domingo, abril 05, 2015

A fantástica fábrica de chocolates: Pedrinhas


#ResgateEmPedrinhas  Fica até difícil de acreditar... Mas acabo de ler que agentes do crime resgataram comparsas em Pedrinhas. Toda vez que ouço ou leio algo sobre Pedrinhas vejo um jabuti em cima de uma árvore. Tudo ali já beira o mundo fantástico. 

Vamos pensar: 
1- como ocorreu essa aproximação dos que foram resgatar?,como isso ocorreu sem que eles fossem vistos ou postos sob suspeita? (os sentinelas não viram?, as câmeras são para filmar as estrelas no céu?); 
2- qual foi o tempo de reação da segurança externa (muro)?; 
3- qual foi o tempo de reação de quem vigia por dentro (existe esse serviço?); 
4- impressionante o sincronismo entre os que foram resgatar e os que foram ser resgatados,também impressiona a precisão do deslocamento dos resgatados. Os  indivíduos que fugiram já sabiam para onde se dirigir e com quais recursos contar?;
5- como esses indivíduos tiveram tempo e liberdade para subir em corda, usar escadas sem serem frustrados?
6- por que a sociedade nunca sabe nada sobre os resultados das investigações internas? O que já foi apurado sobre essas fugas?  

Está mais que na hora das autoridades se perguntarem como tantas armas pesadas estão entrando em São Luís e chegando nas mãos dos agentes-do-crime... Ninguém nunca notou isso? Além disso, ainda temos caso de arma esquecida sobre capô e que é extraviada. 

Por que Pedrinhas virou uma fantástica fábrica de chocolates. Essa e tantas outras figas são verdadeiros chocolate na vigilância.

Está na hora de uma ação para separar o joio do trigo. Tem um jabuti sobre essa árvore. 

sábado, abril 04, 2015

A Páscoa e o Deus que "morre"


E. Durkheim tem uma das mais belas escritas dentre todos os cientistas sociais. Escreve em uma qualidade didática ímpar. O mais desqualificado pelo marxistas e certamente o menos lido por seus críticos. Mas, foi ele que abriu as portas para múltiplas visões sobre os fenômenos sociais para além do positivismo e do funcionalismo. Tentam o engessar até hoje no positivismo e no funcionalismo, mas ele foi bem mais. As representações, as dimensões culturais, a realidade moral, a educação e subjetivas (desejar)... tudo aparece em sua obra. E foi por Durkheim que aprendi uma singularidade do cristianismo: "eles matam o próprio Deus". 

Pois é, no Cristianismo o Deus é morto. Qual a necessidade do Deus passar pela morte sendo ele imortal? Morrer se ele mesmo já pregava a vida eterna e dizia que era a fonte da vida? Por que a morte precisou ser ritualizada para significar o não-fim? Por que a morte para a morte teve que ser consumada no próprio Deus para afirmar a vida eterna? Humildade do Deus? Solidariedade de Deus para que não nos sentíssemos os únicos condenados a tal sorte? Deus assumiu passar pela morte para provar que a morte não é uma condenação sórdida e que Ele realmente é onipotente, Senhor do Universo?

Não há como definir o que quer Deus. Que deus poderia ser compreendido e sua vontade vasculhada pelos homens? Seria deus? Deus é. Não há explicação a não ser no que Ele próprio revela diante de nós em conformidade com os limites dos nossos sentidos. Sentidos limitados dos homens: segredos maiores. Eis o que Deus achou para nos aliviar da nossa ignorância, da nossa incapacidade e do nosso estado de vida elementar - essa nossa existência não é a forma pronta, mas a forma inicial e primária da nossa existência. Isso,  só como ideia já é intolerável para nós por força da nossa consciência sobre a própria existência e pela fé que criamos na racionalidade.

