domingo, junho 08, 2014

61 anos: Roseana aprendeu alguma coisa em termos de trato político diante esse tempo todo de exercício de poder?



Nunca votei e sempre fiz oposição ao grupo político que Roseana Sarney participa. Sempre fiz oposição política. Como nunca militei nesse anti raivoso, o que considero uma vantagem para  ver de outros ângulos, a figura política dessa senhora. Ângulos para detectar aspectos e detalhes para além do que a galhofa ácida já cristalizou sobre o seu intelecto. 

Olhando um pouco mais, vigiando e buscando controlar as minhas inclinações acerca da disputa pelo controle do poder político, relacionei a imagem popularmente construída de Roseana ao dados que colhi sobre as práticas políticas por ela assumidas. Não estou tratando dos atos de governo em geral e nem de aspecto da gestão. O meu foco está contido na questão seguinte: Roseana aprendeu alguma coisa em termos de trato político diante esse tempo todo de exercício de poder? (Adoto como trato político as formas de encaminhar e articular certas questões de poder). 

Aprendeu algumas coisas, sim. Isso não é concordar, nem simpatizar com o que representa esse aprendizado, mas só uma constatação, que é passível de ser observada.  Tampouco quero contestar a postura de quem nada ver em Roseana. Seguindo a "grande teoria" dos quadrados, que cada um pense o que mais lhe satisfaz.  

Há tempos Roseana percebeu claramente o que significava eleitoralmente para seu grupo e como deveria exigir sua porção de poder dentro do grupo político e familiar. Só que internamente o grupo tem diversas demandas e contendas, muitas delas aprofundadas com o crescimento do grupo nos últimos anos. Por conta de ter contrariado alguns dos seus pares, a sua imagem de geniosa, cheia de rompante e despreparada foi sendo popularizada. Essa imagem foi bastante explorada pela oposição, mas nasceu no interior do grupo da Roseana. 

O que mais pode servir como indicativo para dizer que ela aprendeu alguma coisa sobre o trato político? Considero que uma tomada de consciência que, os demais familiares e os diversos membros do seu grupo político, não sofrem a mesma pressão e insultos que ela sofre. Nem eles estão mesmo lugar que ela. Isso parece que passou a ter mais importância. O lugar que ocupa e o que carrega sobre si, sem poder transferir.   

Durante o período de intensas atrocidades em Pedrinhas,  Roseana, em uma entrevista coletiva, afirmou:  "Meu sobrenome é Sarney (...). Mas sou uma pessoa com passado, presente e, se Deus quiser, com futuro." Posso, sem forçar muito, alinhar essa afirmação com a tomada de consciência da individualização. "Quem está mandando aqui não é família. Quem está no Governo sou eu, que fui eleita." (Roseana). Essa afirmação evidencia bem o aprendizado sobre quem, no final das contas, responde politicamente e judicialmente pela condução pelo exercício do poder político

As atrocidades de Pedrinhas fez Roseana, mais do que nunca, reivindicar o controle do processo de candidatura para a eleição ao cargo de governador. Foi assim que foi defendendo o nome de Luís Fernando como pré-candidato ao governo estadual. Mas algo uivava nos bastidores do grupo político da governadora, como "um monstro invisível a comandar a horda". Não tardou e diversas segmentos do grupo e parte da família passaram a fazer resistência ao nome de Luís Fernando. 

Depois de uma intensa exposição do pré-candidato governista pelo interior, a situação saiu do controle da governadora. Elementos do próprio grupo de Roseana, que rejeitavam o nome de Luís Fernando, somaram esforços com a oposição para inviabilizar a candidatura dele. O locus do desmonte foi a Assembleia Legislativa, onde a candidatura pela via indireta foi desaprovada pelo Presidente da Assembleia, que passou a defender seu próprio nome a eleição indireta, jogando por terra estratégia defendida por Roseana para eleger seu sucessor e, principalmente, viabilizar sua candidatura ao Senado. 

Diante disso teve alguma demonstração de aprendizado? Sim. Simplesmente permaneceu no Governo e não publicizou nenhuma reação emotiva à destruição de sua estratégia. Ficou e está na dela. Ficou no Governo e destruiu logo de imediato o surto egocêntrico do Presidente da Assembleia de ser Governador, além de ter deixado em xeque a "verdade" de que ela não pode ficar sem mandato. 

