sábado, novembro 06, 2010

HUMILHAÇÃO É DIVERSÃO?, É RECEPÇÃO ACADÊMICA?


A violência, no interior dos campi, vai se avolumando como modismo, iniciando-se sob o manto encobridor da calourada, da recepção de calouros e do trote. Até quando vamos tolerar atitudes bizarras como brincadeiras?

A barbárie parece querer se vingar do conhecimento civilizatório, da ordem humanista. Cada vez mais o pensamento crítico, analítico, sistemático e reflexivo tem que ser rebaixado e se submeter aos imperativos da noção comum, da pré-noção e do achismo. No lugar de uma racionalidade para a paz e desenvolvimento civilizatório, cultiva-se a instrumentalidade da razão para o mal, para alimentar o horror no micro-cosmo social. “O intolerável não pode ser tolerado!”

"Fala-se de uma ameaça de regressão à barbárie. Mas não se trata de uma ameaça, pois Auschwitz foi a regressão; a barbárie continuará existindo enquanto persistirem no que têm de fundamental as condições que geram esta regressão. É isto que apavora." (Adorno)

São nos micro-espaços do cotidiano social que o mal vai se perpetuando silenciosamente. É por aí que vão se firmando a banalização do mal (Arendt) e o cultivo no neo-conservadorismo que, segundo Laclau, coloca a ampliação da revolução democrática como sendo “excesso de democracia” e provocando, ao mesmo tempo, uma onde de igualitarismo que faz com que a sociedade fique ingovernável.

“Eduquemos no sentido da auto-reflexão crítica e nos dediquemos à tarefa de esclarecer, para que se produza um ‘clima intelectual, cultural e social’ que não permita a repetição de Auschwitz. O primeiro passo é repensarmos nossas práticas como educadores e nos indignarmos com tudo que nos lembre Auschwitz...” (Fábio Freitas)

Essa bestialização do espaço acadêmico precisa ser contida antes que seja tarde demais. Puxar pessoas por corda não é uma recepção acadêmica.

sexta-feira, novembro 05, 2010

GOZANDO COM O PIRULITO ALHEIO


Há os que gozam da glória por esforço e talentos próprios, mas há os iludidos que, sob o brilho alheio, ignoram a escuridão em que estão imersos. Esses últimos são os que gozam com o pirulito alheio. Sem nenhum talento e esforço aproveitam as sobras da glória alheia para se vangloriarem.
Seus olhos já estão ofuscados de tanto  olharem para os iluminados. Babando...

Por outro lado, essa situação de aliados do mandonismo não corresponde a uma ascensão, pelo contrário, é uma nítida condição de rebaixamento, pois passaram a ser meros paus-mandados ou capitães-do-mato.
Cegos pela vaidade e esperteza... acham que é uma vitória a posição que ocupam no interior do mandonismo. Não é vitória, é pura humilhação! Por quê? Porque os que outrora destilavam ódio e fúria contra a família Sarney... agora estão lhe servindo docilmente... (em troca de cargos e algumas comissões minguadas). Foram comer mansamente na mão do clã Sarney. Serão sempre tratados como membros de terceira categoria (baixo clero) dentro do clã. Lá tem hierarquia, a antiguidade por serviços prestados é posto e vale alta patente. 


Humilhação com todo requinte É o saldo, até agora, dessa adesão. Eis o legado dessas pessoas para a história.

Por outro lado, os ameaçados de expulsão, caso isso seja concretizado, vão deixar um legado bem claro para a história: não serviram ao mandonismo, não aceitaram a servidão.


Além disso, frustraram o senhor mandão de ver, antes de morrer, todos os seus opositores ajoelhados no eito do seu latifúndio! Ser expulso por não aceitar tal “parceria” política é uma honra. Ser punido e perseguido por não capitular às humilhações não é demérito, mas glória.

Não é ódio e nem rancor, senhor mandão, é convicção e crença em valores diferentes dos seus! Não queremos sua companhia política, só isso!

Seria mais coerente e digno não falsear, não criar álibis ridículos como: “corpo mole”, “falta de empenho” etc. O desejo e a deliberação de punir os não aliados já existiam. O plano era tolerar, usar nossos esforços em prol de Dilma e depois das eleições punir. Pronto! Não precisa essa dissimulação.

Os incomuns do Maranhão já são conhecidos por sua sede de vingança; estranho seria se eles não tentassem algo dessa natureza. Vingar e humilhar é um tipo de "sacramento" para  o clã mandonista.

