esse asfalto é Ninja. Cai uma coisa preta, sai rolando, fumaça sobe e depois a coisa desaparece.

Essa não é a mesma sorte da rua Minas Gerais e demais ruas da Chácara Brasil, Turu, que a décadas espera o poder público municipal pavimentar e calçar as ruas. Ruas que nem lembram uma situação de vida urbana. Não podemos também deixar de dizer que isso também é obra de Castelo, pela omissão.


Décadas também são somadas à espera dos moradores da Forquilha, da Rua Projeta II, loteamento sítio São Raimundo, onde o aumento do tráfego de veículos, em decorrência da implantação de novos condomínios residenciais nas proximidades, agravou a situação das ruas.


Sorte melhor também não é a da Cidade Operária, conforme nos informa o jornalista/professor Ed Wilson. ( clique)    

Para sermos justos devemos apresentar todas as obras de Castelo independentemente o bairro e a zona. Tudo isso é o que Castelo faz!   9BM4CBWNAEC6

quinta-feira, novembro 03, 2011

FINADOS. QUE FERIADO É ESSE?


Vincent van Gohg - Ramos com flores de amêndoa. 

O Brasil é membro de um seleto grupo de países que tem feriado nacional relacionado diretamente com os mortos ou com a morte.
  • Comecei a visitar o cemitério em um dia de Finados  ainda na tenra idade. Nessa época, o começo, tudo girava em torno da luminosidade das velas. O espetáculo das chamas. O brilho das luzes das velas era o atrativo maior para a criança que eu era. 
  • Eu ficava rodeando a sepultura de minha tia (a Luísa, que não cheguei a conhecer) no esforço de  manter as velas acesas. Além do “ofício” de fazer bolinhas da cera derretida. A morte não era nenhuma questão para mim. Só tempos depois veio o medo de almas, das visagens, mas  até aí a morte não era uma questão séria, nem relevante.  Não tinha nenhum efeito. A morte só se tornou uma questão séria quando minha avó materna morreu (Adosinda). A morte passou a ser algo e de forma significativa: perda.
  • O tempo passou, e muito passou. Questões outras apareceram e adquiri novas formas de pensar o drama da vida e da morte. O medo de visagens e de almas despareceu. Daquele tempo só permaneceu o fascínio pelo brilho das chamas.
O feriado de Finados só pode ter sentido para quem, no mínimo, é espiritualista. Isto é, acredita na existência de espíritos, que algo transcende ao arranjo físico do corpo. Por outro lado, é bom frisar, alguns espiritualistas não veem utilidade no feriado e nem no ato de visitar os túmulos, pois tais atitudes seriam desnecessárias. Defendem que os mortos podem ser lembrados de qualquer lugar, em qualquer dia e não estariam fixos ou presos nos túmulos. Defendem que os mortos não permanecem mortos, mas vivos em uma nova forma de vida. Nessa visão os espíritos ficam Livres dos corpos, e tomariam rumos diferenciados. Existem inúmeras concepções e doutrina sobre a vida pós-morte e as condições do espírito. 

Sendo ou não espiritualista, acreditando ou não na transcendência do espírito, o feriado de Finados traz uma questão comum a todos: vida e morte. 
A morte é o elemento que iguala a todos. Todos nós, qualquer um morre. 
Não existe morte diferenciada, simplesmente se morre. Pode haver diferenças nos funerais e nos processos que culminam com a morte, mas a morte em si é igual e para todos.  

Morte é morte, nem bela, nem feia. Não tem meia-morte. Não pensar na morte não nos tira do dilema da morte, pois isso não nos faz imortais e tão pouco nos isenta do que todos passam no momento morte. O dilema do desconhecido persiste mesmo diante do esforço da indiferença

Vincent van Gohg, depois de atirar contra si, passou dias agonizando sobre uma cama e, nesses dias finais, fez alguns pronunciamentos aos que lhe assistiam. Dentre os pronunciamentos disse: “A desgraça dura para sempre.” Vincent parece ter percebido, antes de morrer, que a morte não encerrava tudo.

O feriado de Finados é uma deferência, antes de tudo, aos dramas e dilemas dos vivos, dos que ainda não morreram. A morte só é um problema para quem está vivo. Pois são eles que estão presos a duas questões não transferíveis: ter que morrer um dia e os sentimentos de dor/perda diante da morte dos outros.

Como a morte é uma certeza, um determinismo, toda a morte e a morte de cada um acaba sendo um drama pessoal de todos. Cada um que morre põe em destaque a certeza da nossa própria morte, diz sobre nosso fim, nesse tipo de existência.

O feriado de Finados homenageia os dilemas dos vivos diante de um determinismo: morrer. 