Mais recentemente eliminou a ambição do Presidente da Assembleia de ser candidato a Senador. Fatos facilmente verificáveis. Isso, gostando ou não da cor do esmalte das unhas da Governadora, demonstra um certo aprendizado. 

A questão é: o que vai sobrar para o restante dos mentores do aborto dos planos políticos de Roseana de eleger seu sucessor? Suponho que vai depender de como esse desacordo foi interpretado. No entanto, o que é traição nunca ficou sem resposta nesse meio. Porém, a resposta para uns não vai ser de igual intensidade nem feitio. Existem aqueles blindados, mas outros não. 

As emendas parlamentares já vão sair, cada deputado leva 3 milhões. Esse reforço aos parlamentares é para o candidato a governador ou ao candidato a Senador? Suspeito que é para o candidato a Senador. Quem serão os suplentes de Gastão? Quais as exigências legais para suplente de Senador? 

Daqui para frente, Roseana não vai encontrar dificuldade nenhum de responder a um dos principais mentores da destruição da sua estratégia, basta ela querer. Para tanto, basta ficar na dela, como está e assumir uma postura republicana na campanha, deixando a máquina estatal e o cofre público isolados da campanha para o Executivo. A sutileza até agora dão indícios que aprendeu muito para o que ela era e bem pouco diante do enorme tempo à frente do poder. Vamos ver se há algo mais pela frente... 

PS.: Fato extraordinário. Roseana, mesmo com 61 anos de idade, ainda é tratada popularmente como se fosse uma jovem. No discurso das pessoas ela parece estar congelada, não é avó e tampouco uma senhora beirando a terceira idade.  Acho que tá na hora de Roseana virar vovó Roseana.  





sábado, junho 07, 2014

Fascismo para-estatal, greve e aumento de passagem

A dificuldade de discutir essa questão começa em arrumar um título sucinto. 
A greve no transporte coletivo urbano de São Luís mostrou o quanto a coisa pública não é nada nessas bandas e o quanto alguns senhores estão acima de qualquer institucionalidade. Não há qualquer resquício factual da ideologia do Estado de Direito, muito menos do Estado Democrático de Direito. 

Foi uma greve inequivocamente posta e imposta pelos proprietários das empresas de ônibus, que contam com a sintonia cúmplice do sindicato dos motoristas e trocadores e, pelo visto, com a total complacência da administração municipal. 

O que está acontecendo no setor de transporte de São Luís apresenta características semelhantes ao que Boaventura de Sousa Santos denomina de fascismo  social. O autor diferencia o fascismo social do fascismo estatal das décadas de 30 e 40. Esse fascismo é produzido a partir da sociedade civil, não é regime político, mas social e civilizatório. Não precisa retirar a capa da democracia, basta trivializá-la. Porque é um fascismo "pluralista". Especificamente estamos diante de uma variante do fascismo social que o autor supracitado batizou de fascismo para-estatal, que consiste usurpação das prerrogativas estatais, p.ex.: a coação e a regulação social,  por pessoas poderosas, que contando com a cumplicidade do próprio Estado, tanto podem neutralizar como complementar o controle produzido pelo próprio Estado. Essa modalidade de fascismo comporta a dimensão contratual e territorial.

Na forma contratual, a organização dos Donos das empresas de transporte coletivo estão em uma posição de extrema vantagem em relação a outra parte: os empregados (motoristas e cobradores) ao ponto de impor as condições dos contratos, pouco resta de alternativa aos funcionários. Ao mesmo tempo, o "sindicato" dos Donos dos ônibus reivindica prerrogativas extracontratuais, pondo como se fossem titulares da função de regulação que pertencem ao Estado. Enquanto fascismo territorial disputa com o Estado o controle sobre o território, neutralizando o controle estatal através de cooptação ou coação às entidades estatais, passando a exercer regulação social sobre os cidadãos desse território (sem permitir a participação e contra os seus interesses).