O PT, desde o último congresso, firmou um novo modelo de ser: partido de cúpula, verticalizado, tendente a eliminar o basismo como campo de disputa e de formulação coletiva. O PT tende a ser um partido de cúpula, de poder verticalizado. Chegou o tempo de estiagem para as tendências não subservientes ao poder central.

Alguns colegas, agora acusados de terem traído Dilma, fizeram defesas calorosas em prol de Dilma. Esforço inútil, pois nem Dilma e nem ninguém da cúpula do PT estão valorizando a militância desses companheiros. Eles acreditaram na possibilidade de ser PT e Dilma sem ser sarneyzista. Nunca acreditei nisso. A ameaça de expulsão deixa claro isso!

Como já disse, o PT que existe hoje no Maranhão é o PT da aliança Dilma/Sarney/Lula. Apoiar Dilma é apoiar Roseana, sem isso vai para o paredão. É isso. O PT do Maranhão para Dilma é o PT dos que estão com Roseana no governo. Os filiados não-aliados dos Sarney podem ser descartados tranquilamente. 
Quem sabe o amanhã...?

terça-feira, novembro 02, 2010

LULA E O SALDO ELEITORAL DO PT- A FORÇA VERMELHA

É certo que o Partido dos Trabalhadores (PT) ainda não consegue barganhar o mesmo número de prefeituras como o PMDB, particularmente nos milhares de municípios pequenos e médios. Dos 5.561 municípios existentes, até o momento, a fatia do PT ainda não é robusta, mas está à frente de uma parcela de municípios importantes, expressivamente populosos e ricos.

Por outro lado, o PT conseguiu conquistar o governo de quatro estados e mais o distrito federal. Destacamos que dois estados e o distrito federal estão entre os maiores PIB e também com significativo número populacional. Isso é mais que suficiente para perceber a importância e dimensão do campo de influência do partido. Não só isso, o partido carrega uma responsabilidade administrativa grande independentemente de estar à frente da Presidência da República.

O PT ainda está diante do desafio de programar um modelo de gestão local reconhecido e eficiente sem o atrelamento ao sucesso do governo federal. Isso diz respeito aos continuados acréscimos de competência sobre os municípios. Tanto os governos estaduais como o federal estão colocando sob a responsabilidade do poder local a prestação e execução de diversos serviços, mesmo sem ainda estarem instrumentalizados e organizados para efetivar tal gerenciamento.

O ponto da questão é: voltar ao mote das administrações locais diferenciadas, difundido pelo PT antes da chegada de Lula à Presidência, e que ficou ofuscado pela popularidade e performance do mesmo.

Lula tinha ao seu favor sua origem, sua história que o escudava, pois ativava o sentimento de culpa de parte da sociedade brasileira, tendente a não aceitar os ataques mais frontais contra “pessoas simples”, pois carregar oculta a vergonha da desigualdade social explícita.

É hora de entrar em cena o pano de toureiro para desviar a atenção do touro. Creio que vem por aí o efeito lacuna produzido pela saída de Lula.

É hora de Partido! Voltar a marcha partidária diminuída pelo alargamento do carisma da figura do Lula. Número e recursos o PT tem!

 

domingo, outubro 31, 2010

ABSTENÇÃO: precisamos investigar


Esse segundo turno vai ser marcado pela abstenção, sem dúvida. Passei em quatro municípios: Itapecuru, Miranda, Bacabeira e Santa Rita e a freqüência estava baixa. Poucos eleitores presentes nos locais de votação.

Já há indicativos de que isso está acontecendo em outros estados da federação. O que houve?

É certo que houve descontentamento por parte dos eleitores diante do nível das discussões travadas pelos candidatos. Faltou sedução e encantamento pelas campanhas.

Os candidatos não são carismáticos, possuem discursos ruins etc. Mas, será que essa desmotivação é culpa só dos dois candidatos? Não. Improvável que exista um só fator contribuindo para isso.

Outros fatores podem ser elencados. Parte dos eleitores do PSOL, Marina, PSTU etc., inclinados ao voto nulo, podem ter optado em simplificar esforço, ficando em casa. Marina teve uma votação expressiva, mas os candidatos das demais legendas não foram tão felizes nas urnas em termos percentuais.