Então a Páscoa seria o mistério?, o sacrifício?, o regate? É a vida. Tudo que está na escritura apontam para um grandioso evento:a  comemoração da Vida. Páscoa é a celebração da vida! Porque Deus é infinitamente misericordioso. Para Deus não tem morte...eis a ressurreição. A Páscoa é afirmação que as coisas desse mundo serve para uma única coisa: a vida. É a vida o que importa em todas as suas dimensões. Estamos aqui nessa vida para Passar para a Vida. Viva a Páscoa! 


quarta-feira, abril 01, 2015

Esquerda esquizofrênica: a desinformação que alimenta o delírio

Fidel & Pinochet 
Depois que o PT assumiu o poder... apareceu uma legião de indivíduos de esquerda ("esquerda" no poder típica). A grande maioria dessa legião é composta por    elitistas   fracassados, pequenos burgueses com sentimento de culpa(mal resolvidos com as vantagens que tiveram na vida com o capital). E é essa turma que tem dado corpo à esquerda esquizofrênica. Não era para menos... com tal composição. O resultado, já bastante conhecido, são interpretações delirantes somadas a pura e simples ignorância sobre história. Então... deixo aos delirantes desinformados um pouco de história nessa foto. Kkkkkkk

Lula indignado com a corrupção


Matéria de O Estadão reproduz fala de Lula dizendo que está indignado com a corrupção.
Prova do quando ainda é viva a tradição do 1º de abril. (A afirmação foi feita em discurso na quadra dos bancários em São Paulo)

sexta-feira, março 27, 2015

a cidade cega


Que olhares partiram desse velho mirante? Até onde iam esses olhares?
Que sensações e deslumbres tinham ao abrirem as janelas do mirante?
E agora?
Estamos perdendo a vista diante da cegueira
do abandono, do descaso, da indiferença...
Quantos olhares deixarão de ser lançados desse mirante?
Quantas impossibilidades traz essa ruína?
Os escombros, o desmanchar da estrutura nós fere invisível.
Nos faz apodrece em memória e representação.
O desmoronamento do mirante é a perda de um olho,
É a cidade caindo em cegueira,
Deformando sua face...
Afastando-se para sempre da luz.

domingo, março 22, 2015

Dilma e o PT, ontem, hoje, o céu e o inferno

  • Esse texto são fragmentos de um bate papo no Facebook. Segue o que escrevi:

  • A situação está difícil demais. Eu já desconfiava disso...,bem antes.

    Por isso, fiz campanha dia e noite pela não reeleição. Ela (Dilma) seria uma presa mais fácil.
  • Não tenho certeza quanto a essa oposição. Até escrevi que nosso maior problema é a falta de opção. Nosso problema maior é político. Não temos opção partidária. É fato.
  • Quando apostei na Marina pensei na possibilidade de pacto mais ao centro. Achava que ela teria mais habilidade de negociar em outros termos o apoio político. E mais respaldada pelo povo para fazer mudanças. 
  • A Dilma ganhou uma eleição explorando o medo e usando do terror. Não goza de simpatia, não tem carisma, não é política, não tem trato para negociar.
  • 7


    Ela não consegue raciocinar mais longo, não articula bem nem duas ideias em um mesmo discurso. Ela vai ser.uma tragédia.,, já é. Porque está mais refém do que nunca do PMDB e Lula passou a pressionar, a reduzir a autonomia dela. Ele faz isso exatamente para alimentar o esquema de sustentação, mas aniquila a autoridade dela, sua credibilidade.

    Sarney foi chamado para adocicar a crise no âmbito do PMDB e legendas congeneres. Sarney virou uma espécie de Santo Expedito do PT, funcionou na salvação de Lula em 2005 e agora foi invocado na causa perdida de Dilma. Esse movimento em direção a Sarney não deixa de ser uma humilhação para ela, pois ela o ignorou durante toda a campanha.

    Sarney vai fidelizar o apoio do PMDB para Dilma, mas isso é uma ida mais para a direita e vai resultar em inúmeras concessões às forças mais conservadoras do Congresso.

    O pior é ver o Aécio tentando falar em nome do que ele não representa. A maior porção que ele recebeu foi voto útil. Foi voto anti-PT. Qual a confiabilidade que Aécio passa em termos de mudança? Nenhuma. O PSDB não fez as reformas democráticas assim como o PT e ainda deixaram a herança maldita da reeleição.