A greve que paralisou cem por cento o transporte coletivo de passageiros não foi só por reajuste no preço da passagem e por mais subsídio, o objetivo maior é manutenção de um privilégio, mesmo que em prejuízo dos cidadãos. O que mais os Donos das empresas de ônibus querem é manter o transporte urbano de passageiros sob a total dependência de ônibus.  

Logo após o fim da greve, os empresários do setor de transporte coletivo de passageiros, através de seu representante, lançaram uma peça publicitária, cheia de maquetes eletrônicas e animações computadorizadas, para anunciar a proposta, por eles concebida, para melhorar o transporte de passageiros em São Luís: O BRT. 

A greve foi para enterrar a proposta de implantação do VLT e impor um projeto que mantém o transporte coletivo de massa feito unicamente ônibus: BRT. Nas grandes cidades em situação administrativa e de planejamento melhor do que São Luís, o BRT está servindo para remodelar o velho sistema de transporte de passageiros por ônibus. Ninguém está optando pelo absurdo de ter BRT como o único meio de transporte de passageiro. Em toda parte do mundo a busca é por diversificação, priorizando os meios menos poluentes, mais seguros e econômicos. 

Esse tipo de "projeto" BRT dos empresários é uma questão de poder. Esses senhores, ao longo de décadas, imperam sobre a cidade sem qualquer constrangimento de nenhum dos poderes constituídos. Os habitantes da cidade permanecem reféns da mentalidade e dos caprichos desses senhores. 

Na fala do senhor empresário que expõe a tal "salvação" aparece claramente a ordem de prioridades: "É bom para os empresários, é bom para os políticos". O mais visível é que os empresários sabem que tem bastante recursos e que querem que esses recursos sejam captados para o BRT. Pelo exposto estudos e um projeto de verdade não existem.
A população, ou melhor, o interesse coletivo, os direitos dos cidadãos ficam como um detalhe a ser encaixado quando for  possível... Ainda mais com o grande alinhamento do representante do poder político da municipalidade com o esforço empresarial de não priorizar o que é de interesse público.

Podia o atraso estar melhor representado?

quarta-feira, junho 04, 2014

Vai ter copa e não vai ter copa


Minha opinião sobre a Copa:
Vai ter copa e não vai ter copa.

Vai ter a copa com evento de Estado, onde o Governo vai fazer uso de todos os aparelhos de repressão para assegurar o funcionamento do evento. Vai ter copa como ato de Estado onde manifestações cívicas serão colocadas como conspiração contra o Estado. Vai ter copa como propaganda política explorando o nacionalismo como recurso ideológico autoritário para suprimir manifestações pautadas por valores cívicos baseados elementos fundamentais de cidadania e de democracia. Vai ter copa enquanto renúncia fiscal a favor da FIFA, que agiu como um Governo da Metrópole em uma colônia. 

Não vai ter copa como ufanismo barato. Não vai ter copa como uma festa geral de civismo alienado sem defender direitos fundamentais. Não vai ter copa confundindo cidadania com torcida de futebol. Não vai ter copa sem protestos. 

O legado é que o civismo vai começar a ser vinculado a direitos e causas públicas, a valores republicanos e democráticos e deixar de ser restrito a uma festiva torcida de futebol. Reivindicar democraticamente não é falta de patriotismo, mas defendê-lo no que é fundamental: cidadania.  

terça-feira, junho 03, 2014

Onde doxa é episteme

Decorar é algo bem, bem primário. A memorização de procedimentos está inserida na socialização desde os momentos inciais. Abstrações complexas e reflexões exigem esforços adicionais. Produzir conhecimento de caráter científico, ultrapassando a doxa não é uma tarefa qualquer. Produzir cientificamente a partir de uma metodologia qualitativa é difícil. 

Fica mais desafiador se na empreitada a metodologia assumir a dimensão reflexiva, em detrimento do paradigma positivista e a compreensão da relação sujeito-objeto não for cartesiana. 

Não importa o preciosismo linguística e o volume de acertos gramaticais contidos no texto onde foi expressa, a opinião continua somente como opinião mesmo diante do primor da escrita. Quem ainda não demonstrou capacidade de elaborar hipóteses testáveis, domínio sobre indução analítica, teorização enraizada etc. não provou ter ido além da opinião. 