9BM4CBWNAEC6

terça-feira, novembro 01, 2011

A LENDA DA SERPENTE E O COMEÇO DO FIM




Lendas existem. Não só existem, mas são essenciais para os mais diversos arranjos culturais. São Luís também tem suas lendas e mitos. A “Lenda da Serpente Encantada” é a que tem maior popularidade e ilustração dentre todas elas.

Esse destaque não é sem motivos, a “Lenda da Serpente” é a mais complexa e enigmática dentro dessa tradição de narrativas que, há séculos, constitui o imaginário local.  

O que há de tão distinto e diverso na “Lenda da Serpente”? Ela não é só uma lenda, mas também apresenta marcas de um oráculo. Diferentemente dos mitos, ela não está predominantemente composta por uma explicação, justificação e, distintamente das lendas, sua narrativa maravilhosa, fantástica sobre uma situação não se remete ao passado, ao que já foi consumado. A “Lenda da Serpente” traz uma Previsão, vincula-se ao devir, o que é mais característico dos oráculos. 

Diz a Lenda (Previsão do oráculo): Que a Ilha irá submergir, afundar. Isso ocorrerá quando a cabeça da serpente encantada, que mora nos subterrâneos da ilha de Upaon- Açu,  encontrar com a ponta de sua calda. 

Esse encontro entre a cabeça e a calda pode ser interpretado como o fechamento, a totalização de um ciclo de domínio ou de uma força. Uma força ou ciclo que comprometeu toda a estrutura da ilha, pois reside sob seus pilares, em túneis subterrâneos que tiram da vista do público os seus movimentos e atos (o espaço público não vinga, não aflora, a institucionalidade Pública não ganha espaço).

Desta forma, a serpente está sempre operando por debaixo de tudo, comprometendo tudo e a todos. As pessoas estão sob seu jugo, cercadas e acuadas, sofrendo diante dos rompantes e idiossincrasias da víbora poderosa e letal.

Diante disso, o povo fica cada vez mais pobre e miserável. A serpente tem uma fome insaciável e tudo quer, não dispensa nada. Furiosa e vingativa, ela mutila ou aniquila os oponentes, os que não se conformam com a situação humilhante.  

O Espigão Costeiro da Ponta D'Areia, de estética duvidosa e também inútil para reverter o avanço do mar, veio para sinalizar, materialmente, o início do fim. Esse molhe é o rabo da serpente que aflorou para se encontrar com a cabeça. Isso é um sinal que o fim está próximo, pois nunca o rabo esteve tão perto da Cabeça da Serpente.

Eis o que tem de sublime nesse oráculo indígena (Tupi) conhecido como a “Lenda da Serpente Encantada”.

segunda-feira, outubro 31, 2011

31 DE OUT. O DIA D - DRUMMOND


A LÓGICA DA DESTRUIÇÃO


É difícil imaginar que pessoas podem se sentirem tão irresponsáveis ou tão alheias ao mundo, ao planeta e às formas de vida. Mas elas existem e são muitas.

Por que ter uma lógica tão destrutiva? Será que sendo um pouco mais moderado e sensível com a vida inviabiliza por total o lucro?

As plantações de soja e de eucalipto avançam na direção do município de Itapecuru. Já estão instaladas em grande escala em Chapadinha e Brejo. 

O Cerrado é literalmente dizimado no atual processo de plantio da soja e do eucalipto. Será que precisa desmatar tudo, destruir de forma sistemática e total a vegetação nativa? Não.

Essa devastação é desnecessária. Não é preciso. A soja e o eucalipto podem ser plantados mantendo, pelo menos, algumas faixas de vegetação nativa, mini-reservas, bancos de vida. Essas faixam atuariam como estoque dessas espécies (fauna e flora) e quando houver declínio dessas atividades as áreas possam ser recuperadas, em parte.

Será que o lucro cairia tanto se em 10 ha duas faixas da vegetação nativa fossem preservadas? Não. Faixas pequenas de 50 m de largura e na extensão do terreno não impedirão o retorno do investimento. Não. Isso não inviabilizaria o empreendimento. E seria um risco menor, pois é bastante factível um declínio dessa atividade por força das oscilações do mercado externo. 

O eucalipto já provou sua utilidade em diversos setores da indústria e da produção, porém, é um absurdo completo destruir a rica biodiversidade do cerrado para plantar eucalipto. Quantas riquezas e recursos podem estar sendo desperdiçados e aniquilados para sempre? Podem ser várias. Eucalipto só devia ser plantado em áreas já degradadas por mais de uma década.

Do outro lado, os empresários do setor (soja ou eucalipto) dizem que o cerrado é lindo, mas que a maior parte dessas áreas eram totalmente improdutivas ou com atividades de baixa escala produtiva. 

É preciso mais que um código, precisamos de ações governamentais e continuadas visando ordenar e melhorar as cadeias produtivas, implantando um programa continuado de sustentabilidade com o suporte de pesquisas.

O que é visível é que desse jeito é uma forma egoísta e predatória de produzir. 

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