    Pela primeira vez vamos ter um governo findado já no início, sem o menor norte e sem aprovação popular. Todo o povo está dependência do humor do PMDB. O absurdo maior dessa situação é termos que torcer para o PMDB não ficar pior do que ele sempre foi. 
  • Não há alternativa. O PSB e o PSDB são partidos fisiológicos, de quadro e de baixa participação nos movimentos sociais e nas organizações sindicais. Os partidos de extrema esquerda são em parte esquizofrênicos, carregados de interpretações delirantes. São anacrônicos, não acompanharam as renovações e mudanças no ideário da esquerda e progressista, tal como ocorre na Europa. Não existe nenhum partido desse que sirva de referência como oposição. Não são oposição. Ou são satélites do PT ou são linhas auxiliares. Todos são de viés autoritários, não possuem vínculos com a tradição, com ideário Republicano e a visão de democracia é restrita e deformada. Muitos vivem com a cabeça no século XIX. Parte disso virou uma patacoada, uma panaceia lisérgica. 
  • Ora, esse conservadorismo e alinhamento ao governo faz esses partidos se omitirem das manifestações. Ato equivocado, porque perdem a oportunidade de serem identificados como porta vozes dessas reivindicações populares e dos setores médios da sociedade. A direita tende a representar as reivindicações porque essa esquerda equivocada abdica de ser oposição e disputar espaço no âmbito da luta. Visão equivocada de democracia é terrível. 
  • Mas, toda crise tem uma brecha para a positividade. Pode ser um momento de fecundidade. Algo novo pode surgir... não sei em que forma. 
  • Eu vou cantar uma bola... Já disse isso durante as manifestações de junho de 2013. O verdadeiro teste vai ser quando a massa do bolsa família começar a reclamar mais forte. O ícone desse grito é aquela senhora que reclamou não ter aumento do valor do bolsa família e que não estava dando para comprar uma calça. Porque "uma a calça para uma moça de 16 anos é MAIS de R$ 300,00". Eis um gatilho armado e prontinho para ser acionado. 
  • Em 2011 observei que os supermercados estavam puxando os preços, sem que tive uma alta geral dos preços. Veio a copa e monte de dinheiro foi desperdiçado. A balança comercial dependendo de exportação de matéria prima (commodities). A energia e o combustível com preços congelados mantidos sem reajustes. Tudo para fazer campanha e manter-se no poder. Agora a inflação está aí viva e com vigor e o poder aquisitivo caindo. E como vai ficar o festejado aumento de consumo? 
  • DEM, PSDB e PSB e demais legendas não possuem propostas e projetos consistentes. E Marina ainda sente o golpe do massacre montado pelo PT/PSDB. Continua com uma postura vacilante e incapaz de cortar o cordão umbilical com Lula. O excesso de respeito dela com Lula tira dela a confiabilidade de quem não quer mais governo e lhe falta coragem para assumir e se aliar às vozes das ruas. Estamos em uma enrascada. O negócio é torcer.
  • Lembrei de Weber ( a jaula de ferro). De repente é preciso aparecer uns "loucos" kkkkkk que puxem a política para fora dessa "racionalidade" e nos possibilitem uma outra situação. Quando a razão vira uma jaula de ferro, só um surto visionário pode trazer a desordem necessária para fugir da jaula e abrir um momento novo. Estou brincando, mas esse vazio é assustador e a qualidade da densidade moral da grande maioria dos que estão ocupando as cadeiras no Congresso é de desanimar. Terrível.
  • PS. Por mais que tudo isso tenha antecedentes, a culpa e a conta do PT diante de tudo isso que está acontecendo é altíssima. A parcela de responsabilidade do PT é inegável sob todos os ângulos. Lula, depois da crise do Mensalão de 2005  (salvo por Sarney), saiu da Presidência,em 2010, com 83% de aprovação. Sua aprovação em São Paulo chegou a 79%. Durante a crise de 2005 Lula lançou um pacote anti-corrupção, que foi enviado ao Congresso. Pacote que não foi votado. Pois, após ter escapado do mensalão Lula não fez absolutamente nada para que esse pacote fosse votado. Igualmente não fez o menor esforço para que ocorresse uma reforma política. Isto é, A partir de 2008 Lula e o PT tiveram todas as condições para fazer reforma política e melhorar a legislação anti-corrupção e não fizeram. Tudo estava a favor, mas o PT e Lula, no auge de sua vaidade e narcisismo, resolveram deitar e dormir na mesma cama com o perigo. A lógica e a sede de poder que passou a prevalecer no governo e no partido suplantaram todos os projetos políticos de ampliação de democracia, defesa da coisa pública e cidadania. Além disso, passou a exaltar o aumento do consumo como se o paraíso do cidadão fosse exclusivamente o mercado. Tem coisa mais irônica e absurda? Não há por que ter complacência com o PT e Lula  diante da forma que se colocaram e se colocam no exercício do poder. 