Mas, essas exigências nada importam quando a sociedade está estratificada com base em um sistema de castas, onde a validade das coisas e a condição do sujeito estão aferidos por dotes, prebendas e de cunho nobiliário. Com isso, reis, sub-reis e todos os endinheirados podem reivindicar qualquer posto do "saber", pois basta produzir uma opinião qualquer que a mesma será alçada ao posto de uma valiosa elucubração. Assim, doxa passa por conhecimento, sob massiva divulgação efetivada pela rede de lacaios. 

Como sempre, é um elemento recorrente desse contexto maranhense: o exercício da vaidade. Trata-se de um "dizer" sem qualquer fundamentação pautada em dados, onde o conceito jogo é lançado no texto sem nenhuma teoria, mas como o acaso que produz a crença na sorte. Viva o polida doxa dos senhores!        

segunda-feira, junho 02, 2014

Administração Pão massa fina quente


Veio a mim a questão:
Com qual frequência Edivaldo Holanda Jr. administra a cidade de São Luís? 
Resposta: Com a mesma frequência com que encontramos pão massa fina quente.
(Diário da Serpente)

quarta-feira, maio 28, 2014

Para onde rola a Rocha


Entre os políticos, de diversas filiações, o processo de negociação em torno de posições, apoios e recursos já está em ritmo acelerado. Cada um tentando garantir a melhor posição dentro da legenda partidária e do grupo político. Além disso, segue em todas as direções a busca por apoios e parcerias eleitorais. Não há mais tempo suficiente para  ver todos os detalhes. Mas nem todos estão no mesmo patamar de dificuldade ou de possibilidade em termos de eleição e articulação em torno do poder. Alguns estão em posições bem mais confortáveis do que outros, independente de vencer ou não a eleição.

Para alguns o maior dilema é o leque de opções e não a falta de opções e de recursos. Atualmente não parece muito clara a opção de alguns nomes conhecidos e com experiência eleitoral e legislativa. Os melhores exemplos são: Dutra, o guerreiro de Saco das Almas e Roberto Rocha. 

Até agora Dutra ainda não sinalizou bem se quer continuar na Câmara Federal ou se vai tentar a Assembleia Legislativa. Se optar pela esfera local, Assembleia Legislativa - (situação 1) fazendo parte da base do Governo (em caso de vitória da oposição) ou (situação 2) fazendo parte da bancada oposicionista (em caso de vitória do candidato da situação). Em qual esfera ele encontraria mais espaço e maior projeção para projetos futuros?

Outro nome que o desenho da opção demonstrar ainda alguns acertos é Roberto. Apesar disso algumas coisas parecem já estarem postas. Primeiro, não é ganho político permanecer como vice-prefeito de Holandinha. Segundo, a saída, por ele mesmo esboçada, é ir para o Legislativo. Vide sua pretensão ao Senado. Porém, o contexto foi  alterado e algumas outras negociações apareceram para retirar a facilidade da concretização dessa pretensão inicial. O último fato perturbador foi a aliança PC do B/PSDB, fazendo Castelo ressurgir como candidato e com força para candidato ao Senado. Inicialmente Castelo dizia que seria candidato a Deputado Federal. Esse fato novo gerou uma forte alteração no grupo político que Rocha compõe. 

A candidatura ao Senado deixou seu campo de conforto para Rocha. O tempo ficou curto para insistir e para redefinir posições e espaços. Para Rocha é mais do que urgente saber para que lado rolar. Manter-se na opção primeira de tentar o legislativo, no formato original de candidato ao Senado ou alterar. Alterar sem desistir do projeto inicial é possível. Desiste do Senado e opta por uma vaga na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa. A questão é saber qual das duas casas favorece mais seu projeto político de chegar ao Palácio dos Leões. No caso de Rocha não depende só da Casa Legislativa, vai precisar ter um grupo mais afinado com seu projeto ou conseguir um forte credenciamento no grupo atual, construindo apoios e adesões em torno do seu nome.