Certamente existem outros elementos ainda não tão bem delineados. Mas destaco dois: a ausência de disputa parlamentar no segundo turno, isto é, deputados arregimentando os eleitores para o voto e a brutal transferência de domicílio eleitoral nas últimas eleições municipais, isto é, aqueles eleitores que passaram a votar fora do local onde reside. No Maranhão isso é um problema sério. Muitos municípios o número de eleitores ultrapassa o número total de habitantes. É como se 200% do município votasse. Lembrando que abaixo de 16 anos não existe eleitor.

No primeiro turno, candidatos, os mais abonados, "ajudaram" nesse deslocamento de eleitores, verdadeira migração eleitoral, mas agora não há mais motivos para investirem nisso. A maioria dos candidatos, depois de cada pleito, sai derrotada. Esses candidatos derrotados estão trocando em miúdos seu calvário eleitoral e poucos continuam interessados em campanha.Os candidatos eleitos, um pequeno número, não vão mais gastar, porques já alcançaram seus objetivos.
Sem o partelalismo, muitos eleitores preferem a justificativa ou a multa de R$ 3,00.  Pois é mais barato do que pagar uma passagem de R$ 30,00, R$ 40,00 ou mais. Por outro lado, muitos eleitores vão ter trabalho na segunda, o que dificulta ainda mais viajar. Teria sido mais conveniente antecipar o feriado do dia 02.

A pouca eficácia da Lei da Ficha limpa, a sessão sem solução do STF não são coisas desconsideráveis. Que motivação vai ter o eleitor de votar se o próprio STF não consegue dizer se a lei vale ou não?

O apoio de Roseana Sarney à candidata do PT foi efetivo nesse segundo turno? Qual o tamanho desse apoio eleitoralmente?

No entanto, considero que essa abstenção guarda outros conteúdos de uma massa silenciosa crescente no interior do eleitorado brasileiro...Isto é, a derrota da Política!









sábado, outubro 30, 2010

FALA QUE EU TE ESCUTO, EDIR MACEDO!


A campanha de Dilma não podia chegar ao fim sem receber um importante apoio espiritual. Eis que a verdade da fé veio ao encontro da candidata: Edir Macedo (líder supremo e proprietário da Igreja Universal do Reino de Deus). O líder religioso defendeu Dilma no seu blog e, lógico, deixou claro de que lado está. Não é para menos, o PRB é partido da base do Governo, e também tem vínculo com Edir. Coerência.

Pergunto: O Presidente da República não vai reclamar que o Estado é laico?

Democracia é assim... com liberdade e direito de cidadania. Religiosos também são cidadãos. Considero importante essa manifestação aberta de Edir Macedo, principalmente depois do Papa Bento XVI ter pedido posicionamento político aos católicos brasileiros. É isso, leve seus valores para as urnas, ninguém existe sem valores.

O apoio de Edir Macedo é congruente com o voto pautado em resultados econômicos, pois esse senhor é adepto da teologia da prosperidade, que reivindica graça e salvação, isto é, perdão, milagre e prosperidade econômica. É uma teologia totalmente conectada com os motes de campanha da Dilma: “classe C que está viajando”, “o Brasil que está dando certo” etc. Eis a coerência ideológica e programática! Viva a laicidade lulista!

A esquerda Dilma-lulista está, com a fogueira santa, mais pertinho do paraíso da prosperidade!

O que diz Edir Macedo: “O Senhor Jesus não precisa de advogados, nem de assessores de comunicação que saiam em “defesa” de Seu Nome.” (disponível no site pessoal do Edir)

O que diz a Bíblia: “Eis o que deves ensinar, pregar e defender com toda a autoridade. E que ninguém te menospreze!” (Tito 2:15)

sexta-feira, outubro 29, 2010

BISPOS NÃO PODEM SER OMISSOS


Pronunciamento do Papa afirma a necessidade de católicos se posicionarem politicamente. Veja:

“Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, consequência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático --que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana-- é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambiguidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sóciopolítico de um modo unitário e coerente, é necessária --como vos disse em Aparecida-- uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja" (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambiguidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010)."
(Trechos do Pronunciamento do Papa Bento XVI)



quarta-feira, outubro 27, 2010

ARTEMIS: a nova cara do velho mundo


Detalhe da decorção de Artemis

O Estado Alemão legalizou a prostituição desde 2002. O Artemis é o maior bordel da Alemanha, um verdadeiro maracanã do sexo, com 4000m² e funcionando das 11h00min até 05h00min da manhã. Os proprietários e adeptos não chamam de Bordel, para os quais isso “é casa de compensado na beira da estrada”. Na visão dos promotores a Artemis é um clube: Frei Körper Kultur (cultura do corpo livre).