quinta-feira, março 19, 2015

Dilma Al dente: manifestações e o óbvio


Os manifestantes ainda estavam nas ruas quando dois ministro do governo Dilma concederam entrevista: Cardozo e Rosseto. As falas de ambos foram por demais reveladoras quanto à falta de entendimento interno no governo e entre governo e PT. Enquando Cardozo fava em democracia, legitimidade das manifestações e necessidade do diálogo, o Rosseto desqualificava as manifestações como ato restrito aos que não votaram em Dilma e  violência. Deixaram de imediato a questão: quem fala em nome de quem? Clara situação bipolar do governo. Mas isso é um importante indicador: o tipo de equipe e apoiadores a presidente tem. É isso, os maiores problemas da Dilma diante da atual conjuntura são internos, interno ao governo e ao seu partido, o PT. 

Hoje existe um PT que abdicou de fazer política, esquece o compromisso que um governo deve ter com o povo como um todo e a responsabilidade do Estado para com todos os cidadãos Brasileiros em garantir gozo de direitos fundamentais. Esse PT tem efetivamente ajudado a produzir isolamento político e a ruir a popularidade de Dilma. E, ao que parece, a ciber-guerrilha saiu de controle e age de forma autônoma. O discurso agressivo, desqualificado, recheado de xingamentos e bizarrices conspiratórias rebaixa ainda mais a credibilidade te tudo que emana do governo. Para completar veio somar-se a esse descaminho o Stédile com um suposto exército. Na prática o MST, a CUT e PT e seus partidos de esquerda satélites não lotaram ruas e protagonizaram um vexame com a constatação que tinha "manifestante" pago. Hoje quem confronta as imagens das manifestações dos dias 13 e 15, ver, sem custo, o quanto foi pequeno e restrito as manifestações pró-Dilma. Só serviu para alimentar o contraste desfavorável à presidente e deixar todos que hoje se opõem ao governo mais em alerta e convictos da necessidade do confronto. O dia 13 só serviu para o dia 15 ser um sucesso! No mais, a CUT e MST assumiram formas de entidades de mediação anacrônicas, no velho modelo do corporativismo grudado ao aparelho  e herdeiros do ideário de esquerda autoritário.  

No interior do governo transpira a falta de coesão e coordenação, basta ver os discursos destoantes entre os ministros e depois o discurso da própria Dilma. Depois que a Dilma falou a indagação ficou mais precisa: Em nome de quem Rosseto fala? Dele mesmo? Preocupante deve ser para a Dilma. Ainda mais com o desastre chamado Mercadante, sem carisma, sem habilidade política de negociar e suas previsões e apostas nada exitosas, produziu um nível de tensão e exigência ainda maior entre a base aliada, favorecendo o PMDB que já buscava inflacionar o custo do apoio. 

No outro lado, está uma oposição parlamentar formal, mas sem qualquer projeto alternativo às medidas do   governo e nenhuma proposta que incorpore as reivindicações expostas nas ruas. A figura de Aécio destoam do som das ruas, não gera credibilidade ainda mais quando convoca para as manifestação e não vai para as manifestações. Mas, o motivo parece óbvio, o risco de ser vaiado. Vide o que ocorreu com Bolsonaro, no Rio de Janeiro. Ao contrário do que o PT esperava não deixaram o Bolsonaro subir no carro de som e nem o deixaram discursar. A insatisfação não é só com os governista, mas também com a classe política como um todo. A Dilma cabe a maior porção da cobrança particularmente pelo conteúdo de campanha em plena contradição ou negados pelas ações do governo logo após as eleições, no momento em que o poder aquisitivo diminui, a inflação aumenta, o PIB não cresce, o preço da energia e da gasolina subindo,  os juros com taxas elevadíssimas, o dólar com cotação alta e os escândalos de corrupção na Petrobrás espantou até os mais desatentos.  