Mas, nada disso é fácil diante do tipo heterogeneidade esse grupo em torno da candidatura de Flávio ganhou. A vaga de Deputado Estadual visando presidência da Assembleia Legislativa não é tarefa fácil. Vai depender da conjunção de vários fatores: 1- Flávio ganhar; 2- o tamanho da bancada  conquistada pela atual oposição; 3- dependendo do tamanho da bancada, Flávio ou qualquer outro candidato eleito a Governador vai ter diante de si a equação das adesões. A alta ou baixa necessidade de buscar mais apoio na bancada originalmente adversária. Não necessitar buscar mais apoio e conquistar adesões é pouco provável. A conhecida migração parlamentar rumo a quem está no poder tem ocorrido sob acertos nada desinteressados e bem pouco republicanos. Por esse ângulo, a vaga na Câmara Federal parece mais fácil de operar, salvo o tropeço eleitoral. O futuro está como sempre: em aberto. Como Câmara Federal Rocha vai buscar solidificar a preferência pelo seu nome na sucessão ao Governo do Estado... é a questão. O contexto nacional até agora aponta para situações generosas para o PSB, ganhando ou perdendo a disputa presidencial. 

No mais, o plano pode ser duramente alterado no sentido de viabilizar a saída da condição de vice-prefeito, trata-se de assumir mais um posto de vice, Vice-Governador. Aí é uma incógnita danada. Institucionalmente vice não tem competência nenhuma a não ser sanar vacância, a chamada lacuna no comando do poder político. Vice é para ficar mesmo na reversa técnica. Sendo vice as coisas rumarem para ele ser uma espécie de macaxeira - ficar o período todo enterrado e só aparecer para ser descascado, cozido ou frito - ou, por um acerto político, contar com a benevolência do Governador de fazer uma distribuição de tarefas protocolares que lhe garanta alguma visibilidade e poder de negociação. Mas, mesmo com a benevolência, vai diante do vice, na prática do jogo do poder, o Chefe da Casa Civil, que certamente será o homem de maior confiança do Governador. 
Uma coisa é certa... Rocha se vira agora ou vira brita. O tempo praticamente acabou para esse tipo de acerto.

segunda-feira, maio 26, 2014

Sarney: o homem cordial como nostalgia

Já ia dormir ... mas encontrei a Coluna do Sarney com o seguinte título: O homem cordial. Fui ler. 

Logo de início o senador amapaense faz referência a Sérgio Buarque de Holanda, especificamente ao seu "homem cordial" e à obra Raízes do Brasil. Sarney lembra da paternidade do termo, que pertencente a Ribeiro Couto, cuja ideia de cordialidade é de um adocicamento pacificador. de caráter conciliador. 

O senador ressalta a divergência sobre a noção dada entre Buarque e Couto, mas sobre Buarque apenas diz: "Já Sérgio Buarque analisa de outro modo dizendo que nossa cordialidade não era essa de Ribeiro Couto e popular. Ela se vinculava mais à razão do core (coração), em latim."  Bem... a minha insistente tentativa de estudar sociologia, as leituras das obras dos pensadores brasileiros etc., não me deixaram ir dormir sem pensar sobre esse cordial homem e o homem cordial da literatura dominical de Sarney. 

O senador aborda a violência, a copa, o crack,a falta de transporte, a falta de ruas pavimentadas, a falta de transporte público e reclama de prefeituras mais preocupadas coma política do que com o bem coletivo. Pois é. Qualquer um sabe que o homem cordial em Buarque não é caracterizado pela tal fidalguia, mas por uma recusa ao formal e ao impessoal. Elementos necessários à dominação de tipo legal/racional. 

Porém, essa recusa bem serve ao patrimonialismo e ao mandonismo, que bem operam com a servidão voluntária e recurso do clientelismo. Questões só para ilustrar: como se universaliza direitos com pessoalidade e informalidade? Ou como fazer prevalecer  a meritocracia com pessoalidade e informalidade?

Ocultado o homem cordial de Buarque, emerge o homem cordial de Sarney formulado quanto nostalgia, diz Sarney: "O maranhense em particular, sempre um ser pacífico, logo adere à onda nacional e se torna um homem irracional, pronto a reagir por qualquer coisa e mesmo sem respeitar a vida, o maior bem de Deus ao homem, e mata e morre."  Pois é, logo agora. Né? Quem disse que a fúria não está latente em qualquer uma das versões de homem cordial?  

 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...