Depois da legalização as prostitutas passaram à condição de autônomas ou freelance do sexo com direito ao seguro desemprego e assistência médica. Hoje o número de cadastradas em todo país é de 450 mil. O movimento feminista foi um ativo defensor dessa legalização. O mote tinha no núcleo a liberdade da mulher, muito similar ao da defesa do aborto. Além disso, a questão era posta como política de segurança, proteção e saúde das mulheres que, na calçada, ficavam sob o mando de cafetões e aos traficantes de mulheres.

Mas isso não quer dizer que as prostitutas chegaram ao paraíso.

O outro lado disso. O Estado passou a arrecadar mais, proliferaram as casas de prostituição e abriu um competição agressiva. Pessoas ligadas às organizações em defesa das protitutas reconhecem as dificuldades, mesmo após a legalização. A crise econômica estaria contribuindo para a precarização da situação das prostitutas, cujo rendimentos teriam caído mais de 50%. Para a Receita Federal o ganho de uma prostituta é de 110 euros dia.

Ano passado o ganho mês, segundo as prostitutas entrevistadas, era de 5 mil euros, mas agora é só de 2000 mil euros (líquido). Isto é, uma miséria para os padrões da Europa rica. Vejamos o que isso significa em termos de salário.

Como na Alemanha não há salário mínimo, vamos comparar com dois outros países importantes da Europa rica: França e Reino Unido. Respectivamente os salários mínimos são : 1154 euros e 1105 euros. Segundo Marion, essa crise financeira faz com que as meninas aceitem qualquer proposta para salvar o ganho do mês. Isso implica correr riscos: sexo sem camisinha deve ser um deles.

A competição, ou guerra comercial, também tem sido um complicador, pois para atrair freguês está valendo tudo. Promoções extremamente agressivas, como a efetivada pelo Clube da Buceta, cuja promoção consistia no seguinte: comida, bebida e sexo ilimitado por 70 euros. Tudo na faixa, como dizem os paulistas. Enfim, a grande Berlim é hoje um centro de prostituição com 700 bordéis funcionando a pleno vapor. Isso sem contar as Hobby Hure ( prostitutas ocasionais).

Muitos se assustaram com o filme « O Albergue », dirigido por Eli Roth, tendo como um dos produtores executivo Q. Tarantino, mas até agora não perceberam o motivo de mostrar fábricas, sexo, drogas, violência e abanalização da morte. Tudo isso ocorrendo no Velho Mundo.

Marion Detlefs, assistente social de Hydra, tem a seguinte opinião: "Eu não acho que a legalização mudou muito. A prostituição nunca foi e nunca será um trabalho como outro qualquer, em um bordel ou não, tendo uma obrigação legal ou não. "

A matéria não destaca e nem aprofunda sobre a origem dessas mulheres.Essas mulheres chegam de onde? Quantas são de origem estrageira? Pois bem, em um trecho dizem que são pessoas do Leste-Europeu que foram atraídas pela normalização da profissão. Em outra parte da entrevista aparece uma cubana que « fez o caminho Cuba-Alemanha atrás do seu alemão ».

Aí está o X da questão, quem abastece esse mercado de carne. Sem esforço nenhum é possível verificar que são mulheres do Leste-Europeu e de países latino-americanos, como a cubana « que foi atrás do seu alemão ». Hoje ela se prostitue e cria o um filho sozinha. Essa história tem se repetido também com inúmeras brasileiras, em vários países da Europa.

Na Letônia, país do Leste-Europeu, o salário mínimo é de 116 euros, isto é, R$ 274,68. Muito menos que o nosso baixo salário mínimo. Cuba nem precisa dizer o quanto é baixo o salário.

No Brasil, nos centros turísticos nordestinos, ainda sobrevive o mito do príncipe europeu, que depois de bem servido de prazer, vai proporcionar um grande futuro a devotada moça pobre, pois para a mentalidade local: europeu branco é sinônimo de riqueza, que cortesia de farra é igual a afeto de compromisso amoroso. Famílias inteiras acreditam em belos contos... Infelizmente! Eis a matéria prima da indústria européia.  

Texto produzido a partir da matéria do Jornal Rue 89: Bordeis à Berlin: La prostitution, um business comme um autre.
Foto: do site oficial do artemis, detalhe da decoração.


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