O PT,mesmo diante das expressivas manifestações do dia 15 de março, insiste em um discurso de ridicularização das manifestações atacando a todos que livremente manifestaram suas insatisfações com o que está aí. Simplesmente tenta reduzir o protesto contra a corrupção como um ato de direita, como ato golpista, de classe média, coxinhas etc. sem se dar conta do que  Nos últimos dias faz uso de uma matemática absurda e demolindo sua própria imagem de partido de militância intelectualizada. A absurda conta que eleva a classe média alta a um número absurdos, esquecendo que em 2010 o DataFolha apontava aprovação ao governo Lula de 83% da população brasileira. Sendo que em São Paulo a aprovação chegava a 79%. Impossível que essa aprovação tenha sido só entre os mais pobres. O PT aprofunda a crise em querer colocar como uma questão menor a corrupção. Pior quando argumenta que todos ou que antes já existia corrupção, ou quando coloca as críticas e protestos contra a corrupção como coisa de direita. O combate à corrupção é defender coisa pública, elemento essencial tanto para a vida democrática quanto republicana. Como um partido que é governo pode querer diminuir a defesa cívica da coisa pública? Isso reflete um tremendo equívoco sobre democracia que o PT sempre carregou ao igual os processos decisórios sindicais e de outras entidades privadas com o processo decisório democrático que volta-se ao interesse público e sobre os negócios públicos. O PT não sabe diferenciar o que eles chamam de "democracia" interna com o que realmente a democracia na sua forma política ampla. E esse mesmo equívoco o faz tratar o bem público como o bem da entidade de classe, como ente privado em benefício de uma categoria, o mal aí é reforçado pelo espírito corporativista. E isso preocupa, ainda mais diante do próprio desentendimento interno no partido nesse momento do governo. 

O cenário e as ações equivocadas do PT e do governo produziram o prato perfeito a ser servido ao PMDB que, bem instalado no poder, tem condições de reter qualquer tentativa de Impeachment, mas à custa de maior espaço e poder na máquina estatal. O concerto de salvamento da presidente tem como peça chave o mesmo salvador de Lula: José Sarney, que já reapareceu como senha de que será apaziguado na base governista. Logo Sarney que aparece, ele que foi colocado na lista da traição cirúrgica e foi evitado por Dilma durante a campanha eleitoral. Agora Dilma está exato como o PMDB quer. O PMDB não cogita impeachment porque não interessa assumir o poder nesse contexto, mas tem uma presidente fragilizada, sem habilidade política, sem popularidade e carisma. Essa dependência aguda do PMDB, assim, fica a condução do país sob o humor do PMDB. O nosso maior problema agora não é econômico, é político: nós não temos opção.  Dilma já foi servida al dente ao setores realmente mais conservadores. E em uma ironia absurda vamos ter que depender do humor e de um grau mínimo de respeito ao povo. 

Seria mais útil e inteligente o PT, antes de tudo se perguntar: por que os DAS, os comissionados, não foram para as ruas no dia 13? Além disso, buscar saber o que querem os silenciosos que não foram para as ruas no dia 13 nem no dia 15. O PT precisa ver para onde já tensiona o ânimo da massa ligada ao Bolsa Família. Não já começou um protesto silencioso dessa massa, quando não foi para as ruas junto com a CUT e o MST? 

No mais..a Democracia sempre é o risco da guerra civil, mas nossas instituições parecem, mesmo com tantos problemas estarem respondendo as demandas. Os extremismos  sempre surgem no campo político, mas no Brasil de hoje uma ou duas faixas querendo golpe não corresponde à vontade geral, nem significam o sentimento geral, é apenas o extremismo e, para bem da vida política nacional, bem isolado e incipiente  na forma e força. O que assustou é o Brasil está mostrando toda sua pluralidade viva, e a emergência de participação inovadoras, não imobilizadas pelos mecanismos tradicionais de representação e mediação. Esse espanto ainda é resquício da ditadura que fez parece que a vida e a política era só os contra a ditadura militar e os que eram a favor. Espaço restrito que fixou a ideia que esquerda só pode ser uma e de um tipo e que a direita é homogênea. Essas manifestações servem para dar vida à democracia e tornar visíveis novas mecanismos de mobilização independentes de sindicatos e partidos. Lógico, isso é novo e assusta os conservadores à direita, à esquerdo e no centro. O velho (establishment) está tendo dificuldades de dialogar com o novo, porque o velho ficou ultrapassado. O PT chegou ao poder tardiamente, o seu exercício de poder e o ideário de "esquerda" que tenta manter no discurso reflete uma total incongruência e anacronismo, ainda mais permanecendo no poder amalgamado com todas as forças sobreviventes que serviram ao regime autoritário instaurado com o golpe civil-militar de 1964. Basicamente o povo está só querendo é não ver suas vidas pioradas e um pouco mais responsabilidade dos governantes. 

Fechar os olhos e não ouvir é verdadeiramente atentar contra a democracia. 

 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...